Um dia de cada vez II

Coribe-BA, sexta-feira, 16 de julho de 2021. Desde que cheguei a Coribe, sábado, 10 de julho de 2021, tenho acordado cedo todos os dias. Minha mãe levanta às 5, faz o café, realiza as atividades domésticas rotineiras com a pontualidade e o rigor de muitos anos. Varre o quintal e a frente da casa mesmo […]

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um dia de cada vez I

Coribe-Ba, domingo, 11 de julho de 2021. Às 5h30min, acordo com a sonora e alegre voz da minha mãe a me chamar: “Filha”. O frio convidava-me para mais algumas horas sob as cobertas, no entanto, no dia anterior, havia assumido o compromisso de levantar bem cedo para realizarmos uma caminhada de pouco mais de uma […]

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costume

Sábado à tarde em casa, sozinha. A vida presa a quem não vinha por vontade pura, deliberada. Esperava. Há quanto tempo esperava? Perdera as contas de quantos dias e noites. Como estava cansada, sem esperanças. Como estava infeliz. O que via no horizonte era a repetição de uma rotina, um círculo em que sabia de […]

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O inominável

E agora, agora, agora? Pergunta Joana após se cansar de todas as possibilidades apresentadas. Brincava, estudava, vigiava as galinhas do quintal vizinho, inventava estórias, mas… e agora? O incessante movimento dos ponteiros do relógio, o silêncio que se impunha enquanto, sozinha, esperava que algo acontecesse, embora soubesse que nada acontece a quem espera. Conta ao […]

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AMOR

“Ninguém me ama, ninguém me ama”, repetia baixinho enquanto escorregava inteiramente o corpo por debaixo das cobertas. “Ainda estou acordada. Acende a luz.” A mulher sorria; fazia-lhe as vontades até que o sono viesse atirá-la no escuro da inconsciência. No outro dia, desperta, sentia a mais amada dentre todas e a confiança lhe invadia como […]

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Abandono

As primeiras horas da manhã eram de um silêncio sem promessas. Acordava bem cedo, preparava o café forte, sentava-se horas no sofá da sala, onde alternava entre pensamentos e leituras. O vento entrava pela janela, o canto dos pássaros soava tênue nos ouvidos, às vezes, vozes de pessoas, choro de crianças, barulho ao longe de […]

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não há respostas ou a falta de resposta

De onde vim? Quem sou? Para onde vou? Essas perguntas, subliminarmente ou de modo explícito, permeiam toda literatura de Clarice Lispector. Ainda que escape às definições possíveis, ela pode ser lembrada como alguém que passou a vida à procura da coisa, de algo que, embora invisível e intocável, fosse causa, fonte ou origem de tudo […]

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Descoberta

Dei para falar de amor e, no meio da noite, acordar de sonhos onde não só o peito pulsa. Pieguice, pieguice, acuso-me. Fui avisada a não subestimar o deus da flecha, que pode ser muito traiçoeiro. Eu sei, eu sei. Levei a mão à boca como quem se obriga ao silêncio. Fechei os olhos para […]

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Ousar ser

Ainda ontem acordara contente, dava pulos de alegria pela casa, olhava-se no espelho para confirmar o semblante sereno e inebriava-se ao ver os próprios olhos brilhantes. Os pés plantados tão firmes que o chão parecia não conseguir aguentar o peso de tanta felicidade. A qualquer hora, o solo abruptamente se abriria a devorar-lhe com sua […]

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Amor puro

Ao vê-lo pela primeira vez sentiu o coração aquecido e aquele desejo ardente de amor puro. Não era vertigem, antevia. Alguma coisa naquela voz despertava-lhe anseios adormecidos. Lembrou-se de quando tinha quinze anos, tão próximos na memória, mas já distantes no tempo. As lembranças das primeiras vezes eram as únicas que não restavam de todo […]

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