Grande Sertão: veredas

Não foi no primeiro contato com o livro “Grande Sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa, que consegui dar prosseguimento à leitura.

Ao abri-lo na primeira página: “- Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não. Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade.”

Pensei: Ah! Este volta para a estante. Dou conta dele agora não.

Lá ficou por um bom tempo, até que um amigo revelou ter lido “Grande Sertão: veredas” quatro vezes e, caso tivesse de levar apenas um livro para uma ilha deserta, seria a consagrada obra de Rosa.

Despertada a minha curiosidade, decidi que começaria a lê-lo no primeiro dia de um período de dez dias de férias.

Intuí que seria uma viagem inesquecível, como nenhuma outra, onde haveria um mergulho profundo na alma humana, verdadeiro Grande Sertão que constitui o cerne da narrativa.

Engana-se quem pensa que o Sertão, de Rosa, reduz-se a um mero espaço geográfico. “O sertão está em toda parte”, alude logo no início, e sugere, pois, que o homem é homem onde quer que esteja.

Trata-se de uma instigante travessia que fiz sozinha, com meus próprios pés e sem mãos que me apoiassem. Bem imaginei que, ao fim da leitura, jamais seria aquela que ousou, num ato de coragem e bravura, transpor as linhas iniciais.

O Sertão me atravessou por inteiro. Eu atravessei o Sertão. Desemboquei na terceira margem do rio, que não parou de correr, mesmo quando eu mais quis. Ou não quis?

Há sede em todo lugar. E há veredazinhas aqui, ali, acolá…

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