Vamos conversar sobre autoestima.

Um dos pensamentos mais impressionantes é aquele que nos certifica de que, embora haja mais de sete bilhões de pessoas no mundo, não há absolutamente uma que seja igual a outra. Isso significa, literalmente, que somos únicos e que não existe DNA ou impressão digital como a nossa impressa em qualquer outro canto do planeta.

Se isso não te causa no mínimo espanto, a mim causa. Na verdade, um misto de espanto e alegria. Deus não nos fez em série ou massa, muito pelo contrário, ele esculpiu cada um de nós de maneira que todos os seus filhos fossem exclusivos.

Então, por que você teima em abandonar a própria aparência ou identidade para se parecer com outra pessoa? No mínimo, você não deve gostar de você. E caso isso seja verdade, provavelmente está diante de um dos maiores problemas a ser enfrentado.

Diante da verdade incontestável de que você não pode se abandonar na estrada mais próxima, só resta desenvolver e manter, para o seu próprio bem, a sua autoestima. Estimar-se e gostar de si mesmo. Valorizar-se. Confiar em si próprio e em suas capacidades. Acreditar em você.

Clarice Lispector disse assim:

“Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.”

Respeitar o que é ruim em você nada tem a ver com a falta de empenho para modificar as coisas que te prejudicam ou refletem negativamente nos outros. Significa compreender as próprias falhas e imperfeições, sem julgamentos ou autopunição, aceitá-las e esforçar para promover mudanças que te trarão benefícios.

Entretanto, é importante lembrar que essas mudanças não terão efeito retroativo, de modo que aquilo que passou não mais pode ser modificado. Cumpre, portanto, seguir sempre em frente, o que só acontecerá se perdoarmos os erros do passado.

Jesus, em sua imensa sabedoria, proferiu que devemos amar ao próximo como amamos a nós mesmos. Há nesse comando um mandamento, ainda que implícito, de que temos que desenvolver a autoestima, sob pena de não sermos capazes de amar o outro.

E o que é o amor? Valho-me de um trecho inscrito em Coríntios que, embora não o defina, carateriza-o:

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Portanto, precisamos devotar a nós mesmos a paciência, a bondade, o cuidado e a justiça. Caso contrário, não teremos condições de ofertar isso ao outro. Precisamos agir com verdade para conosco, ainda que ela nos cause desconforto. Precisamos abandonar a praga da comparação, com vistas a deixarmos de lado a inveja, que é tão danosa e nos desvia de nós mesmos para desejar aquilo que não nos pertence.

A coisa mais insana que podemos fazer é nos comparar, pois não somos iguais a nenhuma das mais de sete bilhões de pessoas que existem no mundo. Temos gostos, pensamentos e aspirações diferentes.

Para ter certeza sobre nossos desejos é necessário buscar o autoconhecimento. Sócrates disse: “Conhece a ti mesmo”. Eu digo que, além de nos conhecermos, é preciso aceitar e estimar quem somos.

E se aquilo que você é não te agrada, busque o aprimoramento a partir da sua verdade e dos seus anseios e pare de imitar ou tentar ser igual ao outro.

Há uma frase que diz: “Seja você mesmo, pois todos os outros já existem.”

Gastamos muito tempo e energia quando recusamos ser aquilo que somos e não encaramos nossas limitações, quer para aceitá-las ou transformá-las.

Despendemos um esforço enorme ao travarmos uma batalha com quem somos para nos parecermos com fulano ou beltrano. E o pior de tudo é que será um esforço em vão, pois jamais conseguiremos alcançar tal feito.

Acredito que cada pessoa possui o seu próprio brilho e talento. Acredito também que não precisamos torcer para que o outro viva em trevas imaginando que o talento dele apagará as nossas luzes.

Todas as estrelas brilham sem ofuscar umas às outras. O sol inaugura seu espetáculo luminoso durante o dia e a noite cede espaço para que a lua possa reinar e brilhar.

Precisamos nos concentrar em nossas qualidades, ajustar as nossas falhas, perdoar os erros cometidos no passado e buscar o aperfeiçoamento todos os dias.

Precisamos ter, desenvolver e manter nossa autoestima. Acreditar que somos capazes e que podemos realizar os nossos sonhos.

Precisamos nos estimar, ter apreço por nós mesmos, sem comparações, sem críticas autodestrutivas, sem desânimo, mas tão somente com fé, empenho e esperança.

Clarice Lispector nos deu um sábio conselho, o qual repito: “Não copie uma pessoa ideal – copie você mesmo – é esse o único meio de viver.”

E para ser bem franca, não vislumbro outro caminho possível.

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