Erga a cabeça, estufe o peito e permaneça ereto.

Havia um fenômeno que ocorria com certas meninas no começo da adolescência, o qual consistia no encurvamento das costas no momento em que se percebia o nascimento dos seios. Minha mãe sempre dizia: Fulana está ficando corcunda. E me alertava: Filha, estufe o peito.

Para mim, manter uma postura ereta não representava incômodo algum e fazia parte de uma ousadia que me era nata. O nascimento dos seios não me causava nenhuma espécie de vergonha, uma vez que fazia parte de um processo natural que ocorre com todas as mulheres. Essa sensibilidade para captar o natural sempre foi em mim bastante aguçada. É natural um homem se unir a uma mulher, é natural o acasalamento do macho e da fêmea, o nascimento dos filhos como o dos bezerros ou dos demais bichos. O que é comum e recorrente não precisa de delongas.

Na adolescência, ainda não era possível entender que a postura física exigida pela minha mãe teria um impacto altamente significativo na maneira como eu encararia os fatos da vida. Mas, adulta, consigo perceber que, ao manter a cabeça erguida, o peito estufado e o corpo ereto, uma pessoa sinaliza que está pronta para encarar a vida como ela é, sem se esquivar de suas responsabilidades e muito menos sem vitimizações ou lamentações que não levam alguém a sair do lugar onde está.

Quase toda pessoa lamuriosa, queixosa, cheia de complexos de inferioridade ou inapta para a autorresponsabilidade tem uma característica física comum que é o encurvamento das costas. Parece que, além de carregar suas próprias dores, se dispôs a carregar as dores do mundo, de modo que o peso a encolhe tanto a ponto de colocar as mãos no chão e voltar a ser um quadrúpede ou um feto sedento por voltar ao útero da mãe.

As mulheres muito altas geralmente curvam os ombros como forma de diminuírem e ficarem mais parecidas com as outras de menor estatura, que são maioria. O mesmo acontece com os homens mais baixos. É comum vê-los encolhidos como para se esconderem da vergonha de não possuírem a altura média que os homens costumam ter. Isso demonstra um sentimento de inferioridade por serem de um jeito ou de outro, às vezes manifestado de forma inconsciente, mas que diz muito sobre alguém, pois a postura de uma pessoa delata a forma como ela se sente e encara a vida.

Muitos costumam se desculpar e alegam problemas ou dores de coluna ou qualquer coisa que os impedem de se reerguerem. A verdade é que isso não passa de justificativas para não assumirem o ônus da autorresponsabilidade ou até mesmo pode residir no desconhecimento de suas causas. E como a ignorância nos rouba a consciência, permanecemos de olhos vendados para a origem de nossos problemas ou sintomas.

No primeiro capítulo do livro 12 regras para a vida, de Jordan B. Peterson, ele discorre sobre a importância de se manter as costas eretas e os ombros para trás. A fim de ilustrar sua tese, descreve o comportamento das lagostas que saem vitoriosas e das que saem derrotadas na busca pela sobrevivência. As ganhadoras mantêm a coragem e a confiança, manifestadas por meio de uma postura firme e pomposa. Já as que saem derrotadas contorcem o corpo e procuram um lugar bem ermo e afastado onde possam esconder.

Jordan diz: É por isso que quando somos derrotados agimos como aquela lagosta que perdeu a batalha. Nossa postura se inclina. Ficamos com o rosto voltado para o chão. Sentimo-nos ameaçados, machucados, ansiosos e fracos. Se as coisas não melhorarem, tornamo-nos cronicamente deprimidos. Sob tais condições, não conseguimos aguentar as lutas impostas pela vida com facilidade e nos tornamos alvos fáceis para os bullies de casca grossa.

Geralmente, as crianças que sofrem bullying continuam sendo massacradas, porque ao invés de darem respostas às brincadeiras ou crueldades dos colegas, elas se curvam e saem de cena, no entanto alimentam os sentimentos de fracasso e ressentimento em silêncio, que mais tarde podem vir a ser exteriorizados de diversas formas. É preciso ensiná-las a enfrentar os ataques. E não estou falando de violência, mas tão somente de postura.

J. Peterson continua: Se sua postura for ruim, por exemplo – costas curvadas, ombros caídos, peito para dentro e cabeça para baixo, parecendo pequeno, derrotado e incapaz (protegido, em teoria, de um ataque pelas costas) – , você vai se sentir pequeno, derrotado e incapaz. As pessoas, assim como as lagostas, medem-se em parte por consequência da postura. Se você apresentar como derrotado, as pessoas vão reagir a você como se fosse um perdedor. Se começar a se alinhar, elas o olharão e tratarão de forma diferente.

Lembro-me de minha avó paterna, aos 73 anos, em pé ou sentada, com uma postura extremamente ereta, cabeça erguida e olhar fixo. Venceu a pobreza, criou oito filhos com muita dificuldade e quando morreu só lhe restava uma descendente. Sobreviveu à morte de sete filhos sem curvar nem mesmo as costas. A sua postura física e psicológica sempre foi de enfrentamento, coragem e ela dizia: Quem muito se abaixa mostra o fundo das calças.”Talvez, por isso, sempre fez questão de manter-se ereta.

Levantar a cabeça fisicamente, diz Jordan, também significa, evoca e demanda erguê-la metafisicamente. Ele acrescenta que essa atitude postural significa a aceitação da terrível responsabilidade da vida de olhos bem abertos. Significa decidir voluntariamente transformar o caos do potencial em realidades da ordem habitável. Significa receber o fardo da vulnerabilidade da autoconsciência e aceitar o fim do paraíso inconsciente da infância, em que a finitude e a mortalidade são apenas vagamente preenchidas. Significa realizar, voluntariamente, os sacrifícios necessários para gerar uma realidade produtiva e relevante.

O mais alto grau da evolução do homem mostra o sapiens totalmente ereto, de pé e erguido. Uma postura ereta talvez seja um dos traços que evidencie o quanto um ser está evoluído no entendimento e na aceitação de questões que envolvem a essência da natureza humana.

Portanto, preste atenção em sua postura. Pare de se curvar, se entortar e se arrastar. Levante a cabeça, mantenha as costas eretas e os ombros para trás.

E ouso dizer: caminhe sempre para frente e esqueça de uma vez por todas sua primitiva condição de australophitecus.

Os segredos da mente milionária, de T. Harv Eker.

O ano de 2019 se inicia e procurei me dedicar bastante à leitura desse livro, com a finalidade de propor mudança e transformação na vida de todos os meus leitores.

Então: Não importa onde você está agora, o essencial é que esteja disposto a aprender. É com essa frase, inscrita nesse livro, que quero começar a falar sobre Os Segredos da Mente Milionária, obra escrita por alguém que já esteve na ‘pindaíba’, perdeu milhões de dólares, mas acreditou que poderia dar a volta por cima e assim o fez, tornando-se um milionário.

A maioria das pessoas não sabe lidar com dinheiro, ou melhor, não sabe administrá-lo, e as causas para essa realidade são as mais variadas, desde o modelo financeiro adotado pelos pais até problemas emocionais que culminam em total descontrole das finanças.

Se nossa vida financeira não está indo bem, precisamos fazer um rigoroso exame de consciência, analisar nossos pensamentos, sentimentos, comportamentos e reprogramá-los para que novas situações aconteçam, de maneira mais focada, comprometida e satisfatória.

Se as coisas não estão indo como você gostaria, isso quer dizer apenas que há algo que você não sabe. Portanto, um dos fatores mais importantes no processo de mudança é buscar ajuda ou conselho daqueles que mais entendem do negócio e estão dispostos a transferir seus conhecimentos, quer de forma gratuita ou mediante pagamento.

 O primeiro passo para a mudança é a conscientização, ou seja, ter consciência que algo precisa ser mudado para que novos resultados sejam alcançados. O modo de pensar determina as ações dos indivíduos e, consequentemente, os seus resultados.

Caso deseje enriquecer, tudo o que precisa fazer é copiar o modo de pensar dos ricos. Sendo assim, precisamos mudar a nossa maneira de pensar como primeiro passo para concretizar aquilo que tanto queremos, mas que ainda não conseguimos.

Se você quer passar para um nível de vida mais elevado, tem que estar disposto a abrir mão de alguns dos seus velhos modos de ser e pensar e adotar novas opções. No fim, os resultados falarão por si mesmos.

Lembremos que, antes de uma árvore gerar frutos, ela era apenas uma semente. O processo que vai do plantio à colheita não ocorre da noite para o dia. É preciso regar, cuidar, esperar o crescimento, o amadurecimento e, só depois, os seus frutos. Muitos atos desse processo ocorrem invisivelmente. Não vemos, por exemplo, o enraizamento, mas ele está acontecendo. Sem raízes, sem frutos. As coisas que não vemos são muito mais poderosas do que as que vemos, ou como disse o Pequeno Príncipe: O essencial é invisível aos olhos.

O mundo físico é o visível, o palpável, o que nossos olhos conseguem enxergar a olho nu e cru. Existem, entretanto, mais três mundos, todos invisíveis, contudo não menos importantes, posto que essenciais: os mundos mental, emocional e espiritual. O mundo físico é apenas a “impressão”dos outros três. O caos em quaisquer dos mundos invisíveis, isolado ou cumulativamente, acarretará o caos no mundo físico, pois há entre eles interdependência.

É muito importante saber qual modelo financeiro temos presente em nossa cabeça. Caso sua vida financeira vai de mal a pior, um novo modelo deve ser adotado; uma nova programação se faz necessária.

A sua programação conduz a seus pensamentos; os seus pensamentos conduzem aos seus sentimentos; os seus sentimentos conduzem às suas ações; as suas ações conduzem aos seus resultados.

A mudança de programação, como todas as outras, passa pelos episódios de conscientização, entendimento, dissociação e recondicionamento.

Se você é daqueles que ignora o problema, não mudará. Você não pode modificar uma coisa cuja existência ignora. A conscientização é o conhecimento e a aceitação de que algo que precisa ser modificado.

Também é preciso ter entendimento, porque é necessário compreender a origem do “modo de pensar” que te sabota. A dissociação é a opção de manter ou largar um pensamento, comportamento ou hábito. O recondicionamento é passar a pensar de modo diferente para agir e obter resultados diferentes dos atuais.

Consegue perceber que tem a opção de ser diferente agora?

Adquirindo consciência, você poderá viver do que é hoje em vez do que foi ontem; conseguirá reagir apropriadamente às situações que se apresentam, fazendo uso de toda a gama e de todo o potencial das suas qualificações e dos seus talentos em vez de reagir de forma inadequada aos acontecimentos, impelido por medos e inseguranças do passado.

Portanto, se o que quer é mudar, faz-se necessário seguir os quatro episódios já citados. Sigamos em frente!

Os princípios de riqueza dispostos no primeiro capítulo, O seu modelo de dinheiro, são:

1. Os seus rendimentos crescem na mesma medida em que você cresce;

2. Se você quer mudar os frutos, primeiro tem que trocar as raízes – quando deseja alterar o que está visível, antes deve modificar o que está invisível.

3. Dinheiro é resultado, riqueza é resultado, saúde é resultado, doença é resultado, o seu peso é resultado. Vivemos num mundo de causa e efeito.

4. Em cinco minutos posso prever o futuro financeiro que você terá pelo resto da sua vida (isso depende do modelo financeiro que você adota);

5. Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados.

5. Quando o subconsciente tem que optar entre a lógica e as emoções profundamente enraizadas, as emoções quase sempre vencem. (Imagine todas as compras que já fez por impulso.)

6. A sua razão ou motivação para enriquecer ou fazer sucesso é crucial. Se ela possui raiz negativa, como o medo, a raiva ou a necessidade de provar algo a si mesmo, o dinheiro nunca lhe trará felicidade.

7. A única maneira de mudar permanentemente a temperatura da sala é “zerar” o termostato. De modo semelhante, a única maneira de modificar permanentemente o seu nível de sucesso financeiro é zerar o seu termostato financeiro, também conhecido como modelo de dinheiro.

8. A consciência observa os nossos pensamentos e as nossas ações para que vivamos das escolhas verdadeiras feitas no momento presente em lugar de sermos governados por uma programação proveniente do passado.

Esses princípios de riqueza devem ser constantemente revisados para que sejam mantidos frescos em sua memória. Lembrem-se: A repetição é a mãe do aprendizado.

A parte dois do livro trata dos arquivos de riqueza, consubstanciados em dezessete modos de pensar e agir que distinguem os ricos das outras pessoas. Você pode optar por maneiras de pensar favoráveis à sua felicidade e ao seu sucesso e deixar de lado as formas negativas.

Toda ação que conduz à riqueza é precedida de um modo de pensar que segue essa mesma direção.

Os arquivos de riqueza são hábitos mentais que podem ou não vir a ser concretizados, dependendo da sua disposição e comprometimento em colocá-los em execução. Somos criaturas de hábitos. Existem dois tipos de hábitos: os de fazer e os de não fazer. Tudo o que você não está fazendo neste momento você tem o hábito de não fazer. A única maneira de mudar isso é fazer.

Sendo assim, está sob suas mãos seguir ou não os arquivos de riqueza dispostos nesse livro e que serão agora elencados.


ARQUIVO DE RIQUEZA 1

As pessoas ricas acreditam na seguinte ideia: “Eu crio a minha própria vida.

As pessoas de mentalidade pobre acreditam na seguinte ideia: Na minha vida, as coisas acontecem.


Refere-se ao senso de autorresponsabilidade.

Você precisa acreditar que é você mesmo quem conquista o seu próprio êxito, que é você mesmo que promove a sua própria mediocridade e que é você mesmo quem estabelece a sua própria batalha pelo dinheiro e pelo sucesso. Consciente ou inconscientemente, SEMPRE SE TRATA DE VOCÊ.

As pessoas de mentalidade pobre preferem se fazer de vítimas. Como as vítimas agem?

1. culpa sempre os outros;

2. sempre estão se justificando;

3. vive se queixando.

Você tem que fazer questão absoluta de não ficar na companhia de pessoas que vivem reclamando.

Aproveito e proponho um desafio: tente não reclamar de nada pelos próximos dias.

As vítimas se põem nesse papel para terem apenas uma coisa: atenção. É praticamente impossível ser feliz e bem-sucedido quando se está o tempo todo precisando de atenção.

Caso você se perceba com o comportamento vitimista, abandone-o o mais breve possível ou nunca enriquecerá de verdade.


ARQUIVO DE RIQUEZA 2

As pessoas ricas entram no jogo do dinheiro para ganhar. As pessoas de mentalidade pobre entram no jogo do dinheiro para não perder.


A meta das pessoas verdadeiramente ricas é ter grande fortuna e abundância.

Só conseguimos aquilo que verdadeiramente almejamos.


ARQUIVO DE RIQUEZA 3


As pessoas ricas assumem o compromisso de serem ricas. As pessoas de mentalidade pobre gostariam de ser ricas.

Comprometimento significa agir em prol de algo que se quer. Comprometer-se pressupõe dedicar-se sem restrições. Ter disposição para fazer o que for necessário durante o tempo que for preciso. Nenhuma desculpa, nenhum se, nenhum mas, nenhum talvez – e o fracasso não é uma opção.

Agora, pergunto: você ao menos sabe o que quer? Sabê-lo é de extrema importância, pois: O principal motivo que impede a maioria das pessoas de conseguir o que quer é não saber o que quer.

Autoconhecimento é a chave para obter essa resposta. Mas, tenha em mente que só o querer não basta. É preciso agir em prol de…

Tenha foco, coragem, conhecimento, especialização, dedicação, atitude de não desistir jamais e programação mental condizente com o resultado que almeja.

ARQUIVO DE RIQUEZA 4

As pessoas ricas pensam grande. As pessoas de mentalidade pobre pensam pequeno.

Eu ouso dizer: há pessoas de mentalidade muito pobre que sequer pensam. É com conhecimento de causa que afirmo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 5

As pessoas ricas focalizam oportunidades. As pessoas de mentalidade pobre focalizam obstáculos.

ARQUIVO DE RIQUEZA 6

As pessoas ricas admiram outros indivíduos ricos e bem-sucedidos. As pessoas de mentalidade pobre guardam ressentimento de quem é rico e bem-sucedido.

Digo que, além do ressentimento, as pessoas de mentalidade pobre nutrem a inveja por quem é bem-sucedido. A inveja é um sentimento negativo, mas pode ser vista, por outro lado, como uma oportunidade de autoconhecimento, pois ela pode nos indicar no outro aquilo que nos falta. Sabendo o que nos falta, podemos ir à luta para conseguirmos alcançar.

A inveja e o ressentimento devem ser reconhecidos assim que sentidos, consequentemente, rechaçados pois é importante reconhecer pensamentos que não fortalecem nem você mesmo nem os outros e mudar o foco para pensamentos mais positivos.

Somos criaturas de hábitos. Pensar negativamente pode tornar-se um hábito e para superá-lo precisamos praticar. Em vez da inveja e do ressentimento, a admiração, o amor e a benção destinados aos que têm sucesso, dinheiro e prosperidade.

“Abençoe aquilo que você quer. Se de algum modo você se ressente do que as pessoas possuem, nunca poderá tê-lo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 7

As pessoas ricas buscam a companhia de indivíduos positivos e bem-sucedidos. As pessoas de mentalidade pobre buscam a companhia de indivíduos negativos e fracassados.

Portanto, busque a companhia de pessoas que são exemplos naquilo que você almeja. Não perca tempo tentando mudar pessoas negativas. Não é sua obrigação. O seu dever é usar o que aprendeu para melhorar a si mesmo e a sua vida.

Livre-se das pessoas negativas, pois é muito mais difícil ser positivo e consciente ao lado de pessoas e circunstâncias negativas.

Pratique reenquadrar a negatividade alheia para se recordar de como não deve pensar e agir.

Não as julgue, não as critique nem as menospreze. Aprenda com elas a não serem como elas.

Cada qual com seu igual. Não abra mão de evitar situações destrutivas. Não há motivo para se deixar envenenar por uma energia prejudicial: discutir, fofocar e falar pelas costas são ações mesquinhas e totalmente autodestrutivas.

ARQUIVO DE RIQUEZA 8

As pessoas ricas gostam de se promover. As pessoas de mentalidade pobre não apreciam vendas nem autopromoção.

Logo, promova o seu valor com paixão e entusiasmo. Nada de falsa modéstia. Se você é bom naquilo que faz trate de mostrar isso.

ARQUIVO DE RIQUEZA 9

,As pessoas ricas são maiores do que seus problemas. As pessoas de mentalidade pobre são menores que os seus problemas.

O segredo do sucesso não é tentar evitar os problemas nem se esquivar ou se livrar deles, mas crescer pessoalmente para se tornar maior do que qualquer adversidade.

Enquanto você respirar, sempre estará diante dos chamados problemas e obstáculos da vida. O tamanho do problema nunca é a questão principal – o que importa é o seu próprio tamanho.

Procure o seu crescimento mental, espiritual e emocional para melhor enfrentar os obstáculos que vierem a surgir em sua vida. O seu mundo exterior é um simples reflexo do seu mundo interior. Caso queira fazer uma mudança permanente, redirecione o foco: do tamanho dos seus problemas para o tamanho da sua pessoa.

Se você tem um grande problema, isso quer dizer apenas que está sendo uma pessoa pequena.

Ao invés de se lamuriar por causa da dificuldade, trabalhe para saná-la.

As pessoas fracassadas e de mentalidade pobre são orientadas para os problemas. Perdem tempo e energia praguejando e se queixando e raramente encontram soluções criativas para amenizar a dificuldade, muito menos para que ela não volte a surgir.

Seja maior que seus problemas, pois o guerreiro é aquele que conquista e vence a si mesmo.

ARQUIVO DE RIQUEZA 10

As pessoas ricas são excelentes recebedoras. As pessoas de mentalidade pobre são péssimas recebedoras.

Já ouviu pessoas que, ao serem elogiadas, respondem: Não, eu não sou tudo isso; São seus olhos; Eu não mereço; Você está sendo gentil, e por aí vai? Pois é, são pessoas que não sabem receber.

E aquelas que ganham um presente e acham que tem a obrigação de retribuir com outro, inclusive de valor semelhante? Também são pessoas que não sabem receber.

Quando ganhar um elogio ou presente, responda apenas “obrigado”. Dê ao outro a alegria de doar, sem colocações desnecessárias. Aquele que não se dispõe a receber “rouba” quem quer lhe dar algo.

Se você diz que é merecedor, então é. Se diz que  não é, então não é. Em qualquer hipótese, você viverá a sua própria história. É simples assim.

Um dos princípios de riqueza é para todo doador tem que haver um recebedor; para todo recebedor tem que haver um doador.

ARQUIVO DE RIQUEZA 11

As pessoas ricas preferem ser remuneradas por seus resultados. As pessoas de mentalidade pobre preferem ser remuneradas pelo tempo que despendem.

Não há nada errado em ter um contracheque estável, a não ser que ele interfira na capacidade que você possui de ganhar o que merece. É nesse ponto que está o problema: ele geralmente interfere.

Nem preciso dizer, mas já digo, que para os funcionários públicos a efetivação desse princípio de riqueza se mostra mais difícil de ser colocada em prática. Que tal, nesse caso, encontrar uma segunda fonte de rendimentos?  É uma opção.

ARQUIVO DE RIQUEZA 12

As pessoas ricas pensam: “Posso ter as duas coisas.” As pessoas de mentalidade pobre pensam: “Posso ter uma coisa ou outra.

É possível ser rico e feliz ao mesmo tempo? Sim. Não é o dinheiro que traz infelicidade. É o mal uso dele. 

O dinheiro é um lubrificante. Ele lhe permite “deslizar” pela vida, em vez de “se arrastar” por ela. Proporciona liberdade – para você comprar o que desejar e fazer o que quiser do seu próprio tempo. Com ele você tem condições de desfrutar o que há de melhor e também a oportunidade de ajudar outras pessoas a satisfazer as suas necessidades básicas. Acima de tudo, ser rico faz com que você não precise gastar a sua energia se preocupando com a falta de dinheiro.

ARQUIVO DE RIQUEZA 13

As pessoas ricas focalizam o seu patrimônio líquido. As pessoas de mentalidade pobre focalizam o seu rendimento mensal.

Não importa quanto você ganha, mas quanto você poupa ou investe. Já ouviu a frase que diz: a riqueza de uma pessoa não é medida pelo quanto ela ganha, mas pelo tanto que ela gasta

Essa frase me ensinou muito. Se ganho 20 mil por mês e gasto os 20 mil não sou mais rica do que quem ganha 800 reais mensais e guarda 100. Pelo contrário, quem ganha esses 800 tem mentalidade de rico e, provavelmente, está financeiramente muito melhor.

A verdadeira medida de riqueza é o patrimônio líquido e não os os rendimentos.

Como construir seu patrimônio líquido? 

1. Rendimentos;

2. Poupança;

3. Investimentos;

4. Simplificação.

Você precisa ter uma fonte de rendimento. O rendimento pode ser ativo ou passivo. Rendimento ativo é o dinheiro que você ganha pelo seu trabalho: o seu salário ou, sendo empresário, a renda ou os lucros de seu próprio negócio.

Quanto maior o seu rendimento ativo, mais poderá poupar e investir. Na falta de rendimento ativo  é quase impossível poupar, investir e simplificar.

Já o rendimento passivo é aquele dinheiro que você recebe sem trabalhar ativamente. Exemplo: aluguéis.

Poupar também é indispensável. Se você ganhar rios de dinheiro e não conservar nenhum, não fará fortuna. Muita gente tem um modelo de dinheiro programado para gastar – quanto mais ganha, mais gasta.

Caso esteja gastando o que tem e o que não tem você está preparando a sua ruína, se é que já não está arruinado. Mas não importa onde você está, o importante é a conscientização e disposição para mudar tudo o que foi e fez até agora. Portanto, comece a poupar desde já pelo menos 10 porcento de seus rendimentos. Pode ser mais, porém não menos. Sem rendimentos para encher o funil financeiro e sem poupança para conservá-lo, é impossível passar ao próximo fator do patrimônio líquido, ou seja, investimento.

Para que investir?  Para fazer o seu montante de dinheiro aumentar. Quanto melhores os investimentos, mais rápido o dinheiro cresce e mais patrimônio líquido ele proporciona.

As pessoas ricas despendem tempo e energia aprendendo a investir e têm orgulho de ser excelentes investidoras ou, pelo menos, de contratar ótimos profissionais para executar essa tarefa por elas.

Estude, pesquise ou contrate pessoas que possam ajudar você a encontrar as melhores maneiras de investir o seu sagrado dinheiro.

O quarto fator do patrimônio é a simplificação. Ela caminha lado a lado com a poupança e requer o estabelecimento consciente de um estilo de vida em que você dependa de menos dinheiro.

Se estiver disposto a reduzir seu custo de vida, sua poupança aumentará e você terá mais dinheiro para investir.

Muitas vezes, conquistar a liberdade financeira não está relacionada a ganhar toneladas de dinheiro, mas reduzir de forma consciente as despesas pessoais.

Cuide do seu dinheiro e verá ele crescer. Tudo aquilo que você cuida cresce. Dê atenção a ele, pois é onde a atenção está que a energia flui e o resultado aparece.

Simplifique dessa forma: aumente seus rendimentos, engorde a sua poupança, eleve o retorno dos seus investimentos e diminua os gastos pessoais. Não esqueça da lei do foco: tudo aquilo que você cuida cresce.

ARQUIVO DE RIQUEZA 14

As pessoas ricas administram bem o seu dinheiro. As pessoas de mentalidade pobre administram mal o seu dinheiro.

Ouso dizer que há as pessoas de mentalidade muito pobre que sequer administram mal, apenas não administram.

O que distingue o sucesso do fracasso financeiro é a capacidade que a pessoa tem de administrar o próprio dinheiro. É simples: para controlar o dinheiro, é necessário administrá-lo.

E, caso não esteja disposto a controlá-lo, o dinheiro controlará você.

Primeiro, você administra corretamente seu dinheiro para, depois, ter mais recursos financeiros para gerir.

Você não terá mais até provar que é capaz de lidar com o que já possui. Antes de gerir uma grande fortuna, você precisa adquirir o hábito e a capacidade de administrar pouco dinheiro. Somos criaturas de hábitos. O hábito de administrar o dinheiro é mais importante do que a quantidade de dinheiro que você tem.

Como você deve administrar o seu dinheiro? 

1. Abra uma conta bancária e batize-a de Conta da Liberdade Financeira. Deposite 10% nela de cada real que receber. A finalidade dessa conta é gerar uma galinha que ponha ovos de ouro chamados rendimentos passivos. E quando é que você vai começar a gastar esse dinheiro?  NUNCA! JAMAIS!

Não importa se você tem uma fortuna ou praticamente nada. O essencial é começar já a administrar o que está nas suas mãos. Em pouco tempo, você ficará impressionado com os resultados.

Milagres financeiros acontecerão se você demonstrar que é capaz de controlar adequadamente as suas finanças.

O valor não importa. O hábito sim. O segredo é dar atenção diária ao seu objetivo de se tornar financeiramente livre.

2. Crie a Conta da Diversão e deposite nela 10% dos seus rendimentos. Não vale a pena economizar ao extremo e ficar insatisfeito espiritualmente. A chave para o sucesso é o equilíbrio. Satisfaça seu espírito e suas emoções com a conta da diversão, pois uma pessoa insatisfeita, mesmo com dinheiro guardado, não terá prosperidade. Também, o sentimento de culpa leva uma pessoa a gastar ainda mais como forma de expressar suas emoções. 

O autor aconselha a criação de mais essas quatro contas:

10% para a Conta de Poupança para Despesas de Longo Prazo;

10% para a Conta da Instrução Financeira;

50% para a Conta das Necessidades Básicas;

10% para a Conta das Doações.

Isso é apenas uma SUGESTÃO. Você deve adequar os princípios à sua realidade, contanto que não use sua realidade como desculpa para não construir o seu patrimônio e a sua prosperidade. Para reforçar: não se trata de quanto dinheiro entra, e sim do que a pessoa faz com ele. Logo, faça com o seu dinheiro a coisa certa.

Agora é só aguardar a chegada do seu pagamento para depositá-lo nas contas. Lembre-se do princípio que já falei quando escrevi sobre o livro O homem mais rico da Babilônia: “Pague-se primeiro.”

Quando você aprender a colocar as suas finanças sob controle, todos os setores da sua vida andarão bem.

Independentemente de quanto dinheiro você possui, comece a administrá-lo agora.

ARQUIVO DE RIQUEZA 15

As pessoas ricas põem o seu dinheiro para dar duro para elas. As pessoas de mentalidade pobre dão duro pelo seu dinheiro.

 Em vez de dar duro pelo dinheiro, aja de forma inteligente para que o dinheiro trabalhe para você.

A meta é tornar-se financeiramente livre tão rápido quanto possível.

Herv Eker define liberdade financeira como a capacidade de viver o estilo de vida que você deseja sem precisar trabalhar nem depender do dinheiro de alguém.

Você se torna financeiramente livre quando o seu rendimento passivo excede suas despesas.

E o que é preciso fazer para isso: INVESTIR. Se a pessoa não montar o seu próprio cavalo de investimento bem cedo e cavalgar excepcionalmente bem, ficará presa na armadilha de precisar trabalhar para sempre.

As pessoas ricas equilibram os seus gastos e prazeres de hoje com os investimentos necessários para a liberdade financeira.

Para aumentar a sua riqueza futura, você terá que ou ganhar mais ou gastar menos. Decida-se!

Por que compramos tantas coisas inúteis e desnecessárias?  Comprar coisas para o prazer imediato não passa de uma tentativa fútil de compensar a insatisfação com a vida. Em geral, gastar um dinheiro que você não tem é a manifestação da vontade de viver emoções que já estão a seu alcance.

O gasto excessivo e a necessidade de gratificação imediata têm pouco a ver com o que você está efetivamente comprando e tudo a ver com a falta de satisfação na sua vida.

Descobrir o que fazemos, porque fazemos e combater as causas das nossas ações impulsivas e imediatistas é um grande passo avançado. Essa descoberta pode nos ajudar a conter a ânsia de gastar com coisas sem sentido.

Se gastar o seu dinheiro de forma desmedida como antes, nunca será financeiramente livre. Controle seu dinheiro e, sobretudo, sua mente.

“Os ricos possuem muito dinheiro e gastam pouco, ao passo que as pessoas de mentalidade pobre têm pouco e gastam muito.” Isso explica muita coisa, não é verdade? 

Outro princípio de riqueza é: “Os ricos consideram cada real que possuem uma “semente” a ser plantada para render outros 100, que podem ser replantados para render outros 1.000 e assim por diante.”

Nesse processo de mudança e construção do patrimônio líquido, estudar é fundamental. “O segredo é instruir-se. Aprenda sobre o mundo dos investimentos. Familiarize-se com os vários tipos de investimento e instrumentos financeiros, como imóveis, hipotecas, ações, fundos, letras de câmbio, moeda estrangeira, TUDO O QUE ESTEJA AO SEU ALCANCE.

Algumas dicas de revistas e jornais do setor financeiro: Exame, Isto É Dinheiro, Gazeta Mercantil e Valor Econômico.

ARQUIVO DE RIQUEZA 16

As pessoas ricas agem apesar do medo. As pessoas de mentalidade pobre deixam-se paralisar pelo medo.

É possível não ter medo?  Claro que não. O medo faz parte da nossa natureza. Coragem não é a ausência de medo. Coragem é a capacidade de agir mesmo estando com medo, dúvida ou preocupação.

Você tem que agir, tomar medidas concretas para vencer. A ponte entre aquilo que você deseja e o alcance do que deseja é a AÇÃO. Temos que aprender a agir mesmo quando não temos vontade. Disciplina é fazer o que tem que ser feito mesmo sem vontade.

Existem dois tipos de pessoas: as que se deixam deter e as que não se deixam deter. Você deve ensinar a si mesmo a não se deixar parar por nada neste mundo. 

Se você só estiver disposto a realizar o que é fácil, a vida será difícil. Mas, se concordar em fazer o que é difícil, a vida será fácil.

Saia da sua zona de conforto. Confortável é o lugar onde você está agora. Se o seu objetivo é atingir um novo patamar de vida, tem que sair da sua zona de conforto e praticar ações desconfortáveis.

As pessoas de mentalidade pobre não se dispõem a sentir desconforto. Elas querem sempre se sentir seguras, ainda que de forma aparente, movidas pelo medo e pela insegurança. 

O conforto é algo supervalorizado. Ele faz com que a pessoa sinta aconchego e segurança. Sabe qual o problema do conforto?  Ele não te permite crescer. E você só poderá crescer de verdade se estiver fora da sua zona de conforto.

Caso você deseje ser rico e bem-sucedido, trate de aprender a se sentir bem com o desconforto. Quanto mais confortável você quiser se sentir, menos riscos se disporá a correr, menos oportunidades desejará explorar, menos pessoas conhecerá, menos estratégias desenvolverá. Quanto mais o conforto se torna uma prioridade em sua vida, mais contraído de medo você fica. Por outro lado, expandindo a si próprio, você amplia sua zona de oportunidade.

Ninguém nunca morreu de desconforto, mas a aspiração ao conforto já matou ideias, oportunidades, ações e crescimento. Acomodação é morte.

O conforto aniquila. Se a sua meta na vida é se sentir confortável, eu lhe garanto duas coisas: primeiro, você nunca ficará rico; segundo, jamais será feliz.

Eu estava no caminho de descobrir o significado de felicidade. Até que esse livro me ajudou a entender que: A felicidade surge como resultado de estarmos no nosso estado natural de crescimento e vivendo o máximo de nosso potencial.

Tudo é desconfortável no começo; porém, se você se mantém firme e insiste, acaba superando a zona de conforto. E vence.

Nada era mais desconfortável para mim que frequentar uma academia. Depois de dois anos insistindo, agindo e superando, não consigo mais ficar um dia sem malhar. Isso inclui sábados, domingos e feriados. 

Outro exemplo: o início de uma dieta é quase fisicamente doloroso. Depois de um tempo, sua mente rejeita todas aquelas guloseimas desnecessárias e que não te traz benefício nenhum. Posso garantir que é a mais pura verdade. Convido meus leitores a fazer a partir de agora tudo aquilo que tanto desejam. O início do ano é um ótimo momento para isso. Ficarei muito feliz se conseguir despertar a semente da mudança, da ação e da transformação na vida das pessoas.

Com a leitura também é assim. Passe a ler um livro pelo menos por meia hora todos os dias. Daqui a pouco você não conseguirá mais viver sem leitura. Afinal, somos criaturas de hábitos. É necessário saber e praticar. Conhecimento sem ação não muda a vida de ninguém. Conhecimento seguido de ação é sabedoria.

Pratique agir apesar de tudo e aja mesmo quando não estiver com vontade de fazer isso.

Vou contar uma história para vocês: no feriado do Natal de 2018, não pude frequentar a academia, porque estava fechada. Assim, baixei um aplicativo de exercícios físicos no meu celular para treinar em casa. Eis que eu estava lá malhando com toda vontade e garra do mundo e cai uma chuva imensa, com trovões estrondosos e relâmpagos de dar medo. A energia foi embora e estava tudo escuro. Como estava usando meu celular para visualizar os exercícios que estavam sendo ensinados no aplicativo, sem parar de malhar, apesar daquela situação, chamei o meu marido para ligar a lanterna do celular dele para que eu pudesse continuar. Ele fez o que pedi, deu risada, é claro, pois achou inusitada aquela situação e disse: O mundo desabando e você aí malhando. Eu estava feliz fazendo aquilo e terminei o treino mais feliz ainda. Sabe aquele sentimento de missão cumprida?  A chuva parou, a energia voltou e eu cumpri o compromisso que tinha de exercitar o corpo mesmo em circunstâncias atípicas.

Outra história: ando muito empolgada com o tema finanças. Estou me apaixonando por esse assunto, tanto é que li esse livro e, também, O Homem mais Rico da Babilônia. Estou disposta a estudar e ler muito mais sobre o universo financeiro. 

Meu marido, ele de novo, pergunta se um sapato que estou usando é novo. Digo que não, pois tenho muitos sapatos, e afirmo que não comprarei novos sapatos, roupas nem bolsas pelos próximos cinco anos. Ele dá risada outra vez (com razão). E eu dou a cartada final: pode rir. Depois vou te mostrar o saldo da minha conta bancária. A verdade é que estou disposta e firme no sentido de viver uma vida frugal e minimalista. A Bíblia, que continua sendo para mim a melhor obra de todos os tempos, nos recomenda a viver com o necessário.

E a gente ri junto. Continuo agindo apesar das risadas. Mas, tudo bem, ele é o meu amor.

Agora, chega de romantismo. Voltemos às finanças.

Se quiser ser rico precisará treinar sua mente para pensar de forma diferente. Saber treinar e manejar a própria mente é o maior talento que se pode ter na vida, tanto em termos de felicidade quanto de sucesso.

Como treinar sua mente? 

Primeiro, por meio da observação. Quando identificar pensamentos desfavoráveis, substitua-os imediatamente por outros positivos e favoráveis. Decida agora mesmo que a sua vida será melhor. Você pode escolher seus pensamentos.

Vou explicar melhor: esses dias, meu irmão mais velho fez uma viagem e não me avisou. Sei que ele não tem obrigação de avisar, mas eu gostaria que avisasse. Enfim, ele não avisou. Comecei a pensar: que falta de consideração, ele devia ter avisado, isso não se faz e blábláblá, mimimi… Até que minha mente gritou: STOP! Claro que não: ele não te avisou porque sabe que você é muito preocupada e, sabendo da viagem, não ficaria em paz. Essa é a verdade?  Sinceramente não sei. Mas pelo menos foi um pensamento que me proporcionou paz e isso é tudo.

As coisas têm o significado que damos a elas. Com o pensamento poderoso, nós compreendemos que tudo é neutro, nada tem significado, exceto aquele que nós mesmos atribuímos – nós criamos a nossa história e damos a cada coisa o seu sentido.

Como aplicar o pensamento poderoso? 

Observe a si próprio e os seus padrões de pensamento. Acolha somente aqueles que contribuam para a sua felicidade e o seu sucesso. Desafie a voz dentro da sua cabeça sempre que ela lhe disser: “Não posso”, “não quero”, “não estou a fim”. Não deixe que a voz do medo, que a voz do conforto seja mais forte do que você. Faça um pacto consigo mesmo: sempre que a voz tentar impedi-lo de realizar alguma coisa, você continuará de qualquer forma, para mostrar à sua mente que é você quem manda, e não ela. Assim, aumentará a sua confiança de maneira espetacular, enquanto a sua voz, reconhecendo que tem pouco poder sobre você, se pronunciará cada vez menos.

ARQUIVO DE RIQUEZA 17

As pessoas ricas aprendem e se aprimoram o tempo todo. As pessoas de mentalidade pobre acreditam que já sabem tudo.

Passamos a morrer quando paramos de aprender. Sendo assim, passe de sabe-tudo para aprende-tudo. As pessoas de mentalidade pobre estão sempre tentando provar que estão certas. Ou você está certo ou você é rico, nunca as duas coisas ao mesmo tempo.

Esteja sempre disposto a aprender e a saber mais, mas sempre duvide do que sabe. Esteja aberto a novos modos de pensar, novas ações e, portanto, novos resultados. Continue a aprender e a crescer. Nada neste mundo é estático. Tudo que é vivo muda o tempo todo. Se você se mantiver fazendo o que sempre fez, continuará conseguindo o que sempre conseguiu. Se você não estiver aprendendo continuamente, será deixado para traz.

Aprender não custa caro. É  um investimento. Lembra-se da sugestão de destinar parte de seus rendimentos para a instrução? É isso. Aplicar naquilo que te beneficiará.

Sabe por que a maioria das pessoas que ganham na loteria ficam novamente pobres em menos de 5 anos? Porque essas pessoas não souberam administrar o que ganharam. Porque não se instruíram. Porque não agiram de forma inteligente. Porque não fizeram o trabalho interior de primeiro ser para só depois fazer e ter. Não podemos ter para só depois fazer e ser, sob pena de você perder tudo. Para ganhar o máximo, você primeiro tem que ser o máximo.

Benjamim Franklin disse: Se você acha que a instrução é cara, experimente o preço da ignorância.

Conhecimento é poder. E poder é a capacidade de agir.

Nós podemos aprender a vencer em qualquer coisa. Sucesso também é algo que se aprende. Não importa onde você está agora – o essencial é que esteja disposto a aprender.”

A maneira mais rápida de ficar e permanecer rico é trabalhar no seu próprio desenvolvimento. A ideia é você se aprimorar para se transformar em alguém bem-sucedido.

Dedique muita atenção e energia a aprender continuamente e, ao mesmo tempo, escolha com cuidado a pessoa que lhe fornecerá conhecimentos e conselhos. Mas esteja disposto a aprendê-los e utilizá-los.

E o que você deve fazer depois que aprendeu todos esses ensinamentos?

Aplicá-los.

Ler é um bom começo, mas, se você quer vencer no mundo real, são as suas ações que contam.

Guarde na memória o que você aprendeu. No fim, você se posicionará diante da vida e, sobretudo, diante do dinheiro de um modo totalmente diferente.

Para que a mudança seja permanente, ela deve ter uma base celular – a programação do seu cérebro tem que ser refeita.

Sugiro que adquira esse livro, marque os pontos importantes e revise-os continuamente com a finalidade de nunca esquecê-los. Afinal de contas, a repetição é a mãe do aprendizado.

Por último, eleve seu grau de consciência. Consciência é observar os pensamentos e as ações para poder agir com base em escolhas verdadeiras feitas no presente, e não na programação passada. Quando cada indivíduo aprimora o seu grau de consciência, a consciência de todo o planeta se eleva – passando do medo à coragem, do ódio ao amor e da escassez à prosperidade para todos.

O valor desse livro é imensurável. Tenho certeza que dá para aplicar os princípios aqui dispostos em muitos setores de nossas vidas. Para mim, a leitura e a compreensão dessa obra foi um pontapé para rever pensamentos, sentimentos, comportamentos e atitudes. Os livros têm essa capacidade de transformação. 

Franz Kafka escreveu: Queremos livros que nos afetem como um desastre. Um livro deve ser como um machado diante de um mar congelado em nós. Esse livro me afetou e muito.

Desejo a todos que aproveitem esse texto ao máximo. Cada vez que leio ou escrevo sinto que me torno uma pessoa melhor e, ainda mais realizada, quando posso ajudar alguém a se tornar melhor.

Feliz 2019!

Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Brasília molhada de chuva e eu me ponho a escrever sobre Vidas Secas. Paro e penso na aridez do sertão, palco da travessia da família que protagonizou a narrativa, e até acho que estou sendo ofensiva com os personagens de Graciliano. Que eles me perdoem!

Fabiano, sua esposa sinhá Vitória, seus dois filhos, o mais velho e o mais novo, o papagaio e a cachorra Baleia estão fugindo da seca do sertão com destino ao sul.

O casal crê na possibilidade de uma vida melhor, num lugar onde os filhos possam entrar para a escola. A esperança é que os guia. A fome e a sede os acompanham.

Neste palco, o papagaio é a primeira vítima. Num dia de aguda escassez, como em muitos outros, este animal serve de alimento para a família. Afinal, ele nem falava! – desculpou-se sinhá Vitória, como se devêssemos ser sacrificados pelo não cumprimento de nossas funções.

Num outro dia em que o cansaço os invade, devido à longa caminhada, o filho mais velho cai no chão. Fabiano perde a paciência: Anda, condenado do diabo. O filho não reage. Anda, excomungado. O filho se mantém inerte.  O pai sente pena. Carrega-o em seus braços. Fabiano tinha esses momentos de pura animalidade. Sabia-se bicho. Um bicho que por vezes se humanizava.

Durante o trajeto, a família se instala numa fazenda. A seca parece dar uma trégua. Tem comida, tem água, tem um pouco de dinheiro pago a menor pelo patrão. Sinhá Vitória sabe fazer conta. Alerta o marido que ele está sendo passado para trás. Fabiano se revolta com a injustiça. Chega a questionar o patrão que o repreende com desaforo.  O sertanejo põe o rabo entre as pernas. Afinal, melhor pouco do que nada.

Fabiano se dirige a um povoado próximo para comprar mantimentos. Chegando lá, acaba se entretendo numa partida de jogo. Um dos jogadores é um soldado (o soldado amarelo). Há um desentendimento entre eles. Fabiano mal sabe se defender diante da escassez de seu vocabulário. Até que xinga a mãe do soldado. Vai preso. Fabiano se revolta. Pensa em fazer besteira. Mas tem a família. Pensa que Sinhá Vitória deve estar preocupada e a sua espera.

No outro dia, volta para casa. O filho mais novo admira o pai de longe e o tem por seu herói. O filho mais velho admira as palavras. Ao ouvir uma senhora pronunciar “inferno” quer saber o significado. Pergunta para a mãe que lhe recebe com xingamentos. Diz que não deve ser nada bom e que fosse perguntar ao pai. Este também não lhe dá confiança. O filho mais velho não consegue entender como uma palavra tão bonita quanto inferno possa significar algo ruim. Dava para notar que suas vidas não eram secas apenas de água, mas também de palavras, significados, gestos e expressões.

Quem muito se expressa é a cachorra baleia. Mais humana que muita gente. Só faltava falar. Mas, como sentia. Mesmo com fome ficava quietinha no seu canto esperando a parte que lhe tocava – os ossos. Era quase uma parente. Se a família conhecesse a palavra amor e um pouco do seu sentido, talvez dissesse que amava Baleia. Mas Baleia parecia amá-los com o seu olhar de paciência e resignação.

Baleia adoece. O casal tem medo de que a doença pegue nos filhos. Fabiano decide matá-la para não contaminá-los. Os filhos sofrem. Sinhá Vitória se resigna. A vida deles é mais importante. Até os bichos protegem suas crias. Por que Fabiano não faria o mesmo? Baleia morre sonhando com um mundo de preás, pois passou muita fome junto à família.

Viva, Sinhá Vitória também tinha o seu sonho. Queria uma cama para dormir. Quem sabe dormindo no aconchego conseguiria sonhar um pouco mais?

Num dia qualquer, o acaso ou o destino põe Fabiano novamente às caras com o soldado amarelo, o mesmo que outrora o prendera. Desarmado, o soldado teme, porque quem deve às vezes foge-lhe a coragem. Fabiano pensou em matá-lo. Mas quantos outros o Estado haveria de ter? Quantos mais a praticar abusos? Matar somente um único não resolveria o problema, pensou Fabiano. Deixou que o soldado amarelo, agora de medo, fosse embora.

Cá, eu penso, quantos, indignados com um determinado governo, desejam o seu extermínio parecendo desconhecer que o mal não mora apenas em um indivíduo? Fabiano não era tão ingênuo. Bicho que é, sente. Homem que é, pensa.

A seca mais uma vez assola. Sem água, sem comida, sem papagaio, sem baleia e sem rumo a família põe-se a andar mais uma vez pelo sertão. Quem sabe a cidade estivesse próxima. Quem sabe a tão sonhada vida melhor, a escola dos filhos, a cama de Sinhá Vitória. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era.

Andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, sinhá Vitória e os dois meninos.

A esperança mais uma vez os guia. Torno a me lembrar, como quase sempre, o que Clarice Lispector disse: A esperança não tem olhos, é guiada pelas antenas. A família de Fabiano tinha as antenas ligadas. É preciso ter antenas ligadas para sobreviver. O instinto de sobrevivência acompanharia essa família de bichos, conduzida por Fabiano, o bicho-homem.

A morte de Ivan Ilitch, de León Tolstói.

Escrevo sobre A morte de Ivan Ilitch diante de uma paisagem esverdeada, sentada num banco debaixo de uma árvore, sentindo o vento tocar em meu rosto, ouvindo o canto dos pássaros, o cheiro das flores e o gosto da vida.

Ivan Ilitch era um homem de 45 anos quando de sua morte. Casou-se menos por amor e mais pelos ditames sociais. Teve dois filhos. Trabalhou como magistrado. E morreu. Morreu só, nas mesmas circunstâncias de seu nascimento e de toda sua vida – só!

Ao saber de sua morte, os assim chamados amigos do trabalho já murmuravam entre si sobre quem o sucederia ao cargo no Tribunal, mal podendo esperar por esse momento.

Diante da doença de Ivan Ilitch, esposa e filha se afastavam cada vez mais. Cada uma ocupada com seus afazeres cotidianos, sem que nada pudesse atrapalhá-las. Ilitch sentia o peso do abandono. Deitado numa cama, seu grau de impotência só aumentava. Inútil, era um peso para todos, pensava. Todos queriam se livrar dele, sentia. Sofria.

Sua casa, que por ele mesmo fora decorada para receber e alegrar os familiares, transformou-se num lugar vazio, senão de corpos, de almas.

Médico nenhum descobrira a causa de seu mal, nem mesmo os melhores especialistas. Esperança já não havia. A força acabara. O medo tomara conta. E a angústia de sua alma fazia com que o fim chegasse ainda mais rápido.

Pudera contar com a ajuda de um serviçal de nome Gerassim, que passou a ser a sua companhia e o seu consolo, se é que tinha algo que o fizesse consolar. Movido de compaixão e, quem sabe, de gratidão, Gerassim passou a cuidar de Ivan Ilitch com a paciência que faltava aos próprios familiares.

Gerassim virava-se de costas para que Ivan Ilitch pudesse colocar os pés em seus ombros, pois foi a melhor posição encontrada por Ilitch para aliviar um pouco a sua dor física. Enquanto isso, os demais continuavam suas vidas normalmente. A abundância de saúde avistada nos outros causava-lhe raiva. Afinal, por que ele?

O filho fitava-o sem nada lhe dizer, mas parecia entendê-lo lançado-lhe olhares de compaixão ou de pena. Inertes, pai e filho, nada podia ser feito. Apenas esperar o fim.

Era verdade, como disse o médico, que a dor física de Ivan Ilitch era terrível, mas, pior do que ela eram seus sofrimentos mentais, sua pior tortura.

Diante da iminência da morte, Ivan Ilitch se questiona: Vivera da melhor forma? Era isso? Perguntava-se: Fiz a coisa certa? Mas o que é a coisa certa?

Sabia que tinha vivido num ambiente hostil e de hipocrisia, no entanto deixara-se levar por ele. O tempo passou, a doença chegou, a vida se foi.

Três dias e três noites de sofrimentos terríveis e depois a morte.

Última página do livro e a morte de Ivan Ilitch atinge o meu peito. Olho a paisagem ao meu redor e o verde se transformou em preto e branco. Estou no mais profundo silêncio.

Hamlet, de Willian Shakespeare.

Claro que tinha ouvido falar de Shakespeare pelo seu tão famoso Romeu e Julieta. Mas Hamlet me era desconhecido até o momento em que assisti uma palestra no programa Café Filosófico, na TV Cultura, em que o professor e historiador Leandro Karnal comentava suas impressões sobre o livro, bem como a influência que a peça tem em sua vida.

Depois disso, fui tomada por uma curiosidade que me fez ler Hamlet o mais depressa possível. Acho que foi o primeiro clássico da literatura inglesa que li.

E o que é um clássico? Livro clássico é uma obra atemporal que tem a capacidade de dizer algo sobre o momento em que se vive independentemente da época em que se vive. Ele pode ter sido escrito há séculos, mas as impressões que causam são sempre muito atuais.

O livro clássico é aquele que teria tocado nossos tataravós e, provavelmente, tocará nossos tataranetos. Ele teve, tem, sempre terá algo a dizer, e funde, num só tempo, o presente, o passado e o futuro.

Pois bem, dito isso, vamos à história em si.

Hamlet-pai é o rei da Dinamarca que morre, mesmo a despeito de ser um Rei. Hamlet-filho depara-se com o possível fantasma do pai pedindo-o que vingue sua morte, a qual alega que fora tramada pelo próprio irmão Cláudio, movido pela única finalidade de herdar o poder.

Entretanto, Cláudio não só herda o poder como também “herda” a mulher do irmão, Gertrudes (mãe de Hamlet). Disse o fantasma: Assim, dormindo, pela mão de um irmão, perdi, ao mesmo tempo, a coroa, a rainha e a vida.

Esses acontecimentos (morte do pai e casamento da mãe com o tio) causam uma reviravolta tão intensa no âmago de Hamlet que ele passa a viver em função de uma única causa, a qual é fiel até o fim, vingar a morte do pai.

Hamlet sofre profundamente. É um melancólico que não faz questão de fingir felicidade a quem quer que seja. Ele está diante de uma verdade dura, de uma perda dolorosa, de um ato de traição. E, como se não bastasse, é obrigado a presenciar a união de sua mãe com o seu tio quase antes do enterro do pai. Hamlet observa a mãe: Oh, olha só o ar fagueiro da senhora minha mãe. E meu pai morreu não tem nem duas horas.

Hamlet perde o pai, perde a confiança na mãe, no tio, nos “amigos” Rosencrantz e Guildenstern, que tentam subvertê-lo por ordem do rei Cláudio. Hamlet não tem a mais ninguém, salvo ele próprio, e conta apenas com a ajuda de seu único amigo, Horácio.

Aos olhos de todos, Hamlet está enlouquecido, pois só sendo louco para dizer as coisas que diz. A loucura provém de seu amor por Ofélia? É o que todos se põem a acreditar como se não houvesse algo “mais podre no reino da Dinamarca”.

Todos fingem, porém Hamlet é fiel ao pai e a si mesmo e quem é fiel a si mesmo nunca será falso com ninguém, diz Polônio ao aconselhar o filho Laertes.

Hamlet declara que poderia ser feliz numa casca de noz como quem diz que é a sua consciência o seu guia. E essa consciência o orienta até o fim de seus dias.

A sensação que tenho ao ler e reler esse livro é a de que uma lucidez se descortina em minha frente e me faz capaz de perceber muito além do que um ser já considerado lúcido é apto a enxergar.

Diante de Hamlet tenho uma consciência brutal que não me faz mais ou menos feliz, no entanto me mantém distante da mediocridade, do fingimento e da falsidade. Ó Deus, ó Deus! Como são enfadonhas, azedas ou rançosas todas as práticas do mundo! Ó tédio, ó nojo!

Não posso e nem quero dizer mais nada. Sigo o conselho hamletiano que sugere que eu tenha os olhos abertos e a língua imóvel. O resto é silêncio.

Água Viva, de Clarice Lispector

Tenho uma grande admiração por Clarice Lispector desde os tempos de menina. Posso dizer que é a minha escritora preferida.

E essa preferência nada tem a ver com um conhecimento profundo que eu tenha sobre Literatura.

Sinto Clarice. Sinto suas palavras em minhas entranhas e chego a pensar que ela estava muito certa quando disse: “O leitor é o escritor”. Sim. Eu sou Clarice. E digo isso com a sua própria permissão, inscrita no livro A descoberta do mundo.

Adquiri Água Viva,  primeiro pela beleza da edição, e depois porque ainda não o havia lido. Ocorre que acabei deixando-o como enfeite numa minibiblioteca que mantenho em casa.

Até que um dia, ao ler “Só as mães são felizes”, de Lucinha Araújo, chamou-me a atenção ela mencionar que seu filho Cazuza era um profundo admirador de Clarice e, mais tarde, ao assistir uma entrevista com o próprio cantor, ele declarou ser “Água Viva” um de seus livros prediletos.

Assim, minha curiosidade sobre o livro foi atiçada e resolvi tirá-lo da estante.

Água Viva não se configura numa história linear. São fragmentos escritos de uma pessoa que ama ao ser amado. Parece uma carta ao tempo em que não se assemelha a gênero algum. São palavras soltas – às vezes de um entendimento cristalino; outras, intraduzíveis. Parecem falas desordenadas que vão se ordenando à medida em que toca o mais íntimo de quem lê.

E a leitura flui como um rio que deságua não sei onde. Vai se sentindo, achando significados próprios dentro do ambiente caótico do escritor que é também o do leitor.

É um livro que fala de Deus, do feio, da solidão, da desorganização, do medo, do instante-já, da loucura, do amor, da liberdade, dos dias da semana, das flores, dos bichos, da morte, da vida.

É denso!

“Ninguém me prende mais”.

“Amor demais prejudica os trabalhos”.

“Vivo à beira”.

“Eu que detesto o domingo por ser oco”.

“Queria tanto morrer de saúde como quem explode”.

Clarice me prende é pelos pés. E eu tento correr à galope como um cavalo. Mas, quem me prende de fato? Provavelmente, eu mesma. Sim, Clarice. Eu sou você e você sou eu! O que você escreve continua. ” Estou enfeitiçada”. Continue…