Amor puro

Ao vê-lo pela primeira vez sentiu o coração aquecido e aquele desejo ardente de amor puro. Não era vertigem, antevia. Alguma coisa naquela voz despertava-lhe anseios adormecidos. Lembrou-se de quando tinha quinze anos, tão próximos na memória, mas já distantes no tempo. As lembranças das primeiras vezes eram as únicas que não restavam de todo esquecidas. Aquele olho no olho, a boca sedenta a lhe dizer “você é como o sol” e, depois, a boca ainda aberta.

Perseguiu-a como quem quer por prêmio um objeto precioso, mesmo que esperasse alguns anos. Teve o que quis. Mais do que imaginou. E teve muito que nem ao menos soube o que fazer com tanto ouro.

Mas agora não era uma menina, embora o sentir em tudo se igualasse. Só sabia que o queria. E longe ele estava e haveria de ficar. Contentava-se com a voz que lhe sorria pelo tom. Amava de longe. Sentia-o com a alma a arder mais que o sol. Pensar no homem algumas horas por dia, antes de dormir, após acordar. Mas o pensamento não lhe obedecia. Ao cair da tarde, ele.

Ah! Como é bom apaixonar-se depois de tanto tempo. A paixão por si mesma, o objeto longe, imune à posse que mata. E a paixão se transformando em amor. E o amor evaporando pela pele, irradiando por meio da distância, atingindo-o.

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