Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, de Clarice Lispector.

Antes de iniciar a história de Lóri e Ulisses, Clarice emite uma nota na qual diz:

“Este livro se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. Ele está muito acima de mim. Humildemente tentei escrevê-lo. Eu sou mais forte do que eu”.

A sensação que tive ao ler esse enunciado é que a escritora teve que transcender a si própria para traduzir em palavras a difícil trajetória de alguém que está em busca íntima para tornar-se verdadeiramente quem é.

Esse alguém é Lóri, uma mulher que sai de uma cidade do interior para morar sozinha num pequeno apartamento no Rio de Janeiro, trabalha como professora numa escola habitada por alunos pobres e recebe mensalmente do seu pai uma mesada, que ela utiliza para comprar vestidos caros com a finalidade de atrair os homens.

Num dia em que está parada na rua à espera de um táxi, um professor universitário de nome Ulisses aproxima-se dela e em menos de cinco minutos estabelecem uma relação incomum de homem e mulher.

Incomum, porque estamos acostumados com a figura de um homem que deseja possuir uma mulher, seu corpo, sem se importar com qualquer aspecto que fuja do prazer temporário do sexo.

Nesse livro, Clarice inverte essa ordem.

Lóri é uma mulher nem pura nem virgem. Relacionara-se com outros homens antes de conhecer Ulisses, que sabe de seu passado de amantes, embora ela tenha lhe declarado não saber se de fato os amara.

A partir do momento em que se conhecem, Lóri e Ulisses passam a se encontrar constantemente. Ela o deseja, quer possuí-lo como possuíra outros homens. Mas Ulisses se retrai, pois entende que Lóri não está pronta. Ela era um corpo. Estar pronta significa para ele ser corpo e alma.

Lóri fazia de conta que tinha uma vida enquanto se doía. Mantinha os olhos secos, embora o coração estivesse encharcado.

Sua forma de atrair os homens era se enfeitando com pinturas excessivas e vestidos justos, numa tentativa de agradar pela aparência.

Ulisses achava que ela não tinha bom gosto para se vestir, mas ela sentia necessidade de se tornar extremamente atraente para o encontro com ele e a extravagância era a sua única arma.

Lóri se vestiu e se perfumou com sua fragrância intensa, levemente sufocante e gostosa como húmus. “Passou perfume na testa e no nascimento dos seios”. Para ela, perfumar-se era um ato secreto e quase religioso.

Depois de vestida e perfumada teve dúvidas se continuaria ou não a encontrá-lo. Então decidiu que nesse dia não iria vê-lo. Já faltara algumas vezes e não avisara, pois contava com a paciência daquele homem. Mas dessa vez tomou a coragem de avisar. Não se omitiria, pois queria ofendê-lo direta e positivamente.

Lóri não sabia nem esperar nem amar. Nela havia apenas faltas, ausências e urgências. Tinha a boca voraz para o nada. Tudo nela era dor e vazio. Não sabia ter alegria. Não conseguia ver beleza nas coisas simples. Não sabia de si.

Tinha apenas um nome: Loreley, Lóri. Ulisses dissera: quando perguntarem o seu nome diga “eu”.

Mas Lóri não sabia quem era. Fazia-se a pergunta “Quem sou eu” e não obtivera resposta. “Isso não é pergunta que se faça, Lóri” – dissera-lhe Ulisses.

Telefonou para ele: “Ulisses, não estou bem”.

Ulisses quis saber se ela não estava bem fisicamente, ao que ela informou que não tinha nada físico. Ele proferiu essas palavras:

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora da minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei o tempo que for preciso.”

Ulisses a esperaria enquanto ela vivesse as dores e as delícias de conhecer a si mesma e isso trouxe a Lóri um certo consolo.

Precisava desse homem e não gostaria de perdê-lo e a consciência dessa necessidade lhe causava espanto e medo, como se fosse possível alguém não precisar.

Lóri não tinha um cotidiano rico como o de Ulisses e sentia que a sua condição era pequena e, por isso, não se permitia a liberdade. Ela mesma se limitava por achar que o corpo não seria capaz de acompanhar o pensamento. E não seria mesmo. Ao que Ulisses dissera: “A condição não se cura mas o medo da condição é curável.”

A condição humana refere-se ao fato de possuirmos o corpo que é material, limitado, finito, condicionado e o pensamento que não encontra barreiras em nada a não ser no próprio corpo. Por não encontrar o equilíbrio entre essas duas dimensões humanas é que Lóri sentia dor e dizia: “Não consigo acertar o passo com as coisas ao meu redor”.

“E só quando ser não fosse mais uma dor é que Ulisses a consideraria pronta para dormir com ele.”

Ulisses queria fazê-la entender que não há porque lutar contra a condição humana. Ela simplesmente é. Mas é necessário aceitá-la e não ter medo de viver. “A mais premente necessidade de um ser humano é tornar-se humano”. Ela precisava aprender a sentir prazer e dor e aceitá-los como sendo inerentes à sua condição, pois “a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre”.

Lóri passou a se ver como uma mulher. Bonita? Não. Apenas mulher. Uma mulher que pretendia se unir a um homem e isso era um milagre extraordinário. Ela estava aprendendo e, ao tomar consciência da permanente queda humana, passou a amar.

Lóri estava em carne viva e, apesar de estar com a ferida aberta, empenhava-se por se conhecer e sabia que a aprendizagem da vida se faria lentamente, tal qual ocorrera com aquele homem que a esperava.

Decidiu escrever para Ulisses sobre o que estava sentindo e pensando a respeito de si mesma. Descrevera-se como selvagem e doce. Alguém que necessita ser tratada delicadamente, mas também com autoridade. Alguém que sente prazer e raiva. E sorriu. Sorriu, porque começava a se encontrar.

Escrever a esse homem constituía um dos prazeres pré-sexuais a que, somente agora, Lóri estava disposta a experienciar.

Num dia em que não suportou a falta, ligou para Ulisses sob o pretexto de que havia um homem suspeito embaixo do prédio em que morava. Ele dirigiu-se até lá e a tranquilizou. Convidou-o para entrar em seu apartamento e tomar um café, mas Ulisses não aceitou e prometeu telefonar-lhe no outro dia. Lóri sentiu o “desespero de fêmea desprezada” brotar de suas entranhas e ao olhar-se no espelho para ver o que aquele homem enxergara nela achou-se atraente, embora ele tivesse negado a sua companhia naquele momento.

Em toda a sua vida tivera medo da dor e isso a tornara inalcançável pelo mundo e por ela própria. “Vivia de um estreitamento no peito”, presa num corpo vazio e doloroso. Não sabia bem o que queria, mas queria dormir com Ulisses e se dava um passo, também se retraía, como por medo de não saber até onde iria, já que não conhecia os próprios limites. Era o medo de sentir dor que a fizera parar com sua vida dos sentimentos.

Lóri nunca havia presenciado alguém salvar o outro e temia aproximar-se de Ulisses e desiludir-se ao confirmar que um ser não transpassa o seu contrário. O medo fazia com ela vivesse o pouco, enfraquecida diante de qualquer possibilidade de agir.

Lóri era altiva por saber que as suas raízes eram fortes. Ela era uma mistura de instintos, doçuras e ferocidades. Por instantes, desprezava o humano e vivia como se fosse um animal – só sentindo e sem a pretensão de compreender, pois o entendimento limita. Só a incompreensão nos abre as portas. Lóri estava começando a saber enfrentar a condição humana.

Sentindo-se perdida, resolveu se dirigir a mais um encontro com Ulisses, que a fizera entender que ela havia parado de viver quando começou a ser preocupar em querer estancar a dor, própria do existir. Disse a ela essas palavras que, a meu ver, é o cerne do livro:

“Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. E eu não choro, se for preciso um dia eu grito, Lóri. Estou em plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que você, mas é vitória. Eu já poderia ter você com o meu corpo e minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao nosso redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado salvar-nos sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor nossa indiferença, sabendo que a nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

Ulisses ressalta a importância da busca, da esperança, da aprendizagem e por que não da revolta? Chama a atenção para a falta de amor e para nossa incapacidade de vivenciar o que não entendemos como se houvesse necessidade de se explicar cada acontecimento. E nisso nos perdemos, porque nem tudo o que existe pode ser medido ou explicado.

Distanciamos-nos uns dos outros e acreditamos que as coisas substituem o contato humano. O que significa essa busca incessante por segurança senão o medo do abandono? Por que temos que nos alegrar apenas com as coisas que nos impõem como essenciais? Por que a alegria tem que vir de uma grande viagem e não da contemplação de um pôr-do-sol?

Por que temos evitado falar da morte se ao lembrá-la todos os dias teríamos motivo suficiente para tentar viver da melhor maneira possível?

“Temos temido um ao outro acima de tudo”. Sim. Todo esse aparato de coisas e de cuidados é porque não confiamos, com razão ou sem razão, não confiamos. E nos perdemos em meio ao caos sem “nunca falarmos e enfrentarmos o que realmente importa”.

Lóri vivia longe da família; seu pai, apesar de estar perdendo fortuna, sustentava-a com uma mesada. Dava-lhe tudo que quisesse e era a filha única entre quatro irmãos. Lóri viajou por toda a Europa, mas Ulisses não queria saber de suas impressões turísticas, então ela se limitava a dizer como se sentira nesses lugares.

Ela não conseguia ver beleza em nada, então Ulisses a despertou: “É impossível que em suas viagens você nunca tenha estado entre laranjeiras, sol, e flores com abelhas.” Ele estava tentando alertá-la para a observação das coisas simples e gratuitas, que são capazes de oferecer alguma espécie de alegria.

Lóri se cansara de morar no interior e achava o lugar pequeno para a liberdade que queria viver. Mas estava presa dentro de si, pois mesmo se mudando para uma cidade grande, ainda não havia aprendido a ser livre. “Sou um monte intransponível no meu próprio caminho” – dizia.

Gostava de ficar sozinha e não tinha amigas. Impedida de amar e sentir alegrias, Ulisses tentava tocá-la para a proximidade das pessoas e das coisas. Chegou a indagar: “Você sabe rezar? Não rezar o Padre-Nosso, mas pedir a si mesma, pedir o máximo a si mesma?”

Lóri não sabia rezar, tanto menos pedir. “Pedir? Como é que se pede? E o que se pede? Pede-se vida?” Ajoelhou-se e conseguiu balbuciar uma prece.

Ela precisava sentir a si própria e ao mundo para chegar ao outro. Só quando estivesse pronta poderia se doar.

Necessitava resgatar algum resquício de prazer ou preferiria a dor? Para ter alegria, Lóri exigia garantias. Até para se entregar de alma a Ulisses parecia querer compreendê-lo e ter a certeza de que não seria abandonada.

Ulisses tratou de falar um pouco sobre si e de sua grandeza. A grandeza que Lóri admirava nele e, no entanto, se reduzia para não ser igualmente grande, com medo da dor, porque ser o que se é causa dores, assim como não ser o que se é. A escolha cabe a cada um.

Descrevia-se como tendo uma profunda paz e estava satisfeito com a profissão que escolheu, seu senso didático, sua capacidade de transmitir: “Sou professor de Filosofia porque é o que eu mais estudei e no fundo gosto de me ouvir falando sobre o que me interessa”.

O erro que via nos outros era para ele uma oportunidade de amar e, apesar de não permitir desmandos, não se incomodava em ter que seguir um programa traçado pela faculdade. Adequava-se às situações quando assim o exigiam.

Com isso, tentava mostrar a Lóri que antes de morrer é preciso saber viver.

Lóri o desejava intensamente, adoradora de homens que era, e, à medida que não mentia sobre os seus anseios e as suas necessidades, começou a se encontrar consigo mesma e esse encontro a fascinava. Ela estava aprendendo a ser.

Começou a sentir paz e a ser feliz. Mas tinha medo da felicidade e a mediocridade de viver a ameaçava. Tudo o que sentia demonstrava a ela que Ulisses era o perigo. Ela despediu dele e se foi.

Lóri não podia mais retroceder, pois estava em estado avançado de autoconhecimento. Já conseguia sentir uma espécie de alegria e ansiava por mais. Estava perdendo o medo da dor que é própria da existência. Agora, tinha a responsabilidade de ser ela mesma, a sua própria guardiã e essa era a sua escolha.

Lóri sentiu coragem e foi sozinha tomar banho de mar. Bebeu de sua água. Que importa o seu sal? Queria ter o mar dentro dela, assim como queria o líquido espesso de um homem. Assim como um cão não se indaga, Lóri passou a fazer o mesmo e com isso adquiriu uma altivez dos que nunca darão explicações nem a si mesmos.

Passou a acreditar num Deus que era o próprio mundo e se integrou a Ele.

Decidiu ir sozinha a um evento e se enfeitou “com uma máscara de pintura no rosto”. Tímida, sensível e infeliz já não conseguia fingir a respeito de quem era. Não desejava se embriagar para ficar mais solta. A máscara que colocou para ir à festa a incomodou e ela saiu chorando do local. Preferia a nudez. As máscaras não lhe cabiam mais.

No outro dia, sem pintura e sem máscara, foi ao encontro de Ulisses. Ele a achou bonita e pela primeira vez disse-lhe que a amava.

Lóri passou a usar a mesada que o pai lhe dava para ajudar os seus alunos e comprou para eles cobertores, guarda-chuvas e meias. Eram crianças carentes, cujos pais não tinham a menor condição de supri-los em todas as suas necessidades. Lóri passou a se doar aos outros, inclusive a Ulisses.

O desejo de ser possuída por esse homem estava cada vez mais forte. Mas ia esperar. Apesar da vontade, não apressaria nada e se manteria casta. Enquanto isso, se nutriria do melhor da vida. Ia beber direto da fonte e dentro de si mesma. Passou a ver cada dia como extraordinário, a ter prazer físico e se sentiu invadida pelo bem-estar. Sentia até necessidade de ficar sem Ulisses por alguns dias para aprender a ser sozinha. Queria-o, mas se controlava, não lhe telefonava. Apenas sentia.

Lóri pensou: “Não posso ter uma vida mesquinha porque não combinaria com o absoluto da morte”. Precisava aprender a viver e a ter prazer. A vida não admite diminutivos. Decidiu ficar mais tempo sozinha em sua busca. Descobria a si mesma ao tempo em que também tocava o mundo. Enquanto isso, Ulisses a esperava.

“Ser-se o que se é, era grande demais e incontrolável”. Mas Lóri já “havia começado uma coisa nova e nunca mais poderia voltar à sua dimensão antiga”. Estava mais serena, mais calma e mais bela.  Lúcida, doce e alegre. Em estado de graça. Com fome de viver. Não mais se enganava a respeito de sua condição, no entanto a aceitava.

Para Ulisses, Lóri estava pronta e ele a queria. Ajoelhou-se diante dela. Depois se beijaram. A fome de Lóri era voraz, Ulisses pedia calma: “Devagar Lóri, temos a noite inteira, devagar.”

Foi com perplexidade que ela notou que é preciso bom senso e senso de medida até mesmo no amor.

“Como você se dava com sexo?” – perguntou-lhe Ulisses.

“Era a única coisa, disse ela, em que eu dava certo”.

É que Lóri só tinha corpo e se dava como se dão os animais.

“No começo ele a tratara com uma delicadeza e um senso de espera como se ela fosse virgem. Mas em breve a fome de Lóri fez com que Ulisses esquecesse de todo a gentileza, e foi com uma voracidade sem alegria que eles se amaram pela segunda vez”.

Eles haviam se possuído. No silêncio em que estavam, “ela abriu suas portas, relaxou a alma e o corpo” e, na escuridão do local, Lóri estendeu uma das mãos até o sexo de seu homem. Sentiu-se livre para o amor e o sexo e para as muitas outras liberdades que se lhe desencadeariam a partir daquele instante.

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