A queda, de Albert Camus

Ele se apresenta como Jean-Baptise Clamence, embora não seja esse o seu verdadeiro nome. Clamence era um renomado advogado de Paris, cujo sucesso perpassava sua vida profissional, pessoal e junto às mulheres. Defendia as causas nobres e sempre esteve do lado considerado por ele como sendo o da justiça. Seus clientes eram, em especial, os órfãos e as viúvas.

Num momento de sua vida em que tudo corria muito bem, um acontecimento mudou por completo a sua vida. Era noite e ele estava parado olhando o rio Sena quando começou a escutar um riso vindo sabe-se lá de onde. Um riso persistente e debochado que parecia querer dizer-lhe algo. Quem seria? Olhou por todos os lados e não avistou ninguém. Seria ele rindo de si mesmo? Seria sua própria consciência?

Clamence abandonou Paris e a vida profissional a que se dedicara com tamanha vaidade e partiu para Amsterdã, onde frequentava diariamente um bar que servia de porto para marinheiros, renegado à função de consultor dessa gente que não lhe exigia diploma algum a que desse credibilidade para oferecer seus préstimos jurídicos.

Distante de Paris e da vida que outrora levara, Clamence se autoproclamou juiz-penitente e narrou a sua história numa espécie de confissão em que se acusa ao mesmo tempo em que parece acusar toda a humanidade. Isso fica caracterizado, dentre outras falas, quando, ao admitir sua própria duplicidade enquanto ser, ele dispara: “a criatura é dupla”.

O que deu causa à confissão foi o fato de Clamence ter tomado consciência de que ele e, por consequência, nós todos vivemos duas espécies de vida: a social e a íntima. Uma que está no campo do parecer e a outra do ser.

Para ser aceito, notável, admirado e reconhecido tinha que esconder sua verdadeira face e as suas reais intenções. Tudo aquilo que se dispunha a fazer pelos outros não era senão uma forma de beneficiar a si mesmo . Ao ajudar um cego atravessar a rua, pouco importava que este não o enxergasse, pois havia um público imenso disposto a aplaudir sua boa ação.

Clamence era absolutamente simpático. Sorria em abundância, dava apertos de mão, demonstrava generosidade e simpatia mesmo naquelas situações em que a sua vontade era sair dando socos naqueles que atravessavam o seu caminho sem lhe dar a devida importância, como se ele fosse apenas mais um.

Jamais seria apenas mais um, posto que eleito. Não tinha religião, mas era inaceitável que o seu sucesso em todas as áreas fosse originado apenas do esforço e do mérito. Alguma força superior havia de tê-lo escolhido para ser tão bom e diferente das demais “formigas humanas”.

Gostava das montanhas, dos picos, de viver nas alturas e só sentia à vontade nas situações elevadas. Sua profissão satisfazia essa vocação para viver no alto.

Como advogado, não julgava nem era condenado. Bastava defender o acusado energicamente e com esforço que, mesmo não diminuindo ou eximindo a pena do réu, o seu papel restava cumprido.

“Os juízes condenavam, os réus expiavam e eu, livre de qualquer obrigação, isento tanto de julgamento quanto de sanção, eu imperava, livremente, numa luz edênica”.

Clamence vivia no Paraíso do Éden, planando entre os deuses, certo de que era o melhor entre os seres e o mais inteligente do mundo. Não tinha amigos, mas cúmplices. Tampouco família. Apenas aliados.

Frequentava enterros, porque enxergava nessa triste circunstância a possibilidade de ser visto e, para tanto, admitiu: “Eu sabia precisamente que a minha presença seria notada e comentada favoravelmente”.

Não perdia as oportunidades de se fazer mostrar e, para isso, qualquer acontecimento seria de grande utilidade. “Vivam, pois, os enterros!”

Vaidoso ao extremo, reconheceu: “Fui sempre um poço de vaidade. Eu, eu, eis o refrão de minha preciosa vida, e que se ouvia em tudo quanto eu dizia. Só conseguia falar vangloriando-me… Só reconhecia em mim superioridades… Nunca me lembrei senão de mim mesmo.”

Fingia tanto que o seu cartão de visita poderia ser assim sintetizado: “Jean-Baptiste Clamence, ator”.

Sua atuação estendia às mulheres – presas fáceis. Tinha porte físico e inteligência suficiente para conquistá-las. Não lhe faltava charme e poder para seduzir. Considerava as mulheres muito melhores que ele e as colocava numa posição tão alta que se utilizava delas apenas para servi-lo. Qual é o maior de todos os seres senão aquele que serve?

Usava de sensualidade para atraí-las. Só não se metia com as mulheres dos amigos. Antes, terminava a amizade e ficava liberado. Amava-as até o o décimo encontro. Depois, cansava-se com facilidade, pois as companhias, por mais brilhantes que fossem, o oprimia profundamente.

Não as amava, nem lhes era fiel, mas fazia com que elas prometessem que ele seria o único de suas vidas. Afinal, depois dele nenhum outro haveria de existir.

“Uma espécie de pretensão estava, com efeito, tão encarnada em mim que eu tinha dificuldade em imaginar, apesar da evidência, que uma mulher que havia sido minha pudesse alguma vez pertencer a outro”.

Quando uma mulher o abandonou e fez vir à público seu baixo desempenho varonil, ele a reconquistou facilmente e a subjugou, demonstrando que ela não passava de uma mentirosa, caso contrário não estaria novamente com ele prestando-lhe homenagem pelo prazer que a fazia sentir. Depois, esqueceu dela.

Todas as honras, acredita, deviam se voltar a ele. Assim, confessou:

“Portanto, confesso que não conseguia viver, a não ser com a condição de, sobre a terra inteira, todos os seres, ou o maior número possível deles, se voltarem para mim, eternamente disponíveis, privados de vida independente, prontos a atender ao meu chamado, a qualquer momento, fadados, enfim, à esterilidade, até o dia em que dignasse e favorecê-los com a minha luz. Em resumo, para viver feliz, era preciso que os seres que eu elegesse não vivessem. Só deviam receber a vida, uma vez ou outra, a meu bel-prazer”.

Clamence é cônscio do julgamento dos homens, aquele que ocorre todos os dias pelo fato de ser ou deixar de ser alguma coisa. Ou apenas por existir.

“A aparência de sucesso, quando se apresenta de certa maneira, é capaz de irritar um santo”.

Entretanto, conhece e julga a si mesmo e ao fazê-lo estende seu julgamento a todas as demais criaturas.

Ao abandonar o exercício da advocacia em Paris,  transforma-se em juiz-penitente, aquele que se confessa ao mesmo tempo em que acusa. Um juiz que não se revela. Que vive sob o anonimato de um falso nome, num país diverso, e que, talvez, só por isso, tenha tido a coragem de se delatar.

Ele que sempre desprezou os juízes em geral acaba se tornando o mais severo de todos, porque aponta para toda a humanidade. Cabe, pois, a cada um de nós examinar-se a fim de concluir se o julgamento de Clamence é ou não justo.

Clamence narra um episódio em que estava passando por uma ponte e avistou uma mulher sentada e, após caminhar alguns passos, ouviu o barulho de um corpo caindo na água e gritos por socorro. Ele nem se deu ao trabalho de olhar para trás. Afinal, não havia ninguém para vê-lo salvar aquela mulher e, também, a água estava muito fria. Seguiu seu caminho e tomou o cuidado de não abrir os jornais nos próximos dias. Depois disso, a única precaução que tomou foi de não passar por nenhuma ponte no meio da noite.

E quantas vezes dizemos que a água está fria para nos livrarmos de nossas culpas?

Fingia levar a vida a sério, mas reconhece que nunca se preocupou com os assuntos humanos. Admite que só foi verdadeiramente sincero e entusiasta no tempo em que praticava esportes e na tropa, quando representava nas peças, por diversão.

Essa era sua fonte de delícias e nisso não há disfarces, pois “ninguém é hipócrita nos seus prazeres”.

“Ainda agora, as partidas do domingo num estádio superlotado e o teatro, que amei com uma paixão sem igual, são os únicos lugares no mundo em que me sinto inocente”.

Num estádio superlotado, ele é apenas mais um entre tantos e goza do anonimato. E, no teatro, é alguém que não ele mesmo. Por isso, tamanha inocência. O que mostra que ele continua o mesmo. A confissão até pode revelar, mas não implica necessariamente a mudança. Ela não representa em si um esforço para a purificação. Pode-se ter acabado de confessar e, logo após, estender o braço para ajudar um cego a atravessar a rua com intenções escusas.

Toda a sua vida foi uma representação. “Representava o eficiente, o inteligente, o virtuoso, o patriota, o indignado, o indulgente, o solidário, o edificante…” E só quando se sentiu abandonado foi capaz de admitir para si mesmo, não para o público, uma vez que não revelou seu verdadeiro nome, que sua vida não passou de uma farsa.

Por trás das cortinas, se indagava: “Quem sou eu?” E ele mesmo respondia: “Um cidadão-sol quanto ao orgulho, um bode de luxúria, um faraó na cólera, um rei de preguiça”.

Apesar de todo esforço em parecer, Clamence chegou à conclusão de que era em vão o que fazia. Decidiu isolar-se dos homens e refugiar junto às mulheres. “Não será a mulher tudo o que nos resta no paraíso terrestre?”

Também não. Constatou que as mulheres falavam muito de amor; falavam tanto quanto os papagaios. Ocorre que, “depois de ter amado um papagaio, tinha que dormir com uma serpente”.

Então, procurou em outros lugares o amor prometido pelos livros, porém nunca o encontrou. Pudera, também não sabia amar. Passou trinta anos amando a si mesmo e não conseguia perder esse hábito.

Caiu na libertinagem cuja vantagem recaía na desnecessidade de compromisso. Deleitou-se no álcool e com as prostitutas, mas na manhã seguinte sentia na boca o gosto amargo da condição de mortal. Fazia tudo para prolongar a vida, mas sua falsa onipotência se esbarrava no efêmero humano. “Brincamos de ser imortal mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte”.

Sua fraqueza residia em gostar da vida e queria gozá-la sob todas as formas, passando por cima do que e de quem fosse.

Clamence foi perdendo fama e notoriedade, mais por suas provocações de linguagem que por suas libertinagens e orgias noturnas. Afirma ter conhecido o pior dos julgamentos que é o dos homens. Resignado ao tédio tornou-se uma criatura solitária vagando pelas ruas da cidade.

No último capítulo do livro, Clamence nos confessa a respeito de um episódio ocorrido quando se viu prisioneiro num campo de concentração. Como eram vários homens que ali estavam e precisavam lutar por água e comida sentiram necessidade de se organizarem sob a liderança de alguém. Clamence foi o escolhido para ser uma espécie de papa entre os seus, já que o verdadeiro papa se encontrava em seu trono e tão longe da miséria. Conta que roubou água enquanto um daqueles homens agonizava por sentir extrema sede. E justificou seu ato sob o argumento de que ele precisava sobreviver porque em detrimento daquele que morria havia outros que necessitava de sua liderança.

Em Amsterdã passou a viver uma vida simples. Não distribuiu seu dinheiro aos pobres. Deixava todas as portas abertas para que lhe roubassem à vontade, “na esperança de corrigir a injustiça pelo acaso”.

Talvez a maior dificuldade da criatura seja não julgar a si mesma. Talvez o olhar acusatório do outro só nos fere porque pensamos o mesmo a nosso respeito.

Há uma corrente psicológica ou espiritualista, não sei bem ao certo, que diz que ao julgarmos estamos condenando no outro aquilo que existe em nós. Por esse motivo, Clamence “estende a condenação a todos, sem discriminação, para diluí-la desde já”.

Ele não está disposto a absolver ninguém. Nós também não estamos. Somos todos juízes! E simplesmente não há saída, pois sendo estranhas e miseráveis criaturas, pertencemos à mesma raça.

Ninguém fala sobre o preconceito que sofrem as bonitas e gostosas.

Eis o começo desse texto com uma frase que uma bela mulher me disse aos prantos: “Todo mundo fala sobre as mazelas do preconceito contra raças, estrangeiros, homossexuais e mulheres em geral, mas ninguém menciona ou faz alarde com o preconceito que sofrem as mulheres por serem bonitas e gostosas”.

Sei muito bem que é tacitamente proibido adjetivar uma mulher de gostosa, tendo em vista o risco que se corre de estar atribuindo a ela características que podem ser confundidas com aquilo que se come. Ninguém come ninguém (e ponto)

Nem mesmo quando Cazuza cantou que “somos canibais de nós mesmos” ele quis dizer que comemos uns aos outros em seu sentido mais real. Tudo não passa de metáforas. Portanto, o sentido que darei à mulher gostosa nesse texto e contexto é aquele que se aproxima de algo que é bom e prazeroso de ser saboreado. Não com o paladar, mas tão somente com os olhos.

Alguém pode bradar que é ingenuidade de minha parte pensar assim e afirmar que não conheço a cabeça dos homens. Conheço-a muito bem, entretanto não posso controlar o que pensam, assim como eles também não se controlam e não sabem lidar com a chegada triunfal de uma mulher bonita e que, por isso, de imediato, chama a atenção do pequeno e grande público.

Outros se sentiriam no direito de dizer que não há como precisar quem haveria de ser ou não considerada uma mulher bonita, uma vez que o conceito de beleza é muito relativo. Tenta-se relativizar inúmeras coisas para que todos sejam incluídos dentro de um conceito onde não cabe a inclusão de todos. É como dizer, segundo a teoria da relativização, que, apesar de medir 1.49 cm de altura, eu possa ser considerada uma mulher grande, pois ao subir no mais alto patamar de uma escada alcançaria elevadas alturas. Tudo isso para incluir-me na categoria das grandezas a que não pertenço.

Eu poderia elencar vários nomes de mulheres que seriam quase unanimidade naquilo que se chama bonita e gostosa, entretanto não sou tão inocente a ponto de citar pessoas numa época em que o mais despretensioso dos pensamentos vira objeto de resposta e processo, mesmo constituindo uma apologia ao elogio.

Também não citarei o nome da mulher bonita e gostosa que hoje veio me pedir abraço e consolo pelos indícios de injúrias que diz sofrer simplesmente por apresentar atributos tão cobiçados e invejados. E para o delírio de muitas, ela ainda consegue ser bem-humorada, sorridente e alto-astral, o que a meu ver, contribui significativamente para ser por demais atraente. Tem outra coisa que realça muito mais o que ela é – o perfume – grande arma de uma mulher sabedora das intensidades das fragrâncias capazes de conduzir primitivos e experientes a flagrantes e inesquecíveis sensações.

O seu relacionamento com os homens pode ser considerado agradável e estável. Sempre dera-se melhor com eles. Com relação às mulheres não dá para dizer o mesmo. Os olhares delas a fuzilam, ainda que uma minoria, provavelmente dentro daquele grupo das que se sentem tão bonitas quanto ela – beleza é mais uma questão de sentir e não mentir para si sobre o que se sente – ainda que uma minoria (repito) não sinta incômodos  sobre o fato de ela ser quem é.

Parece ser inadmissível que uma mulher bonita e gostosa consiga progressão na carreira por seus próprios méritos. Que dentro de um corpo voluptuoso e com curvas habite um cérebro pensante e capaz de racionalizar atividades criativas, técnicas, gerenciais e administrativas. Que uma mulher que cuide do corpo e se preocupa com o aspecto físico de sua aparência seja intelectual e competente. Bem, aí já é demais para aquelas que se sentem feias e desprovidas de sorte.

Luís Felipe Pondé afirmou que as mulheres feias detestam as bonitas, porque estas lembram àquelas que elas deram azar na vida. Ele ainda diz: “a acusação de que toda mulher bonita seja burra é a esperança das feias, sua pequena vingança contra a beleza que não têm. Não é apenas o homem inseguro que teme a inteligência numa mulher bonita, as feias também temem. Elas, as feias, fica à noite ou pelos cantos do escritório, tramando sobre como jogar sobre a bela e inteligente colega a suspeita de que a inteligência reconhecida no trabalho se deve à cama.”

As mulheres, mesmo muitas daquelas que dizem lutar em defesa de todas as demais mulheres, torcem o nariz para as de sua espécie quando esta rouba a cena. Muitas vezes, porque notam que seus próprios maridos não resistem aos encantos da bonita e gostosa e são capazes de oferecerem lugar para esta enquanto a própria esposa rosna inquieta por estar há mais de uma hora em pé aguardando preferência.

A mulher bonita e gostosa que se destaca na faculdade é porque tem caso com o professor. A que consegue ascensão na empresa é porque deu alguma coisa em troca para o chefe. A que conseguiu enriquecer é porque fingia trabalhar enquanto fazia programa. E se ela se casa e consegue manter a beleza e a sensualidade é porque precisa atrair e agradar seus amantes.

Sempre tive uma tendência a ficar do lado das belas, já que as feias são maioria e há muitos que abraçaram sua causa, ainda que não acredite nela. As bonitas e gostosas são minoria e por isso me compadeço e substabeleço-me como defensora dativa dessa classe tão desprezada.

Provavelmente, elas devem reconhecer isso em mim a quilômetros de distância, pois que me param para exporem as suas dores. Sabem que as entendo. Ou se não sabem, sentem.

Pois a bonita e gostosa que pediu a mim apenas os ouvidos para desabafar e um abraço para acalentar está sofrendo por ter sido agraciada pela deusa da beleza. Que as feias reivindiquem suas quotas de graça a essa mesma divindade ou exijam isso de si mesmas. As bonitas e gostosas são inimputáveis e não PUTÁveis como as feias e os homens desprovidos de chances hão de supor.

Neguem o quanto quiserem, mas a beleza move todos os mundos, inclusive balançou o mundo poético

de Vinícius de Moraes, que escreveu : “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

Um prefácio como nenhum outro.

O prefácio é um texto prévio de apresentação, geralmente sucinto, escrito pelo autor ou por outrem, colocado no início do livro, e tem por finalidade explicar o conteúdo, o objetivo ou a pessoa do escritor.

O livro O avesso e o direito, de Albert Camus, lançado pela Editora Record, contém um dos prefácios mais lindos, cujo texto foi escrito pelo próprio autor e é dotado de uma autenticidade das mais comoventes.

A obra foi escrita quando ele estava com vinte e dois anos de idade e publicada na Argélia, em tiragem bastante reduzida. Camus recusava-se à reimpressão de mais exemplares por considerar que o livro não foi escrito de maneira muito habilidosa. Sua crítica nunca esteve relacionada ao conteúdo, e sim à forma. Tanto é que ele  não renega nada do que escreveu.

Camus foi convencido a reimprimi-lo somente após seus leitores o informarem a respeito da dificuldade em encontrar um exemplar de O avesso e o direito, bem como sobre o preço alto que os livreiros cobravam em decorrência da raridade da edição. Para que todos os interessados tivessem acesso fácil à obra, ele venceu a resistência e decidiu por republicá-la.

O avesso e o direito é a fonte de onde jorrou tudo o que Camus produziu posteriormente. Ele diz “Cada artista conserva dentro de si uma fonte única, que alimenta durante a vida o que ele é e o que diz. (…) sei que minha fonte está em O avesso e o direito.”

Camus cresceu na Argélia, no período em que esse país estava sob domínio francês. Seu pai era um operário de vinha e sua mãe analfabeta. Apesar de ter vivido muito tempo na pobreza, nunca considerou essa condição como uma desgraça. Diz que até suas revoltas foram iluminadas por ela. Revoltas essas destinadas para que todos conseguissem elevar suas vidas apesar das circunstâncias em que viviam.

Ainda que o mundo não possa ser mudado, é possível mudar a vida. Assim, Camus mudou a própria vida ao se tornar artista e talvez a arte o tenha permitido ver beleza em meio às dificuldades decorrentes de sua condição social e por que não do próprio clima cortante da África? O sol escaldante queima, arde e castiga, no entanto ilumina a todos gratuitamente. 

“Eu vivia na adversidade, mas, também, numa espécie de gozo. Sentia em mim forças infinitas: bastava, apenas, encontrar seu ponto de aplicação.” Essas forças foram canalizadas para a escrita, uma das mais primorosas a que tive acesso. Camus escreve de um modo tão peculiar, coerente e expõe o seu pensamento com tanta desenvoltura e inteligência que, ao lê-lo pela primeira vez, tive vontade de me recolher dentro do meu amadorismo e nunca mais escrever uma linha sequer. 

Os maiores problemas enfrentados pelos africanos, diz ele, decorrem menos das condições de natureza, tempo e clima e mais do preconceito e da burrice. A África foi e continua sendo um continente de exploração e de domínio estrangeiro e seu povo sofrido, sempre visto como animais, sujeitos a variados tipos de escravidão. Com uma população composta por mais de 80% de negros, nunca foi difícil enquadrar o seu povo como pertencente à raça inferior.

A pobreza não foi motivo para Camus desenvolver qualquer tipo de inveja. Segundo ele, a imunidade a esse sentimento, o qual considera o câncer das sociedades e da doutrina, deveu-se à educação recebida no seio familiar, onde quase tudo faltava, mas quase nada invejavam.  Ele diz “a pobreza não pressupõe, obrigatoriamente, a inveja.”

“Só pelo seu silêncio, sua reserva, seu orgulho natural e sóbrio, esta família, que não sabia nem mesmo ler, deu-me, então, minhas mais elevadas lições, que perduram até hoje. E, depois, eu estava ocupado demais em sentir para sonhar com outra coisa.”

Diz-se um privilegiado por não saber possuir qualquer tipo de coisa ou bens, uma vez que a posse é um dos meios pelos quais nos privamos da liberdade. “Sou avarento com essa liberdade que desaparece assim que começa o excesso de bens. O maior dos luxos nunca deixou de coincidir, no meu caso, com um certo despojamento. Gosto da casa nua dos árabes ou dos espanhóis.”

“Não invejo nada” – repete. Nem fama, nem dinheiro, nem prêmios, nem glórias.  Muito provavelmente, a proteção à inveja seja proveniente do orgulho e da vaidade a que todo artista está sujeito.

Também não se considera um ressentido, mesmo quando esteve doente. ” (…) conheci o medo e o desânimo, nunca a amargura.”

Camus afirma que suas paixões de homem nunca foram contra e os seres que amou sempre foram maiores e melhores que ele. Era esse amor o responsável por movê-lo em sua profissão, uma vez que a releitura de seus textos nunca lhe deu sequer uma alegria e se diz surpreso do sucesso obtido com alguns de seus livros. 

O contentamento não estava no resultado de seu trabalho, mas no ato da concepção. Assim, afirma:

“O escritor tem, naturalmente, alegrias para as quais vive e que são suficientes para contentá-lo. Mas, para mim eu as encontro no instante da concepção, no instante em que o assunto se revela, em que se delineia a articulação da obra diante da sensibilidade subitamente clarividente, nesses momentos deliciosos em que a imaginação se confunde totalmente com a inteligência.”

Camus era indiferente para com a maioria dos interesses humanos, inclusive ignorava os elogios e as  homenagens. Isso talvez se devesse ao orgulho, que era reconhecidamente uma de suas fraquezas. 

Admitia sentir as alegrias da vaidade como todo artista. “O ofício de escritor, particularmente na sociedade francesa, é, em grande parte, um ofício de vaidade. Eu o digo, aliás, sem desprezo, apenas com pesar. Nesse ponto, sou parecido com os outros; quem pode dizer-se despido dessa ridícula fraqueza?”

Por reconhecer em si mesmo as próprias fraquezas é que conseguiu descrever tão bem as que são inerentes à condição humana e toda a sua obra transita por entre esses sentimentos e emoções que nos ocupam a alma.

Camus era arrebatado pela vida. Tinha desespero e apetite desordenado para viver. Mergulhou numa intensa produção literária, finalizada apenas quando de sua morte, aos quarenta e sete anos, em decorrência de um acidente de carro. 

Para ele “só vivemos verdadeiramente algumas horas de nossa vida”. E essas horas devem ser ocupadas com a beleza do que é visto e palpável e não com abstrações divagatórias de um mundo que jamais nos dará a razão de sua existência. Por que viemos e para onde iremos não importa. Podemos estar diante de um absurdo jamais decifrável, mas a vida se nos apresenta todos os dias com um belo sol que brilha para todos indistintamente e nos trás a oportunidade de vida, sem busca de maiores explicações.

Consciente de que o homem é muito mais movido pela paixão que razão não conseguiu corrigir sua natureza pela moral, ainda que tenha tentado. “O homem me parece, às vezes, uma injustiça em movimento: penso em mim.” 

Camus partia da análise de si mesmo e assim atingia os sentimentos e as emoções do outro. E, por não se afirmar justo, não podia conceber o atributo da justiça aos seus iguais.

Reconhece ter percorrido um longo caminho desde a edição de O avesso e o direito, mas não considera ter progredido tanto. Às vezes, quando pensamos progredir, na verdade, recuamos. 

Declara caminhar com “a mesma leve embriaguez”, passando pelos dias sem esperar nada do amanhã, sem possuir, sem invejar… É o amor pelos seus, pela escrita e pela arte que o move.

Assume sua anarquia profunda e diz ser dotado de desordens, instintos violentos, obscuridades na alma – sentimentos direcionados em favor da edificação de sua arte. 

Sabe-se imperfeito e ao buscar o equilíbrio entre o que é e o que diz, pretende construir a obra de seus sonhos. 

Sua alma clamou por ser artista desde os tempos em que era um pobre menino argelino queimando ao sol. O artista queima para dar luz a si e aos outros. Ele se posiciona em seu próprio centro e precisa manter essa posição mesmo que arda em brasas. A vida de Camus foi incendiada pela beleza da arte e, apesar do sofrimento de um espírito em chamas, declara que sofreria muito mais se sua alma não ardesse.

Esse ardor deve ser homenageado por nós leitores, pois dele nasce toda a produção de Camus, a que temos o prazer de contemplar e permitir também à nossa alma se incendiar por sua instigante e inquietante arte.

Esaú e Jacó, de Machado de Assis.

Esaú e Jacó é o livro de Machado de Assis que conta a história de dois irmãos gêmeos chamados Pedro e Paulo. Machado pretendeu, ao fornecer esse título ao livro, de início, dar pistas ao leitor de como seria a relação entre os irmãos, personagens centrais da obra.

Antes de discorrer sobre os irmãos machadianos, falarei dos irmãos bíblicos, Esaú e Jacó, cuja narrativa está registrada no livro de Gênesis.

Rebeca, esposa de Isaac, cujo pai era Abraão, não podia ter filhos devido à esterilidade. Isaac suplicou ao Senhor para que sua mulher concebesse filho. 

Deus o atendeu e Rebeca engravidou de gêmeos. Eles se chocavam desde o ventre, então Rebeca dirigiu uma consulta ao Senhor, que lhe respondeu: “Duas nações trazes no ventre, dois povos se dividirão em tuas entranhas. Um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais novo”.

Esaú nasceu primeiro que Jacó. Este era pacífico e o preferido da mãe. Aquele, hábil caçador e rude, o protegido do pai. A primogenitura dava direito ao filho de receber a benção paterna. Entretanto, num dia em que Esaú estava com muita fome, ele vendeu a primogenitura a Jacó em troca de comida. Mais que fome de benção, naquele momento Esaú tinha fome de alimento.

Isaac adoece e pede ao filho Esaú que vá atrás de caça para que possa alimentar-se antes de lhe dar a benção. Rebeca escuta a conversa de Isaac e Esaú e, em seguida, pede ao filho Jacó para que mate dois cabritos do rebanho e o auxilia a se passar por Esaú para que receba a benção no lugar do irmão. 

Ao retornar e saber do ocorrido, Esaú odiou Jacó e prometeu matá-lo assim que o pai morresse. Para saber o resto da história, leiam a Bíblia.

Já os gêmeos Pedro e Paulo nasceram de Natividade. Mulher casada com Santos e sempre preocupada com o futuro dos filhos. Tão preocupada que, logo cedo, tratou de consultar uma vidente sobre como seria o futuro dos descendentes. 

Foi informada de que seriam “grandes homens”. E só de pensar nisso Natividade se alegrara, pois grandes homens também são obras de grandes mães.

Natividade percebera uma rivalidade entre os irmãos desde a mais tenra idade. Parece que, como Esaú e Jacó, a desavença começou já no ventre.

Um estudou Direito, o outro medicina. Um em São Paulo, o outro no Rio de Janeiro. 

Uma vez se desentenderam por conta da compra de um quadro. Outra, por posições políticas divergentes. Um era liberal. O outro conservador. Um defendia a Monarquia. O outro, a República.

Unidos pelo mesmo útero, tiveram que conviver por nove meses no mesmo e pequeno espaço. Não tinham escolha. Após, separados pelas diferenças, se não físicas, de ideias, andavam por caminhos opostos sempre que podiam. 

Natividade tentava em vão uni-los. O amor da mãe lhes era comum. Ao contrário de Rebeca que preferia Jacó a Esaú, Natividade demonstrava igual amor aos filhos. Se preferência havia, guardou-a para si por toda a vida. 

Primeiro, unidos pela mesma mãe e, depois, uma mesma mulher por quem os dois se apaixonaram. Os gêmeos se encantaram simultaneamente por Flora, que se encantara de uma só vez pelos dois. O que faltava num ela via no outro. Mais um motivo de disputa, de desavença e desunião entre Esaú e Jacó. Aliás, entre Pedro e Paulo.

Chegaram a concordar em esperar que a moça escolhesse um dos dois. E o perdedor teria que aceitar o resultado. Entretanto, Flora não se decidia. Sofria, entrava em devaneios e até adoecera, mas escolher entre os dois não conseguia. Talvez um terceiro livraria-os e livraria a ela mesma. Mas, terceiro não haveria de existir, pois Flora só mirava em duas direções. 

Se toda opção pressupõe uma renúncia, Flora preferiu a morte a escolher por um. Para ela, melhor pouco que nada não se aplicava. Ou os dois, igualmente grandes, ou a sepultura. Nesse impasse, acabou morrendo. 

No enterro de Flora, os irmãos deram-se as mãos e prometeram se unir. Não durou mais que um mês a promessa. Ao visitarem mais tarde o túmulo da amada, cada qual a sua hora e sem falar um para o outro, acendeu-se um pouco da ira antiga. Ainda que morta, Flora os separava.

Pedro abriu um consultório, Paulo uma banca de advocacia. Porém, a política os chamara, para felicidade da mãe. Ambos foram eleitos deputados. Eleitos para um fazer oposição ao outro. Agora é que não faltariam ocasiões e matérias para divergirem. Mal se podiam ver e ouvir mutuamente.

Como observou o conselheiro Aires, um representava o espírito da conservação, o outro da inquietação.

Natividade adoece e, antes da morte, segura com a mão direita na mão de um filho e com a esquerda na mão do outro. Suplica pela união deles. Ela já havia comentado com Aires que Pedro e Paulo amavam-se nela. Utilizou-se desse amor para fazê-los prometer a concórdia.

Enquanto a perda da mãe estava recente em seus corações, os irmãos conseguiram alguns poucos instantes de paz. Mas, como o tempo é um dragão que devora inclusive as nossas mais dolorosas lembranças, à medida que os dias se passavam e a morte da mãe ia ficando cada vez mais longínqua, os desentendimentos aumentavam.

Uma vez, dentre as muitas conversas que manteve com Aires, Natividade chegou a sugerir que as desavenças entre os filhos tinham como causa a paixão política acesa em ambos. Aires retrucou: “A senhora cuida que a política os desune; francamente, não. A política é um incidente, como a moça Flora foi outro…”

E as reticências indicavam incidentes mais. Teve até quem sugeriu que, agora, era a disputa pela herança da mãe que os fazia brigar. Aires nem se deu ao trabalho de dizer que não era a herança e, refletiu: “Eles são os mesmos, desde o útero”.

Não bastou para os gêmeos desejarem a mesma mulher. Agora, queriam, ambos, a Presidência da República. E, assim como Flora não pudera se dividir para se dar aos dois, a República, monocrática, só admitiria um Presidente. Pedro ou Paulo? Quem há de saber? Talvez só o tempo nos diga.

O Rei Lear, de Shakespeare.

Cheguei a esse livro, como a Hamlet, por meio de uma palestra do historiador Leandro Karnal. O Rei Lear não me surpreendeu mais que Hamlet, apenas deixou-me no mesmo estado de lúcida embriaguez.

Lear, rei da Bretanha, resolveu dividir o reino em três partes, sob alegação de velhice e proximidade de sua morte. Segundo acreditava, essa divisão diminuiria o peso dos anos, livraria-o de todos os encargos, negócios e tarefas, de modo que era preciso confiar o reino à forças mais jovens.

Visto que tinha três filhas, Goneril, Regana e Cordélia, o Rei dirigiu-se a elas: Digam-me, minhas filhas – já que pretendo abdicar de toda autoridade, posses de terras e funções do estado, qual das três poderei afirmar que me tem mais amor, para que minha maior recompensa recaia onde se encontra maior mérito natural.

Queria o Rei que as filhas falassem de seus sentimentos por ele. Mais que de demonstrações por meio de atos, o majestoso desejava palavras, palavras, palavras…

Ao que tudo indicava, os seus muitos anos de vida e de convivência com as descendentes não foram suficientes para observar, em atitudes, a que mais o amava e destinava-lhe maior atenção. Para o Rei, o conceito de amor parecia consistir em ouvir uma sinfonia melodiosa e enganosa, a tal ponto que exigiu de cada filha a confirmação de seus sentimentos por meio da mais convincente oratória.

Goneril, a mais velha, afirmou amá-lo mais do que pudesse exprimir quaisquer discursos. Regana poupou o esforço em tecer diferente afirmação e declarou amá-lo tanto quanto Goneril.

Terminadas as falas das duas primeiras declarantes, chegou a hora de Cordélia enunciar o seu amor. Ela disse: Amo Vossa Majestade como é meu dever, nem mais nem menos.

O Rei pediu para Cordélia melhorar a resposta, sob pena de ter sua herança prejudicada.No entanto, Cordélia insistiu em falar pouco, ao que o pai reagiu: Tão jovem e tão dura?

Cordélia: Tão jovem, meu senhor, e verdadeira.

Diante da sinceridade e franqueza da filha, o Rei Lear decidiu retirar-lhe o dote. Ao vê-la desprovida de herança, o Duque de Borgonha desistiu de se casar com ela, deixando-a livre para que o rei da França a tomasse como esposa por reconhecê-la muito mais valiosa se comparada a um simples dote.

Ao se despedir do pai, Cordélia pediu-lhe perdão por não possuir a arte pérfida e oleosa de falar sem sentir, pois o que sentia fazia sem precisar abrir a boca. O Rei Lear excomungou-lhe: Melhor que não tivesses nascido do que me seres tão desagradável.

Desde as primeiras páginas do livro, associei-me a Cordélia por esta ser sábia, sincera e falar pouco. Sei que o preço a ser pago por dizer certas verdades pode ser a própria vida. Ainda assim, repudio a mentira, a arte da bajulação e da enganação.

Não demorou muito para que Goneril e Regana armassem contra o pai após concretizada a partilha do reino. Com o poder nas mãos, não havia mais motivos para palavras de amor, quanto mais atitudes de consideração.

Goneril falou sobre o pai: É um velho inútil que pretende ainda exercer os poderes que já não lhe pertencem. Por mim, os velhos caducos voltam à infância, merecem repreensões e não carinho quando se vê que erram o caminho.

O Rei Lear começou a se desesperar com os desmandos das duas filhas e desabafou: Mais doloroso do que o dente de uma cobra é ter um filho ingrato.

Era tarde demais para se arrepender. Ao se aconselhar com o Bobo da côrte, este lhe dirigiu essas palavras: Tu não devias ter ficado velho antes de ter ficado sábio.

No meu entender, é justamente o Bobo que faz as melhores reflexões no livro. De que serve a velhice se não para nos trazer pelo menos a sabedoria da experiência dos anos? De que serve a passagem do tempo se não para fazer com que reflitamos antes de agir impensadamente? E, mais uma vez, o Bobo, que de bobo não tinha nada, disparou: Não havia nenhum juízo nessa coroa careca ou não teria doado tua coroa de ouro. Repartiste teu juízo à esquerda e à direita e acabaste ficando sem nada no centro.

A sinceridade do Bobo fez-me lembrar a de Cordélia, a que o Rei não estava acostumado, pois o posto que ocupou durante a vida deve ter-lhe rendido muitas lisonjas falsas e, provavelmente, a verdade não lhe era sequer sussurrada.

O Rei havia se voltado contra a filha mais nova por ter sido verdadeira com ele, mas que faria contra a franqueza do Bobo uma vez que nada mais lhe restava –  nem poder, nem coroa, nem reino?

Agora és apenas um zero à esquerda. Valho mais do que tu; pelo menos sou um Bobo – tu não és coisa nenhuma.

Nesse trecho do livro, desejei ser Boba tantas vezes quantas se fizessem necessárias para falar a mim mesma as verdades que ninguém ousa dizer, por amor, ódio ou indiferença.

O que se passa no decorrer da história, bem como seu final, não será por mim revelado. É preciso ler o livro e tirar as próprias conclusões.

Entretanto, fica o aprendizado do que pode nos ocorrer por excesso de confiança,  de sinceridade, por determos o poder, por sermos velhos sem sermos sábios ou jovens destemidos.

Esse livro trata de relações familiares e de poder, onde existem a traição, a infidelidade, a deslealdade, o desamor, o interesse, a inveja, o orgulho, a maldade e tantos outros sentimentos que nos fere e machuca.

Mas ele também conta a história de uma filha leal e que, como Hamlet, morre em defesa e por amor ao pai. Esse livro nos apresenta o personagem Kent, amigo do Rei até as últimas consequências.Traz um personagem que não sabe mentir num mundo de tanta enganação e que tem de se passar por bobo para poder ser franco.

Ao final da leitura, refleti: caso o Rei Lear tivesse ficado sábio antes de envelhecer não teria sofrido tanto e perdido tudo, inclusive as filhas. Se o Rei tivesse entendido o amor das filhas por meio de ações para com ele não teria acreditado em palavras vazias.

Creio no amor como um verbo e não como um substantivo. O verbo pressupõe uma ação. É na ação que mora o amor. (Até lembrei da fala de Jesus: Eu sou o verbo, como que dizendo “Ajam! Não apenas falem de mim, mas ajam como eu lhes ensinei”.)

Concluo com uma frase de Kent às irmãs Goneril e Regana: Que as vossas ações confirmem os belos discursos – que as palavras de amor gerem atos de amor.

As palavras proferidas pelas duas irmãs não geraram atos de amor para com o pai. Goneril e Regana não ouviram o conselho de Kent. Mas diante da experiência e reflexão sobre esse livro,  atrevo-me humildemente a me passar por Boba e vos aconselhar: Façamos com que as nossas palavras não sejam vãs. Na dúvida entre falar e agir, aja!

O Livro de Eclesiastes (ou O poder político e seus riscos)

Eclesiastes é um dos livros bíblicos que particularmente mais gosto, cuja leitura me recorro frequentemente.

Tenho consciência da necessidade de nos lembrarmos algumas vezes, senão muitas, de que tudo é ilusão e corrida atrás do vento.

Tudo é vaidade. E vaidade tem o significado de vazio (do latim, vanitas). Consciente estou de que toda a minha vaidade se fundamenta no nada.

Explicada a etimologia do termo vaidade, quero abrir um parêntese para pedir que se apeguem ao significado das palavras e, principalmente, às suas origens, pois isso tem muito a nos dizer. Quem sabe num outro texto eu possa explicar isso melhor. Dito isso, avante!

Há muitas passagens desse livro sobre as quais poderia me delongar, mas quero falar tão somente dos versículos que tratam do poder político e de seus riscos.

Diz Eclesiastes: Mais vale um jovem pobre, porém sábio, do que um rei velho, mas insensato e que não aceita mais conselhos. O jovem foi tirado da prisão e tornou-se rei, embora tivesse nascido pobre durante o reinado do outro. Mas observei que todos os vivos, os que caminham debaixo do sol, ficam do lado do jovem, que vem ocupar o lugar do outro. Há sempre numerosa multidão de povo para quem se põe a liderá-la. Entretanto, a geração seguinte já não estará contente com ele. Na verdade, também isso é ilusão e corrida atrás do vento.

O poder é, portanto, uma grande ilusão. Quem hoje apoia um determinado governo, amanhã poderá persegui-lo e voltar-se contra ele. Basta o mínimo de desencanto, sendo assim convém não se iludir.

Esse trecho bíblico me lembra o filme intitulado O Amante da Rainha (baseado em fatos reais). A história se passa no Reino da Dinamarca.

O Rei Cristiano VII, mentalmente doente, resolve selecionar, dentre tantos, um médico para acompanhá-lo em suas andanças.

Escolhe Johann Struensee. Este, além de inspirar a confiança do rei, desperta o amor da rainha, Carolina Matilde da Grã-Bretanha, totalmente infeliz em seu casamento. Johann e Carolina tornam-se amantes.

O Rei Cristiano VII, alheio à traição, promove Johann a ministro de seu governo e, depois, regente do reino da Dinamarca.

Johann é um liberal progressista e acaba por convencer o rei acerca da necessidade de promover reformas sociais. O povo, que até então estava submetido a uma situação de extrema miséria, passa a gozar de alguns direitos e vai ao delírio. Por consequência, Johann, que subira ao posto de amante da rainha, passa também ao de amado pelo povo.

A concessão de tantos direitos outrora negados aumenta os gastos do Estado. Alguém tem que pagar a conta. É hora de aumentar os impostos. O povo novamente vai ao delírio. Mexer no bolso, órgão vital do cidadão, é chamá-lo para a guerra (ou para as manifestações) – não sem razão. E assim fizeram.

Sem querer contar todo o filme para que aqueles que se interessarem não percam a vontade de assisti-lo, limito-me a dizer que, após os aumentos dos impostos, o povo que amava Johann foi o mesmo que passou a odiá-lo.

A profecia de Eclesiastes se cumprira e a multidão não estava mais contente com Johann nem com o Reino da Dinamarca. A euforia com esse governante não passou de ilusão.

E o que dizer do ex-presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva? Amado e odiado pelo povo. Aclamado e preso pelo mesmo fervor popular.

E o atual presidente que, após vencer as eleições, deixou de ser um deputado isolado no Parlamento para se transformar num mito, rodeado de bajuladores do poder?

Se pudesse aconselhá-lo, diria-lhe: leia e reflita sobre os ensinamentos de Eclesiastes e não se deixe enganar, pois tudo não passa de ilusão.

E o que dizer a você que me lê? Não digo, mas imploro: recorra frequentemente ao livro de Eclesiastes. Leia-o, reflita e, sobretudo, não se esqueça nunca: TUDO É ILUSÃO E CORRIDA ATRÁS DO VENTO!

Competição entre mães.

Enquanto a manicure cuidava de minhas unhas, meus ouvidos estavam atentos para a conversa daquelas cinco mulheres que não paravam de falar um minuto sequer. Percebi, de imediato, que o assunto girava em torno de seus filhos. Todas eram mães. 

Uma das profissionais do salão, inclusive, voltara ao trabalho para onde também levava sua bebê de apenas um mês. Provavelmente, a necessidade a obrigara proceder de tal forma.

Quando a nenê resmungava ou chorava passava de mãos em mãos das colegas que ajudavam a mãe enquanto esta cuidava das unhas das clientes. Entre um serviço e outro, amamentava e, sem descanso, voltava às atividades. 

Num dos instantes em que a criança começou a chorar, uma cliente compreensiva disse à mãe: Se precisar parar um pouco para ver sua filha, fique à vontade. Ela respondeu: Está em boas mãos. Eram as mãos de uma colega que acabava de descer as escadas com a menina no colo para trocar-lhe a frauda. Essa mesma mãe tinha mais dois filhos adolescentes que moravam com o pai.

Uma das que integravam a roda das mulheres disse ter quatro filhos, outra três, outra dois e outra um. Uma delas me perguntou: E você tem quantos?

Nenhum – respondi para zerar a conta.

Logo depois, essas mulheres começaram a disputar qual delas era a melhor mãe, por meio da exposição dos comportamentos de seus filhos e descrição de seus feitos desde o nascimento até o presente momento.

Tratavam-se de crianças tão perfeitas, inteligentes e prodigiosas que, se Maria, mãe de Jesus, estivesse participando da conversa, ficaria em dúvida se realmente fora o seu filho o enviado por Deus para salvar a humanidade.

Assim também costuma acontecer quando algumas famílias se reúnem. As conversas entre as mães costumam girar em torno de seus filhos. E a competição se mostra tão acirrada para provar qual é a melhor das crias que fico encabulada a ponto de imaginar por que, em meio a tantos Cristos, não estamos no melhor dos mundos nem a humanidade ainda foi salva.

Erga a cabeça, estufe o peito e permaneça ereto.

Havia um fenômeno que ocorria com certas meninas no começo da adolescência, o qual consistia no encurvamento das costas no momento em que se percebia o nascimento dos seios. Minha mãe sempre dizia: Fulana está ficando corcunda. E me alertava: Filha, estufe o peito.

Para mim, manter uma postura ereta não representava incômodo algum e fazia parte de uma ousadia que me era nata. O nascimento dos seios não me causava nenhuma espécie de vergonha, uma vez que fazia parte de um processo natural que ocorre com todas as mulheres. Essa sensibilidade para captar o natural sempre foi em mim bastante aguçada. É natural um homem se unir a uma mulher, é natural o acasalamento do macho e da fêmea, o nascimento dos filhos como o dos bezerros ou dos demais bichos. O que é comum e recorrente não precisa de delongas.

Na adolescência, ainda não era possível entender que a postura física exigida pela minha mãe teria um impacto altamente significativo na maneira como eu encararia os fatos da vida. Mas, adulta, consigo perceber que, ao manter a cabeça erguida, o peito estufado e o corpo ereto, uma pessoa sinaliza que está pronta para encarar a vida como ela é, sem se esquivar de suas responsabilidades e muito menos sem vitimizações ou lamentações que não levam alguém a sair do lugar onde está.

Quase toda pessoa lamuriosa, queixosa, cheia de complexos de inferioridade ou inapta para a autorresponsabilidade tem uma característica física comum que é o encurvamento das costas. Parece que, além de carregar suas próprias dores, se dispôs a carregar as dores do mundo, de modo que o peso a encolhe tanto a ponto de colocar as mãos no chão e voltar a ser um quadrúpede ou um feto sedento por voltar ao útero da mãe.

As mulheres muito altas geralmente curvam os ombros como forma de diminuírem e ficarem mais parecidas com as outras de menor estatura, que são maioria. O mesmo acontece com os homens mais baixos. É comum vê-los encolhidos como para se esconderem da vergonha de não possuírem a altura média que os homens costumam ter. Isso demonstra um sentimento de inferioridade por serem de um jeito ou de outro, às vezes manifestado de forma inconsciente, mas que diz muito sobre alguém, pois a postura de uma pessoa delata a forma como ela se sente e encara a vida.

Muitos costumam se desculpar e alegam problemas ou dores de coluna ou qualquer coisa que os impedem de se reerguerem. A verdade é que isso não passa de justificativas para não assumirem o ônus da autorresponsabilidade ou até mesmo pode residir no desconhecimento de suas causas. E como a ignorância nos rouba a consciência, permanecemos de olhos vendados para a origem de nossos problemas ou sintomas.

No primeiro capítulo do livro 12 regras para a vida, de Jordan B. Peterson, ele discorre sobre a importância de se manter as costas eretas e os ombros para trás. A fim de ilustrar sua tese, descreve o comportamento das lagostas que saem vitoriosas e das que saem derrotadas na busca pela sobrevivência. As ganhadoras mantêm a coragem e a confiança, manifestadas por meio de uma postura firme e pomposa. Já as que saem derrotadas contorcem o corpo e procuram um lugar bem ermo e afastado onde possam esconder.

Jordan diz: É por isso que quando somos derrotados agimos como aquela lagosta que perdeu a batalha. Nossa postura se inclina. Ficamos com o rosto voltado para o chão. Sentimo-nos ameaçados, machucados, ansiosos e fracos. Se as coisas não melhorarem, tornamo-nos cronicamente deprimidos. Sob tais condições, não conseguimos aguentar as lutas impostas pela vida com facilidade e nos tornamos alvos fáceis para os bullies de casca grossa.

Geralmente, as crianças que sofrem bullying continuam sendo massacradas, porque ao invés de darem respostas às brincadeiras ou crueldades dos colegas, elas se curvam e saem de cena, no entanto alimentam os sentimentos de fracasso e ressentimento em silêncio, que mais tarde podem vir a ser exteriorizados de diversas formas. É preciso ensiná-las a enfrentar os ataques. E não estou falando de violência, mas tão somente de postura.

J. Peterson continua: Se sua postura for ruim, por exemplo – costas curvadas, ombros caídos, peito para dentro e cabeça para baixo, parecendo pequeno, derrotado e incapaz (protegido, em teoria, de um ataque pelas costas) – , você vai se sentir pequeno, derrotado e incapaz. As pessoas, assim como as lagostas, medem-se em parte por consequência da postura. Se você apresentar como derrotado, as pessoas vão reagir a você como se fosse um perdedor. Se começar a se alinhar, elas o olharão e tratarão de forma diferente.

Lembro-me de minha avó paterna, aos 73 anos, em pé ou sentada, com uma postura extremamente ereta, cabeça erguida e olhar fixo. Venceu a pobreza, criou oito filhos com muita dificuldade e quando morreu só lhe restava uma descendente. Sobreviveu à morte de sete filhos sem curvar nem mesmo as costas. A sua postura física e psicológica sempre foi de enfrentamento, coragem e ela dizia: Quem muito se abaixa mostra o fundo das calças.”Talvez, por isso, sempre fez questão de manter-se ereta.

Levantar a cabeça fisicamente, diz Jordan, também significa, evoca e demanda erguê-la metafisicamente. Ele acrescenta que essa atitude postural significa a aceitação da terrível responsabilidade da vida de olhos bem abertos. Significa decidir voluntariamente transformar o caos do potencial em realidades da ordem habitável. Significa receber o fardo da vulnerabilidade da autoconsciência e aceitar o fim do paraíso inconsciente da infância, em que a finitude e a mortalidade são apenas vagamente preenchidas. Significa realizar, voluntariamente, os sacrifícios necessários para gerar uma realidade produtiva e relevante.

O mais alto grau da evolução do homem mostra o sapiens totalmente ereto, de pé e erguido. Uma postura ereta talvez seja um dos traços que evidencie o quanto um ser está evoluído no entendimento e na aceitação de questões que envolvem a essência da natureza humana.

Portanto, preste atenção em sua postura. Pare de se curvar, se entortar e se arrastar. Levante a cabeça, mantenha as costas eretas e os ombros para trás.

E ouso dizer: caminhe sempre para frente e esqueça de uma vez por todas sua primitiva condição de australophitecus.

Os segredos da mente milionária, de T. Harv Eker.

O ano de 2019 se inicia e procurei me dedicar bastante à leitura desse livro, com a finalidade de propor mudança e transformação na vida de todos os meus leitores.

Então: Não importa onde você está agora, o essencial é que esteja disposto a aprender. É com essa frase, inscrita nesse livro, que quero começar a falar sobre Os Segredos da Mente Milionária, obra escrita por alguém que já esteve na ‘pindaíba’, perdeu milhões de dólares, mas acreditou que poderia dar a volta por cima e assim o fez, tornando-se um milionário.

A maioria das pessoas não sabe lidar com dinheiro, ou melhor, não sabe administrá-lo, e as causas para essa realidade são as mais variadas, desde o modelo financeiro adotado pelos pais até problemas emocionais que culminam em total descontrole das finanças.

Se nossa vida financeira não está indo bem, precisamos fazer um rigoroso exame de consciência, analisar nossos pensamentos, sentimentos, comportamentos e reprogramá-los para que novas situações aconteçam, de maneira mais focada, comprometida e satisfatória.

Se as coisas não estão indo como você gostaria, isso quer dizer apenas que há algo que você não sabe. Portanto, um dos fatores mais importantes no processo de mudança é buscar ajuda ou conselho daqueles que mais entendem do negócio e estão dispostos a transferir seus conhecimentos, quer de forma gratuita ou mediante pagamento.

 O primeiro passo para a mudança é a conscientização, ou seja, ter consciência que algo precisa ser mudado para que novos resultados sejam alcançados. O modo de pensar determina as ações dos indivíduos e, consequentemente, os seus resultados.

Caso deseje enriquecer, tudo o que precisa fazer é copiar o modo de pensar dos ricos. Sendo assim, precisamos mudar a nossa maneira de pensar como primeiro passo para concretizar aquilo que tanto queremos, mas que ainda não conseguimos.

Se você quer passar para um nível de vida mais elevado, tem que estar disposto a abrir mão de alguns dos seus velhos modos de ser e pensar e adotar novas opções. No fim, os resultados falarão por si mesmos.

Lembremos que, antes de uma árvore gerar frutos, ela era apenas uma semente. O processo que vai do plantio à colheita não ocorre da noite para o dia. É preciso regar, cuidar, esperar o crescimento, o amadurecimento e, só depois, os seus frutos. Muitos atos desse processo ocorrem invisivelmente. Não vemos, por exemplo, o enraizamento, mas ele está acontecendo. Sem raízes, sem frutos. As coisas que não vemos são muito mais poderosas do que as que vemos, ou como disse o Pequeno Príncipe: O essencial é invisível aos olhos.

O mundo físico é o visível, o palpável, o que nossos olhos conseguem enxergar a olho nu e cru. Existem, entretanto, mais três mundos, todos invisíveis, contudo não menos importantes, posto que essenciais: os mundos mental, emocional e espiritual. O mundo físico é apenas a “impressão”dos outros três. O caos em quaisquer dos mundos invisíveis, isolado ou cumulativamente, acarretará o caos no mundo físico, pois há entre eles interdependência.

É muito importante saber qual modelo financeiro temos presente em nossa cabeça. Caso sua vida financeira vai de mal a pior, um novo modelo deve ser adotado; uma nova programação se faz necessária.

A sua programação conduz a seus pensamentos; os seus pensamentos conduzem aos seus sentimentos; os seus sentimentos conduzem às suas ações; as suas ações conduzem aos seus resultados.

A mudança de programação, como todas as outras, passa pelos episódios de conscientização, entendimento, dissociação e recondicionamento.

Se você é daqueles que ignora o problema, não mudará. Você não pode modificar uma coisa cuja existência ignora. A conscientização é o conhecimento e a aceitação de que algo que precisa ser modificado.

Também é preciso ter entendimento, porque é necessário compreender a origem do “modo de pensar” que te sabota. A dissociação é a opção de manter ou largar um pensamento, comportamento ou hábito. O recondicionamento é passar a pensar de modo diferente para agir e obter resultados diferentes dos atuais.

Consegue perceber que tem a opção de ser diferente agora?

Adquirindo consciência, você poderá viver do que é hoje em vez do que foi ontem; conseguirá reagir apropriadamente às situações que se apresentam, fazendo uso de toda a gama e de todo o potencial das suas qualificações e dos seus talentos em vez de reagir de forma inadequada aos acontecimentos, impelido por medos e inseguranças do passado.

Portanto, se o que quer é mudar, faz-se necessário seguir os quatro episódios já citados. Sigamos em frente!

Os princípios de riqueza dispostos no primeiro capítulo, O seu modelo de dinheiro, são:

1. Os seus rendimentos crescem na mesma medida em que você cresce;

2. Se você quer mudar os frutos, primeiro tem que trocar as raízes – quando deseja alterar o que está visível, antes deve modificar o que está invisível.

3. Dinheiro é resultado, riqueza é resultado, saúde é resultado, doença é resultado, o seu peso é resultado. Vivemos num mundo de causa e efeito.

4. Em cinco minutos posso prever o futuro financeiro que você terá pelo resto da sua vida (isso depende do modelo financeiro que você adota);

5. Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados.

5. Quando o subconsciente tem que optar entre a lógica e as emoções profundamente enraizadas, as emoções quase sempre vencem. (Imagine todas as compras que já fez por impulso.)

6. A sua razão ou motivação para enriquecer ou fazer sucesso é crucial. Se ela possui raiz negativa, como o medo, a raiva ou a necessidade de provar algo a si mesmo, o dinheiro nunca lhe trará felicidade.

7. A única maneira de mudar permanentemente a temperatura da sala é “zerar” o termostato. De modo semelhante, a única maneira de modificar permanentemente o seu nível de sucesso financeiro é zerar o seu termostato financeiro, também conhecido como modelo de dinheiro.

8. A consciência observa os nossos pensamentos e as nossas ações para que vivamos das escolhas verdadeiras feitas no momento presente em lugar de sermos governados por uma programação proveniente do passado.

Esses princípios de riqueza devem ser constantemente revisados para que sejam mantidos frescos em sua memória. Lembrem-se: A repetição é a mãe do aprendizado.

A parte dois do livro trata dos arquivos de riqueza, consubstanciados em dezessete modos de pensar e agir que distinguem os ricos das outras pessoas. Você pode optar por maneiras de pensar favoráveis à sua felicidade e ao seu sucesso e deixar de lado as formas negativas.

Toda ação que conduz à riqueza é precedida de um modo de pensar que segue essa mesma direção.

Os arquivos de riqueza são hábitos mentais que podem ou não vir a ser concretizados, dependendo da sua disposição e comprometimento em colocá-los em execução. Somos criaturas de hábitos. Existem dois tipos de hábitos: os de fazer e os de não fazer. Tudo o que você não está fazendo neste momento você tem o hábito de não fazer. A única maneira de mudar isso é fazer.

Sendo assim, está sob suas mãos seguir ou não os arquivos de riqueza dispostos nesse livro e que serão agora elencados.


ARQUIVO DE RIQUEZA 1

As pessoas ricas acreditam na seguinte ideia: “Eu crio a minha própria vida.

As pessoas de mentalidade pobre acreditam na seguinte ideia: Na minha vida, as coisas acontecem.


Refere-se ao senso de autorresponsabilidade.

Você precisa acreditar que é você mesmo quem conquista o seu próprio êxito, que é você mesmo que promove a sua própria mediocridade e que é você mesmo quem estabelece a sua própria batalha pelo dinheiro e pelo sucesso. Consciente ou inconscientemente, SEMPRE SE TRATA DE VOCÊ.

As pessoas de mentalidade pobre preferem se fazer de vítimas. Como as vítimas agem?

1. culpa sempre os outros;

2. sempre estão se justificando;

3. vive se queixando.

Você tem que fazer questão absoluta de não ficar na companhia de pessoas que vivem reclamando.

Aproveito e proponho um desafio: tente não reclamar de nada pelos próximos dias.

As vítimas se põem nesse papel para terem apenas uma coisa: atenção. É praticamente impossível ser feliz e bem-sucedido quando se está o tempo todo precisando de atenção.

Caso você se perceba com o comportamento vitimista, abandone-o o mais breve possível ou nunca enriquecerá de verdade.


ARQUIVO DE RIQUEZA 2

As pessoas ricas entram no jogo do dinheiro para ganhar. As pessoas de mentalidade pobre entram no jogo do dinheiro para não perder.


A meta das pessoas verdadeiramente ricas é ter grande fortuna e abundância.

Só conseguimos aquilo que verdadeiramente almejamos.


ARQUIVO DE RIQUEZA 3


As pessoas ricas assumem o compromisso de serem ricas. As pessoas de mentalidade pobre gostariam de ser ricas.

Comprometimento significa agir em prol de algo que se quer. Comprometer-se pressupõe dedicar-se sem restrições. Ter disposição para fazer o que for necessário durante o tempo que for preciso. Nenhuma desculpa, nenhum se, nenhum mas, nenhum talvez – e o fracasso não é uma opção.

Agora, pergunto: você ao menos sabe o que quer? Sabê-lo é de extrema importância, pois: O principal motivo que impede a maioria das pessoas de conseguir o que quer é não saber o que quer.

Autoconhecimento é a chave para obter essa resposta. Mas, tenha em mente que só o querer não basta. É preciso agir em prol de…

Tenha foco, coragem, conhecimento, especialização, dedicação, atitude de não desistir jamais e programação mental condizente com o resultado que almeja.

ARQUIVO DE RIQUEZA 4

As pessoas ricas pensam grande. As pessoas de mentalidade pobre pensam pequeno.

Eu ouso dizer: há pessoas de mentalidade muito pobre que sequer pensam. É com conhecimento de causa que afirmo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 5

As pessoas ricas focalizam oportunidades. As pessoas de mentalidade pobre focalizam obstáculos.

ARQUIVO DE RIQUEZA 6

As pessoas ricas admiram outros indivíduos ricos e bem-sucedidos. As pessoas de mentalidade pobre guardam ressentimento de quem é rico e bem-sucedido.

Digo que, além do ressentimento, as pessoas de mentalidade pobre nutrem a inveja por quem é bem-sucedido. A inveja é um sentimento negativo, mas pode ser vista, por outro lado, como uma oportunidade de autoconhecimento, pois ela pode nos indicar no outro aquilo que nos falta. Sabendo o que nos falta, podemos ir à luta para conseguirmos alcançar.

A inveja e o ressentimento devem ser reconhecidos assim que sentidos, consequentemente, rechaçados pois é importante reconhecer pensamentos que não fortalecem nem você mesmo nem os outros e mudar o foco para pensamentos mais positivos.

Somos criaturas de hábitos. Pensar negativamente pode tornar-se um hábito e para superá-lo precisamos praticar. Em vez da inveja e do ressentimento, a admiração, o amor e a benção destinados aos que têm sucesso, dinheiro e prosperidade.

“Abençoe aquilo que você quer. Se de algum modo você se ressente do que as pessoas possuem, nunca poderá tê-lo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 7

As pessoas ricas buscam a companhia de indivíduos positivos e bem-sucedidos. As pessoas de mentalidade pobre buscam a companhia de indivíduos negativos e fracassados.

Portanto, busque a companhia de pessoas que são exemplos naquilo que você almeja. Não perca tempo tentando mudar pessoas negativas. Não é sua obrigação. O seu dever é usar o que aprendeu para melhorar a si mesmo e a sua vida.

Livre-se das pessoas negativas, pois é muito mais difícil ser positivo e consciente ao lado de pessoas e circunstâncias negativas.

Pratique reenquadrar a negatividade alheia para se recordar de como não deve pensar e agir.

Não as julgue, não as critique nem as menospreze. Aprenda com elas a não serem como elas.

Cada qual com seu igual. Não abra mão de evitar situações destrutivas. Não há motivo para se deixar envenenar por uma energia prejudicial: discutir, fofocar e falar pelas costas são ações mesquinhas e totalmente autodestrutivas.

ARQUIVO DE RIQUEZA 8

As pessoas ricas gostam de se promover. As pessoas de mentalidade pobre não apreciam vendas nem autopromoção.

Logo, promova o seu valor com paixão e entusiasmo. Nada de falsa modéstia. Se você é bom naquilo que faz trate de mostrar isso.

ARQUIVO DE RIQUEZA 9

,As pessoas ricas são maiores do que seus problemas. As pessoas de mentalidade pobre são menores que os seus problemas.

O segredo do sucesso não é tentar evitar os problemas nem se esquivar ou se livrar deles, mas crescer pessoalmente para se tornar maior do que qualquer adversidade.

Enquanto você respirar, sempre estará diante dos chamados problemas e obstáculos da vida. O tamanho do problema nunca é a questão principal – o que importa é o seu próprio tamanho.

Procure o seu crescimento mental, espiritual e emocional para melhor enfrentar os obstáculos que vierem a surgir em sua vida. O seu mundo exterior é um simples reflexo do seu mundo interior. Caso queira fazer uma mudança permanente, redirecione o foco: do tamanho dos seus problemas para o tamanho da sua pessoa.

Se você tem um grande problema, isso quer dizer apenas que está sendo uma pessoa pequena.

Ao invés de se lamuriar por causa da dificuldade, trabalhe para saná-la.

As pessoas fracassadas e de mentalidade pobre são orientadas para os problemas. Perdem tempo e energia praguejando e se queixando e raramente encontram soluções criativas para amenizar a dificuldade, muito menos para que ela não volte a surgir.

Seja maior que seus problemas, pois o guerreiro é aquele que conquista e vence a si mesmo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 10

As pessoas ricas são excelentes recebedoras. As pessoas de mentalidade pobre são péssimas recebedoras.

Já ouviu pessoas que, ao serem elogiadas, respondem: Não, eu não sou tudo isso; São seus olhos; Eu não mereço; Você está sendo gentil, e por aí vai? Pois é, são pessoas que não sabem receber.

E aquelas que ganham um presente e acham que tem a obrigação de retribuir com outro, inclusive de valor semelhante? Também são pessoas que não sabem receber.

Quando ganhar um elogio ou presente, responda apenas “obrigado”. Dê ao outro a alegria de doar, sem colocações desnecessárias. Aquele que não se dispõe a receber “rouba” quem quer lhe dar algo.

Se você diz que é merecedor, então é. Se diz que  não é, então não é. Em qualquer hipótese, você viverá a sua própria história. É simples assim.

Um dos princípios de riqueza é para todo doador tem que haver um recebedor; para todo recebedor tem que haver um doador.

ARQUIVO DE RIQUEZA 11

As pessoas ricas preferem ser remuneradas por seus resultados. As pessoas de mentalidade pobre preferem ser remuneradas pelo tempo que despendem.

Não há nada errado em ter um contracheque estável, a não ser que ele interfira na capacidade que você possui de ganhar o que merece. É nesse ponto que está o problema: ele geralmente interfere.

Nem preciso dizer, mas já digo, que para os funcionários públicos a efetivação desse princípio de riqueza se mostra mais difícil de ser colocada em prática. Que tal, nesse caso, encontrar uma segunda fonte de rendimentos?  É uma opção.

ARQUIVO DE RIQUEZA 12

As pessoas ricas pensam: “Posso ter as duas coisas.” As pessoas de mentalidade pobre pensam: “Posso ter uma coisa ou outra.

É possível ser rico e feliz ao mesmo tempo? Sim. Não é o dinheiro que traz infelicidade. É o mal uso dele. 

O dinheiro é um lubrificante. Ele lhe permite “deslizar” pela vida, em vez de “se arrastar” por ela. Proporciona liberdade – para você comprar o que desejar e fazer o que quiser do seu próprio tempo. Com ele você tem condições de desfrutar o que há de melhor e também a oportunidade de ajudar outras pessoas a satisfazer as suas necessidades básicas. Acima de tudo, ser rico faz com que você não precise gastar a sua energia se preocupando com a falta de dinheiro.

ARQUIVO DE RIQUEZA 13

As pessoas ricas focalizam o seu patrimônio líquido. As pessoas de mentalidade pobre focalizam o seu rendimento mensal.

Não importa quanto você ganha, mas quanto você poupa ou investe. Já ouviu a frase que diz: a riqueza de uma pessoa não é medida pelo quanto ela ganha, mas pelo tanto que ela gasta

Essa frase me ensinou muito. Se ganho 20 mil por mês e gasto os 20 mil não sou mais rica do que quem ganha 800 reais mensais e guarda 100. Pelo contrário, quem ganha esses 800 tem mentalidade de rico e, provavelmente, está financeiramente muito melhor.

A verdadeira medida de riqueza é o patrimônio líquido e não os os rendimentos.

Como construir seu patrimônio líquido? 

1. Rendimentos;

2. Poupança;

3. Investimentos;

4. Simplificação.

Você precisa ter uma fonte de rendimento. O rendimento pode ser ativo ou passivo. Rendimento ativo é o dinheiro que você ganha pelo seu trabalho: o seu salário ou, sendo empresário, a renda ou os lucros de seu próprio negócio.

Quanto maior o seu rendimento ativo, mais poderá poupar e investir. Na falta de rendimento ativo  é quase impossível poupar, investir e simplificar.

Já o rendimento passivo é aquele dinheiro que você recebe sem trabalhar ativamente. Exemplo: aluguéis.

Poupar também é indispensável. Se você ganhar rios de dinheiro e não conservar nenhum, não fará fortuna. Muita gente tem um modelo de dinheiro programado para gastar – quanto mais ganha, mais gasta.

Caso esteja gastando o que tem e o que não tem você está preparando a sua ruína, se é que já não está arruinado. Mas não importa onde você está, o importante é a conscientização e disposição para mudar tudo o que foi e fez até agora. Portanto, comece a poupar desde já pelo menos 10 porcento de seus rendimentos. Pode ser mais, porém não menos. Sem rendimentos para encher o funil financeiro e sem poupança para conservá-lo, é impossível passar ao próximo fator do patrimônio líquido, ou seja, investimento.

Para que investir?  Para fazer o seu montante de dinheiro aumentar. Quanto melhores os investimentos, mais rápido o dinheiro cresce e mais patrimônio líquido ele proporciona.

As pessoas ricas despendem tempo e energia aprendendo a investir e têm orgulho de ser excelentes investidoras ou, pelo menos, de contratar ótimos profissionais para executar essa tarefa por elas.

Estude, pesquise ou contrate pessoas que possam ajudar você a encontrar as melhores maneiras de investir o seu sagrado dinheiro.

O quarto fator do patrimônio é a simplificação. Ela caminha lado a lado com a poupança e requer o estabelecimento consciente de um estilo de vida em que você dependa de menos dinheiro.

Se estiver disposto a reduzir seu custo de vida, sua poupança aumentará e você terá mais dinheiro para investir.

Muitas vezes, conquistar a liberdade financeira não está relacionada a ganhar toneladas de dinheiro, mas reduzir de forma consciente as despesas pessoais.

Cuide do seu dinheiro e verá ele crescer. Tudo aquilo que você cuida cresce. Dê atenção a ele, pois é onde a atenção está que a energia flui e o resultado aparece.

Simplifique dessa forma: aumente seus rendimentos, engorde a sua poupança, eleve o retorno dos seus investimentos e diminua os gastos pessoais. Não esqueça da lei do foco: tudo aquilo que você cuida cresce.

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As pessoas ricas administram bem o seu dinheiro. As pessoas de mentalidade pobre administram mal o seu dinheiro.

Ouso dizer que há as pessoas de mentalidade muito pobre que sequer administram mal, apenas não administram.

O que distingue o sucesso do fracasso financeiro é a capacidade que a pessoa tem de administrar o próprio dinheiro. É simples: para controlar o dinheiro, é necessário administrá-lo.

E, caso não esteja disposto a controlá-lo, o dinheiro controlará você.

Primeiro, você administra corretamente seu dinheiro para, depois, ter mais recursos financeiros para gerir.

Você não terá mais até provar que é capaz de lidar com o que já possui. Antes de gerir uma grande fortuna, você precisa adquirir o hábito e a capacidade de administrar pouco dinheiro. Somos criaturas de hábitos. O hábito de administrar o dinheiro é mais importante do que a quantidade de dinheiro que você tem.

Como você deve administrar o seu dinheiro? 

1. Abra uma conta bancária e batize-a de Conta da Liberdade Financeira. Deposite 10% nela de cada real que receber. A finalidade dessa conta é gerar uma galinha que ponha ovos de ouro chamados rendimentos passivos. E quando é que você vai começar a gastar esse dinheiro?  NUNCA! JAMAIS!

Não importa se você tem uma fortuna ou praticamente nada. O essencial é começar já a administrar o que está nas suas mãos. Em pouco tempo, você ficará impressionado com os resultados.

Milagres financeiros acontecerão se você demonstrar que é capaz de controlar adequadamente as suas finanças.

O valor não importa. O hábito sim. O segredo é dar atenção diária ao seu objetivo de se tornar financeiramente livre.

2. Crie a Conta da Diversão e deposite nela 10% dos seus rendimentos. Não vale a pena economizar ao extremo e ficar insatisfeito espiritualmente. A chave para o sucesso é o equilíbrio. Satisfaça seu espírito e suas emoções com a conta da diversão, pois uma pessoa insatisfeita, mesmo com dinheiro guardado, não terá prosperidade. Também, o sentimento de culpa leva uma pessoa a gastar ainda mais como forma de expressar suas emoções. 

O autor aconselha a criação de mais essas quatro contas:

10% para a Conta de Poupança para Despesas de Longo Prazo;

10% para a Conta da Instrução Financeira;

50% para a Conta das Necessidades Básicas;

10% para a Conta das Doações.

Isso é apenas uma SUGESTÃO. Você deve adequar os princípios à sua realidade, contanto que não use sua realidade como desculpa para não construir o seu patrimônio e a sua prosperidade. Para reforçar: não se trata de quanto dinheiro entra, e sim do que a pessoa faz com ele. Logo, faça com o seu dinheiro a coisa certa.

Agora é só aguardar a chegada do seu pagamento para depositá-lo nas contas. Lembre-se do princípio que já falei quando escrevi sobre o livro O homem mais rico da Babilônia: “Pague-se primeiro.”

Quando você aprender a colocar as suas finanças sob controle, todos os setores da sua vida andarão bem.

Independentemente de quanto dinheiro você possui, comece a administrá-lo agora.

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As pessoas ricas põem o seu dinheiro para dar duro para elas. As pessoas de mentalidade pobre dão duro pelo seu dinheiro.

 Em vez de dar duro pelo dinheiro, aja de forma inteligente para que o dinheiro trabalhe para você.

A meta é tornar-se financeiramente livre tão rápido quanto possível.

Herv Eker define liberdade financeira como a capacidade de viver o estilo de vida que você deseja sem precisar trabalhar nem depender do dinheiro de alguém.

Você se torna financeiramente livre quando o seu rendimento passivo excede suas despesas.

E o que é preciso fazer para isso: INVESTIR. Se a pessoa não montar o seu próprio cavalo de investimento bem cedo e cavalgar excepcionalmente bem, ficará presa na armadilha de precisar trabalhar para sempre.

As pessoas ricas equilibram os seus gastos e prazeres de hoje com os investimentos necessários para a liberdade financeira.

Para aumentar a sua riqueza futura, você terá que ou ganhar mais ou gastar menos. Decida-se!

Por que compramos tantas coisas inúteis e desnecessárias?  Comprar coisas para o prazer imediato não passa de uma tentativa fútil de compensar a insatisfação com a vida. Em geral, gastar um dinheiro que você não tem é a manifestação da vontade de viver emoções que já estão a seu alcance.

O gasto excessivo e a necessidade de gratificação imediata têm pouco a ver com o que você está efetivamente comprando e tudo a ver com a falta de satisfação na sua vida.

Descobrir o que fazemos, porque fazemos e combater as causas das nossas ações impulsivas e imediatistas é um grande passo avançado. Essa descoberta pode nos ajudar a conter a ânsia de gastar com coisas sem sentido.

Se gastar o seu dinheiro de forma desmedida como antes, nunca será financeiramente livre. Controle seu dinheiro e, sobretudo, sua mente.

“Os ricos possuem muito dinheiro e gastam pouco, ao passo que as pessoas de mentalidade pobre têm pouco e gastam muito.” Isso explica muita coisa, não é verdade? 

Outro princípio de riqueza é: “Os ricos consideram cada real que possuem uma “semente” a ser plantada para render outros 100, que podem ser replantados para render outros 1.000 e assim por diante.”

Nesse processo de mudança e construção do patrimônio líquido, estudar é fundamental. “O segredo é instruir-se. Aprenda sobre o mundo dos investimentos. Familiarize-se com os vários tipos de investimento e instrumentos financeiros, como imóveis, hipotecas, ações, fundos, letras de câmbio, moeda estrangeira, TUDO O QUE ESTEJA AO SEU ALCANCE.

Algumas dicas de revistas e jornais do setor financeiro: Exame, Isto É Dinheiro, Gazeta Mercantil e Valor Econômico.

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As pessoas ricas agem apesar do medo. As pessoas de mentalidade pobre deixam-se paralisar pelo medo.

É possível não ter medo?  Claro que não. O medo faz parte da nossa natureza. Coragem não é a ausência de medo. Coragem é a capacidade de agir mesmo estando com medo, dúvida ou preocupação.

Você tem que agir, tomar medidas concretas para vencer. A ponte entre aquilo que você deseja e o alcance do que deseja é a AÇÃO. Temos que aprender a agir mesmo quando não temos vontade. Disciplina é fazer o que tem que ser feito mesmo sem vontade.

Existem dois tipos de pessoas: as que se deixam deter e as que não se deixam deter. Você deve ensinar a si mesmo a não se deixar parar por nada neste mundo. 

Se você só estiver disposto a realizar o que é fácil, a vida será difícil. Mas, se concordar em fazer o que é difícil, a vida será fácil.

Saia da sua zona de conforto. Confortável é o lugar onde você está agora. Se o seu objetivo é atingir um novo patamar de vida, tem que sair da sua zona de conforto e praticar ações desconfortáveis.

As pessoas de mentalidade pobre não se dispõem a sentir desconforto. Elas querem sempre se sentir seguras, ainda que de forma aparente, movidas pelo medo e pela insegurança. 

O conforto é algo supervalorizado. Ele faz com que a pessoa sinta aconchego e segurança. Sabe qual o problema do conforto?  Ele não te permite crescer. E você só poderá crescer de verdade se estiver fora da sua zona de conforto.

Caso você deseje ser rico e bem-sucedido, trate de aprender a se sentir bem com o desconforto. Quanto mais confortável você quiser se sentir, menos riscos se disporá a correr, menos oportunidades desejará explorar, menos pessoas conhecerá, menos estratégias desenvolverá. Quanto mais o conforto se torna uma prioridade em sua vida, mais contraído de medo você fica. Por outro lado, expandindo a si próprio, você amplia sua zona de oportunidade.

Ninguém nunca morreu de desconforto, mas a aspiração ao conforto já matou ideias, oportunidades, ações e crescimento. Acomodação é morte.

O conforto aniquila. Se a sua meta na vida é se sentir confortável, eu lhe garanto duas coisas: primeiro, você nunca ficará rico; segundo, jamais será feliz.

Eu estava no caminho de descobrir o significado de felicidade. Até que esse livro me ajudou a entender que: A felicidade surge como resultado de estarmos no nosso estado natural de crescimento e vivendo o máximo de nosso potencial.

Tudo é desconfortável no começo; porém, se você se mantém firme e insiste, acaba superando a zona de conforto. E vence.

Nada era mais desconfortável para mim que frequentar uma academia. Depois de dois anos insistindo, agindo e superando, não consigo mais ficar um dia sem malhar. Isso inclui sábados, domingos e feriados. 

Outro exemplo: o início de uma dieta é quase fisicamente doloroso. Depois de um tempo, sua mente rejeita todas aquelas guloseimas desnecessárias e que não te traz benefício nenhum. Posso garantir que é a mais pura verdade. Convido meus leitores a fazer a partir de agora tudo aquilo que tanto desejam. O início do ano é um ótimo momento para isso. Ficarei muito feliz se conseguir despertar a semente da mudança, da ação e da transformação na vida das pessoas.

Com a leitura também é assim. Passe a ler um livro pelo menos por meia hora todos os dias. Daqui a pouco você não conseguirá mais viver sem leitura. Afinal, somos criaturas de hábitos. É necessário saber e praticar. Conhecimento sem ação não muda a vida de ninguém. Conhecimento seguido de ação é sabedoria.

Pratique agir apesar de tudo e aja mesmo quando não estiver com vontade de fazer isso.

Vou contar uma história para vocês: no feriado do Natal de 2018, não pude frequentar a academia, porque estava fechada. Assim, baixei um aplicativo de exercícios físicos no meu celular para treinar em casa. Eis que eu estava lá malhando com toda vontade e garra do mundo e cai uma chuva imensa, com trovões estrondosos e relâmpagos de dar medo. A energia foi embora e estava tudo escuro. Como estava usando meu celular para visualizar os exercícios que estavam sendo ensinados no aplicativo, sem parar de malhar, apesar daquela situação, chamei o meu marido para ligar a lanterna do celular dele para que eu pudesse continuar. Ele fez o que pedi, deu risada, é claro, pois achou inusitada aquela situação e disse: O mundo desabando e você aí malhando. Eu estava feliz fazendo aquilo e terminei o treino mais feliz ainda. Sabe aquele sentimento de missão cumprida?  A chuva parou, a energia voltou e eu cumpri o compromisso que tinha de exercitar o corpo mesmo em circunstâncias atípicas.

Outra história: ando muito empolgada com o tema finanças. Estou me apaixonando por esse assunto, tanto é que li esse livro e, também, O Homem mais Rico da Babilônia. Estou disposta a estudar e ler muito mais sobre o universo financeiro. 

Meu marido, ele de novo, pergunta se um sapato que estou usando é novo. Digo que não, pois tenho muitos sapatos, e afirmo que não comprarei novos sapatos, roupas nem bolsas pelos próximos cinco anos. Ele dá risada outra vez (com razão). E eu dou a cartada final: pode rir. Depois vou te mostrar o saldo da minha conta bancária. A verdade é que estou disposta e firme no sentido de viver uma vida frugal e minimalista. A Bíblia, que continua sendo para mim a melhor obra de todos os tempos, nos recomenda a viver com o necessário.

E a gente ri junto. Continuo agindo apesar das risadas. Mas, tudo bem, ele é o meu amor.

Agora, chega de romantismo. Voltemos às finanças.

Se quiser ser rico precisará treinar sua mente para pensar de forma diferente. Saber treinar e manejar a própria mente é o maior talento que se pode ter na vida, tanto em termos de felicidade quanto de sucesso.

Como treinar sua mente? 

Primeiro, por meio da observação. Quando identificar pensamentos desfavoráveis, substitua-os imediatamente por outros positivos e favoráveis. Decida agora mesmo que a sua vida será melhor. Você pode escolher seus pensamentos.

Vou explicar melhor: esses dias, meu irmão mais velho fez uma viagem e não me avisou. Sei que ele não tem obrigação de avisar, mas eu gostaria que avisasse. Enfim, ele não avisou. Comecei a pensar: que falta de consideração, ele devia ter avisado, isso não se faz e blábláblá, mimimi… Até que minha mente gritou: STOP! Claro que não: ele não te avisou porque sabe que você é muito preocupada e, sabendo da viagem, não ficaria em paz. Essa é a verdade?  Sinceramente não sei. Mas pelo menos foi um pensamento que me proporcionou paz e isso é tudo.

As coisas têm o significado que damos a elas. Com o pensamento poderoso, nós compreendemos que tudo é neutro, nada tem significado, exceto aquele que nós mesmos atribuímos – nós criamos a nossa história e damos a cada coisa o seu sentido.

Como aplicar o pensamento poderoso? 

Observe a si próprio e os seus padrões de pensamento. Acolha somente aqueles que contribuam para a sua felicidade e o seu sucesso. Desafie a voz dentro da sua cabeça sempre que ela lhe disser: “Não posso”, “não quero”, “não estou a fim”. Não deixe que a voz do medo, que a voz do conforto seja mais forte do que você. Faça um pacto consigo mesmo: sempre que a voz tentar impedi-lo de realizar alguma coisa, você continuará de qualquer forma, para mostrar à sua mente que é você quem manda, e não ela. Assim, aumentará a sua confiança de maneira espetacular, enquanto a sua voz, reconhecendo que tem pouco poder sobre você, se pronunciará cada vez menos.

ARQUIVO DE RIQUEZA 17

As pessoas ricas aprendem e se aprimoram o tempo todo. As pessoas de mentalidade pobre acreditam que já sabem tudo.

Passamos a morrer quando paramos de aprender. Sendo assim, passe de sabe-tudo para aprende-tudo. As pessoas de mentalidade pobre estão sempre tentando provar que estão certas. Ou você está certo ou você é rico, nunca as duas coisas ao mesmo tempo.

Esteja sempre disposto a aprender e a saber mais, mas sempre duvide do que sabe. Esteja aberto a novos modos de pensar, novas ações e, portanto, novos resultados. Continue a aprender e a crescer. Nada neste mundo é estático. Tudo que é vivo muda o tempo todo. Se você se mantiver fazendo o que sempre fez, continuará conseguindo o que sempre conseguiu. Se você não estiver aprendendo continuamente, será deixado para traz.

Aprender não custa caro. É  um investimento. Lembra-se da sugestão de destinar parte de seus rendimentos para a instrução? É isso. Aplicar naquilo que te beneficiará.

Sabe por que a maioria das pessoas que ganham na loteria ficam novamente pobres em menos de 5 anos? Porque essas pessoas não souberam administrar o que ganharam. Porque não se instruíram. Porque não agiram de forma inteligente. Porque não fizeram o trabalho interior de primeiro ser para só depois fazer e ter. Não podemos ter para só depois fazer e ser, sob pena de você perder tudo. Para ganhar o máximo, você primeiro tem que ser o máximo.

Benjamim Franklin disse: Se você acha que a instrução é cara, experimente o preço da ignorância.

Conhecimento é poder. E poder é a capacidade de agir.

Nós podemos aprender a vencer em qualquer coisa. Sucesso também é algo que se aprende. Não importa onde você está agora – o essencial é que esteja disposto a aprender.”

A maneira mais rápida de ficar e permanecer rico é trabalhar no seu próprio desenvolvimento. A ideia é você se aprimorar para se transformar em alguém bem-sucedido.

Dedique muita atenção e energia a aprender continuamente e, ao mesmo tempo, escolha com cuidado a pessoa que lhe fornecerá conhecimentos e conselhos. Mas esteja disposto a aprendê-los e utilizá-los.

E o que você deve fazer depois que aprendeu todos esses ensinamentos?

Aplicá-los.

Ler é um bom começo, mas, se você quer vencer no mundo real, são as suas ações que contam.

Guarde na memória o que você aprendeu. No fim, você se posicionará diante da vida e, sobretudo, diante do dinheiro de um modo totalmente diferente.

Para que a mudança seja permanente, ela deve ter uma base celular – a programação do seu cérebro tem que ser refeita.

Sugiro que adquira esse livro, marque os pontos importantes e revise-os continuamente com a finalidade de nunca esquecê-los. Afinal de contas, a repetição é a mãe do aprendizado.

Por último, eleve seu grau de consciência. Consciência é observar os pensamentos e as ações para poder agir com base em escolhas verdadeiras feitas no presente, e não na programação passada. Quando cada indivíduo aprimora o seu grau de consciência, a consciência de todo o planeta se eleva – passando do medo à coragem, do ódio ao amor e da escassez à prosperidade para todos.

O valor desse livro é imensurável. Tenho certeza que dá para aplicar os princípios aqui dispostos em muitos setores de nossas vidas. Para mim, a leitura e a compreensão dessa obra foi um pontapé para rever pensamentos, sentimentos, comportamentos e atitudes. Os livros têm essa capacidade de transformação. 

Franz Kafka escreveu: Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós. Esse livro me afetou e muito.

Desejo a todos que aproveitem esse texto ao máximo. Cada vez que leio ou escrevo sinto que me torno uma pessoa melhor e, ainda mais realizada, quando posso ajudar alguém a se tornar melhor.

Feliz 2019!

Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Brasília molhada de chuva e eu me ponho a escrever sobre Vidas Secas. Paro e penso na aridez do sertão, palco da travessia da família que protagonizou a narrativa, e até acho que estou sendo ofensiva com os personagens de Graciliano. Que eles me perdoem!

Fabiano, sua esposa sinhá Vitória, seus dois filhos, o mais velho e o mais novo, o papagaio e a cachorra Baleia estão fugindo da seca do sertão com destino ao sul.

O casal crê na possibilidade de uma vida melhor, num lugar onde os filhos possam entrar para a escola. A esperança é que os guia. A fome e a sede os acompanham.

Neste palco, o papagaio é a primeira vítima. Num dia de aguda escassez, como em muitos outros, este animal serve de alimento para a família. Afinal, ele nem falava! – desculpou-se sinhá Vitória, como se devêssemos ser sacrificados pelo não cumprimento de nossas funções.

Num outro dia em que o cansaço os invade, devido à longa caminhada, o filho mais velho cai no chão. Fabiano perde a paciência: Anda, condenado do diabo. O filho não reage. Anda, excomungado. O filho se mantém inerte.  O pai sente pena. Carrega-o em seus braços. Fabiano tinha esses momentos de pura animalidade. Sabia-se bicho. Um bicho que por vezes se humanizava.

Durante o trajeto, a família se instala numa fazenda. A seca parece dar uma trégua. Tem comida, tem água, tem um pouco de dinheiro pago a menor pelo patrão. Sinhá Vitória sabe fazer conta. Alerta o marido que ele está sendo passado para trás. Fabiano se revolta com a injustiça. Chega a questionar o patrão que o repreende com desaforo.  O sertanejo põe o rabo entre as pernas. Afinal, melhor pouco do que nada.

Fabiano se dirige a um povoado próximo para comprar mantimentos. Chegando lá, acaba se entretendo numa partida de jogo. Um dos jogadores é um soldado (o soldado amarelo). Há um desentendimento entre eles. Fabiano mal sabe se defender diante da escassez de seu vocabulário. Até que xinga a mãe do soldado. Vai preso. Fabiano se revolta. Pensa em fazer besteira. Mas tem a família. Pensa que Sinhá Vitória deve estar preocupada e a sua espera.

No outro dia, volta para casa. O filho mais novo admira o pai de longe e o tem por seu herói. O filho mais velho admira as palavras. Ao ouvir uma senhora pronunciar “inferno” quer saber o significado. Pergunta para a mãe que lhe recebe com xingamentos. Diz que não deve ser nada bom e que fosse perguntar ao pai. Este também não lhe dá confiança. O filho mais velho não consegue entender como uma palavra tão bonita quanto inferno possa significar algo ruim. Dava para notar que suas vidas não eram secas apenas de água, mas também de palavras, significados, gestos e expressões.

Quem muito se expressa é a cachorra baleia. Mais humana que muita gente. Só faltava falar. Mas, como sentia. Mesmo com fome ficava quietinha no seu canto esperando a parte que lhe tocava – os ossos. Era quase uma parente. Se a família conhecesse a palavra amor e um pouco do seu sentido, talvez dissesse que amava Baleia. Mas Baleia parecia amá-los com o seu olhar de paciência e resignação.

Baleia adoece. O casal tem medo de que a doença pegue nos filhos. Fabiano decide matá-la para não contaminá-los. Os filhos sofrem. Sinhá Vitória se resigna. A vida deles é mais importante. Até os bichos protegem suas crias. Por que Fabiano não faria o mesmo? Baleia morre sonhando com um mundo de preás, pois passou muita fome junto à família.

Viva, Sinhá Vitória também tinha o seu sonho. Queria uma cama para dormir. Quem sabe dormindo no aconchego conseguiria sonhar um pouco mais?

Num dia qualquer, o acaso ou o destino põe Fabiano novamente às caras com o soldado amarelo, o mesmo que outrora o prendera. Desarmado, o soldado teme, porque quem deve às vezes foge-lhe a coragem. Fabiano pensou em matá-lo. Mas quantos outros o Estado haveria de ter? Quantos mais a praticar abusos? Matar somente um único não resolveria o problema, pensou Fabiano. Deixou que o soldado amarelo, agora de medo, fosse embora.

Cá, eu penso, quantos, indignados com um determinado governo, desejam o seu extermínio parecendo desconhecer que o mal não mora apenas em um indivíduo? Fabiano não era tão ingênuo. Bicho que é, sente. Homem que é, pensa.

A seca mais uma vez assola. Sem água, sem comida, sem papagaio, sem baleia e sem rumo a família põe-se a andar mais uma vez pelo sertão. Quem sabe a cidade estivesse próxima. Quem sabe a tão sonhada vida melhor, a escola dos filhos, a cama de Sinhá Vitória. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era.

Andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos.

A esperança mais uma vez os guia. Torno a me lembrar, como quase sempre, o que Clarice Lispector disse: A esperança não tem olhos, é guiada pelas antenas. A família de Fabiano tinha as antenas ligadas. É preciso ter antenas ligadas para sobreviver. O instinto de sobrevivência acompanharia essa família de bichos, conduzida por Fabiano, o bicho-homem.