Esse livro foi escrito há mais de dois mil anos e trata-se de um manual de estratégia militar. Entretanto, alcançou diversas áreas do conhecimento, podendo ser aplicado, inclusive, nas nossas pequenas guerras diárias.
Qualquer Estado que se põe a guerrear tem por finalidade um único objetivo: vencer. Conosco, não funciona de forma diferente. Nossa guerra é a vida, o dia a dia, os afazeres, as obrigações. E o que queremos é vencer, passar por tudo de maneira incólume, ainda que nem sempre seja possível. Nessa busca por vencer, podemos voltar feridos ou derrotados, como acontece com muitos soldados numa guerra. Por outro lado, podemos voltar vitoriosos.
Atualmente, não estamos nos preparamos para uma guerra no sentido que o livro nos traz: luta entre nações, como aquelas ocorridas em 1914 e 1939, no entanto, todos os dias é um dia de combate, ainda que não tenhamos que pegar em armas. Dentre todos esses combates que enfrentamos, elegi um para aplicar os conhecimentos adquiridos com a leitura de A arte da guerra. Antes, quero lembrar que arte pode ser entendida como habilidade ou disposição dirigida para a execução de uma finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada e racional. Resolvi, pois, então sobre a guerra dos que se empenham para passar num concurso público.

Capítulo I – Estude bem e terá melhores condições de ganhar a guerra.
Para ganhar uma guerra é preciso derrotar o inimigo. Para passar num concurso é preciso derrotar a si mesmo: sua preguiça, indisposição, procrastinação, suas desculpas, emoções, descontroles e fugas.
Foco e persistência devem ser direcionados. Para ter foco é preciso disciplina, e para continuar persistente é necessário estar motivado.
São cinco os aspectos sobre a arte da guerra:
Doutrina: é seguir o seu objetivo sem temer qualquer perigo (banca examinadora, concorrência, nível de dificuldade da prova, etc.) e estar disposto a fazer tudo em nome dele.
Tempo: refere-se ao momento certo para se dedicar às atividades que vão ao encontro do seu objetivo: madrugada, tarde, noite, horário de almoço, durante o trajeto para o trabalho, nos minutos vagos do dia…
Terreno: diz respeito ao melhor espaço para batalhar em prol do seu objetivo. Pode ser seu quarto, uma biblioteca, na sala, na cozinha, no quintal. É necessário se atentar para a iluminação, o conforto da poltrona e o isolamento de ruídos.
Liderança: refere-se à sua sabedoria e ao seu talento na condução da busca do objetivo, o qual consiste em passar na prova. Você é o general a conduzir o seu Exército para a guerra e é de responsabilidade do general manter o Exército decidido e motivado.
Disciplina: refere-se à forma como você organiza suas forças, as responsabilidades que devem ser cumpridas, ao respeito pelo seu desejo de vencer, ao fornecimento dos meios para a conquista e à gestão dos recursos que você tem nas mãos (tempo, planejamento, estratégia, espaço, materiais, etc).

Conhecendo esses cinco aspectos, e os compreendendo, você poderá comandar e vencer a batalha. Do contrário, fracassará.
Tenha, pois, consciência do seu dever, seja competente, disciplinado, forte e bem treinado. Obedeça esses comandos e conquistará a vitória.

Capítulo II – Foque na vitória, e não no quanto a guerra vai demorar.

Entretanto, lembre-se: é necessário vencer o mais rápido possível. Por que? Uma guerra prolongada pode desgastar o exército, abalar a confiança dos soldados em si mesmos e esgotar sua disposição.
Se ficarmos muito tempo nos preparando para passar num concurso podemos ficar desanimados, desgastados. Nosso foco pode ser abalado. E a persistência desencorajada. Corremos o risco de cansarmos e deixarmos de acreditar que algum dia a guerra será vencida. Portanto, foque na vitória e execute os atos necessários para vencê-la o mais rápido possível. Você vai economizar tempo, dinheiro e todos os demais recursos empregados nessa guerra. Faça com que seu principal objetivo seja vencer a guerra, e não prolongar. Passe logo!

Capítulo III – A melhor estratégia é promover a rendição inimiga sem nem mesmo ter lutado.

Já falei que o seu inimigo na luta para vencer a guerra do concurso é você mesmo. Renda-se, portanto, a si mesmo. Pare de dar desculpas, de procrastinar, de lutar contra uma matéria que você não gosta (ela não precisa de você, mas você precisa dela), de dizer que não tem tempo, dinheiro, disposição. Quanto mais tempo você emprega na luta contra o seu inimigo, sem obter sucesso, mais ansioso, raivoso e fracassado você se sentirá. Conheça a ti mesmo e vença-te!
Essas situações devem ser analisadas:
1. circunstâncias favoráveis;
2. uso de diferentes táticas;
3. preparo com antecedência;
4. capacidade de comando (comande a si mesmo);
5. conheça suas próprias forças e fraquezas (invista mais em suas fraquezas, mas não ache que tem tanta força assim que não possa estudar e treinar mais um pouco a matéria que você sabe mais).

Capítulo IV – A garantia de que não seremos derrotados está em nossas próprias mãos.

Não é preciso falar mais nada, não é mesmo? Certifique-se, portanto, das oportunidades que lhe surgirem, trace estratégias e crie condições para vencer antes mesmo de lutar (planeje, estude e treine muito!)

Capítulo V – Para gerir o caos é necessário organizar e comandar.

Vencer a batalha do concurso exige organização e comando. Você é responsável pela gestão dos recursos que tem em mãos: tempo, espaço, materiais. Lembre-se também de gerir suas emoções para que a disciplina, o foco, a determinação não sejam prejudicados. E mais, sempre que necessário, DIGA MUITOS NÃOS para coisas ou situações que não são tão importantes nem irão contribuir para o alcance de seu objetivo. Não deixe seu inimigo (que é você mesmo) te confundir.

Capítulo VI – Na guerra, o simples desenhar de uma linha pode despistar o inimigo.

É preciso mobilizar o inimigo, e não permitir que ele nos mobilize, para vencer a guerra com flexibilidade e de forma preliminar.

Sabendo, mais uma vez, que você é o seu próprio inimigo, não se deixe imobilizar por si mesmo. Lembre-se dos benefícios que vencer a guerra do concurso lhe trará. Se estiver cansado, descanse, mas nunca desista!

Capítulo VII – Enfrente a confusão do inimigo com rigor, enfrente o ruído dele com a sua calma.

Procure o caminho curto e direto. O material adequado, os melhores professores, a maior quantidade de tempo disponível para se preparar, o melhor espaço para estudar. Transforme as dificuldades em benefícios. Se precisar de ajuda, procure o conselho dos melhores, pois, quando não se conhece a geografia, a presença de um guia é necessária.
Tenha calma e prudência. Enfrente seus ruídos internos e cale-os!

Capítulo VIII – Se o general puder entender as mudanças táticas e com elas se beneficiar, isso significa que ele entende como gerenciar um exército.

Administre bem os seus recursos, organize-os e saiba estrategicamente o que deve ser feito. Na preparação para a guerra não convém que façamos tudo que é do nosso desejo. Não é à toa que a rigidez militar exige hierarquia e disciplina. Hierarquize suas prioridades. É vencer a guerra do concurso? Então, foque nessa vitória!

Capítulo IX – Em uma guerra, o maior exército não é necessariamente o melhor.

Simplifique!Você não precisa de muita informação, muitos professores, muitos materiais. Você precisa dos melhores e específicos. Você não precisa passar 8 horas sentado numa cadeira. Você precisa de 3 horas diárias de estudo direcionado e de qualidade. E treino! Muitos exercícios da banca examinadora.

Capítulo X – Conheça o inimigo, conheça o seu lado, e aí você pode ganhar.

De novo, a frase socrática: Conheça a ti mesmo. Domine-se e a vitória será completa.

Capítulo XI – Um bom líder em guerra é como uma cobra que habita a montanha.

É necessário adaptar-se ao que é exigido para vencer a guerra. É preciso sempre alterar o modo de combate, renovando as táticas e fazendo com que o exército inimigo não consiga especular sua intenção.

Experiências vividas anteriormente podem nos mostrar a que situações devemos nos adaptar. Já fiz uma prova em que não treinei os exercícios da banca, e me dei mal. Na última prova prestada, foquei mais o estudo numa matéria em que foi cobrada apenas uma questão, e naquela em que não dei tanta atenção, por achar que sabia o bastante, errei seis questões.
Portanto, conheça suas florestas, seus obstáculos e seus terrenos íngremes, de outra forma não seremos capazes de transformar os problemas em vantagem.
Conheça como a banca examinadora cobra as questões. Se não sabe quantas questões por matéria será cobrada, estude todas com igual afinco.
Veja o que pode ser melhorado, faça um cronograma de estudos, adapte-o semanalmente, quinzenalmente ou conforme necessário. Separe mais horas de estudo para matérias que serão maior pontuadas e ajuste o programado conforme as exigências. Dance conforme a música! Deixe de ser um mimadinho que acha que a banca tem que se ajustar a você, as matérias têm que se adequar a você e o mundo tem que se curvar a seus pés. Cresça e encare a realidade!

Capítulo XII – Se não há nenhuma oportunidade de vencer, não use o exército apenas por usar.

Acabou de ser lançado o edital e a prova será daqui um mês. Você se preparou anteriormente? Se sim, se jogue. Se não, tenha consciência de sua realidade.
A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás lançou um edital para o cargo de Procurador Legislativo. Fiquei muito tentada a prestar o exame. Pagar inscrição, comprar materiais, passar horas estudando num curto espaço de tempo, gastar dinheiro para ir até o local da prova…
Mas, o senso de realidade ba-teu na mi-nha por-ta e eu a-bri. Minha preparação anterior não me capacitara o suficiente para encarar essa prova. Como usar meus recursos numa guerra que sei que teria pouquíssimas chances de vencer?
Prepare-se com antecedência! É sábio enfrentar e usar nossos recursos de maneira cautelosa.

Capítulo XIII – Se um líder é justo, ele se utilizará de espiões.

Devemos colocar espiões para seguir o inimigo com a finalidade de sermos providos de informações essenciais na busca por vencer a guerra.
Seja justo com você mesmo. Lembre-se de todo seu esforço, dedicação, abdicações. Seja o seu próprio espião. Permita também como espiões aqueles que você tem certeza que deseja sua vitória. Permita que eles tenham a liberdade de lhe dizer: estude mais um pouquinho. Eles são poucos, eu sei, mas existem. Entretanto, seja o seu principal observador. Monte suas estratégias, não utilize de superstições ou sorte. A sorte chega para quem age e age de modo certo.
Não se apegue às guerras perdidas do passado. Adapte-se e arranje um jeito novo de lutar. Você merece ser recompensado por tudo que já fez até aqui com o objetivo de vencer essa luta do concurso. Não deixe para trás todo o tempo despendido e o conhecimento apreendido durante o percurso. Seja disciplinado, obtenha as informações necessárias, utilize-se dos conselhos de quem mais sabe, das aulas dos melhores professores, dos materiais mais ricos e específicos. E treine muitas questões.
Não cruze os braços e lembre-se: É caminhando que se faz o caminho. Avante!

Mostrei-lhes que é possível aplicar o livro A arte da guerra na preparação para um concurso, no entanto proponho que leiam esse livro e aplique os seus ensinamentos nas guerras que vocês escolheram ou são obrigados a lutar.

Publicado por:leiturana

Meu nome é Ana Veiga, moro em Brasília e tenho paixão pela leitura e pela escrita. Ler e escrever são para mim "vícios desde o início". Leio por prazer. Escrevo por necessidade. E, nesse espaço, quero compartilhar com vocês os maiores ensinamentos que extraio dessas leituras. Espero que gostem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s