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A verdade que você precisa saber para emagrecer.

No Natal de 2016, minha mãe me olhava com descontentamento e tristeza. “Filha, você está gorda“.

Sim, mamis. Tudo bem que estou gorda. Vou continuar assim, porque gosto de comer e de tomar minha cerveja.”

Minha resposta aumentava ainda mais o desconsolo de minha mãe. E, apesar de minhas palavras reativas, naquela noite de Natal não comi absolutamente nada. Apenas bebi para afogar as mágoas originadas da concordância muda que eu tive sobre a verdade dita, com amor, por aquela que mais me ama.

Ainda que eu não tivesse admitido de pronto, olhei-me no espelho e confirmei: “Eu estou realmente gorda.”

O Natal passou, os dias de recesso de final de ano acabaram, eu esqueci que estava gordinha e o puxão de orelha de mamis e voltei a trabalhar no dia 02 de janeiro de 2017 com a mesma fome, o mesmo sedentarismo e os mesmos hábitos que nortearam toda a minha vida até então.

Chegando ao trabalho, resolvi deixar o carro para lavar com um senhorzinho que há muito tempo exerce essa atividade no estacionamento da empresa. Como que para rememorar-me já no ano que se iniciava o apelo de minha mãe, esse senhor olhou-me com ar de surpresa e exclamou: “Como você está gorda hein?“, enquanto, simultaneamente, indicava com as mãos o tamanho do meu crescimento horizontal. Ainda, contou-me a história de uma prima dele que casara magra e, após alguns anos, engordara ao ponto de tornar-se irreconhecível.

Eu, que estava sem graça e sem reação, continuei ouvindo o que ele me dizia: “Cuidado viu, o homem conhece uma princesa e depois ela vira sapa.”

Sorri para ele, peguei a chave do carro, paguei o serviço de lavagem e saí dali decidida a mudar de vida. Eu, que sempre almoçava num lugar de comida muito saborosa e calórica, saí dali direto para um restaurante vegetariano.

Aquele senhor não só mereceu o pagamento pelo serviço prestado, mas a minha gratidão por me abrir os olhos e provocar em mim uma mudança de pensamento e de ações que norteariam a minha vida a partir daquele momento.

Minha mãe tinha razão. Ela me alertara. Eu tampara os ouvidos. Há verdades que só as mães e os desinteressados nos dizem. Mastiguei vagarosamente aquela comida sem gosto, sem sabor, de pessoas que não comem carne e, por isso, são tristes e com cara de doentes, era assim que eu pensava, a saudável que se entupia de guloseimas e, por isso, se achava mais feliz que os outros.

Ao chegar em casa, naquele mesmo dia do confronto sincero, coloquei roupas largas e tênis e dei início a caminhadas que ocorriam todos os dias às 18 horas.

Por conta própria, suspendi o consumo de carne por um tempo, depois passei a comer só as carnes brancas, legumes, frutas, vegetais, enfim, tudo aquilo que contribuiria para o alcance do meu objetivo único: emagrecer.

Estava em janeiro de 2017 pesando 58.8 kg e estipulei como meta pesar 50 kg em 22 de julho daquele ano, dia do meu aniversário. Era o presente que eu queria dar-me.

Determinada, dizia não a tudo aquilo que atrapalharia meu plano. Bebida alcoólica nem de longe. Açúcar nem de perto.

Foquei mesmo. Sem nutricionista, sem personal, sem blábláblá ou mimimi de quem não quer admitir que não consegue frear a si mesmo e inventa a falta recursos.

Em 22 de julho de 2017 lá estava eu comemorando meu aniversário e 50 kg na balança. Lá estava eu vitoriosa naquela meta que me propus a alcançar.

Não comemorei o aniversário com bebidas alcoólicas, nem como doces calóricos e vazios de nutrientes, nem com excessos. Pelo menos no que diz respeito à alimentação, eu me tornara uma pessoa equilibrada. Nem comendo demais, nem comendo de menos. Apenas o suficiente. E mais, comemorando também minha mudança de estilo de vida sedentária para uma vida de atividade física constante e também equilibrada.

Eu estava alegre, triunfante, segura, com autoestima elevada tanto pelo corpo como pela minha capacidade de superar o trivial, o comum, o que fazemos por hábito e não por razão.

Mamis veio me visitar e quando me viu ficou feliz em ver o que eu tinha alcançado. Por sugestão dela, fomos a uma academia e eu realizei minha matrícula.

Eu que odiava malhar, passei a gostar e muito. Um amigo chegou a me chamar de marombeira, não pelo porte físico, mas pelo vício que eu desenvolvi. Malhava e, ainda malho, de segunda a segunda, em sábados, domingos, feriados, dias santos, faça chuva, faça sol.

Tinha perdido o peso que queria, mas a consciência de que talvez eu não tivesse fazendo certo me veio à tona e eu resolvi procurar um nutricionista.

Pesquisei na internet dentre os melhores nutricionistas de Brasília e encontrei o Guilherme Schweitzer, um profissional maravilhoso e simpático que conquistou minha confiança.

Guilherme me pediu que dissesse em uma única palavra o que eu fora fazer ali. Eu disse: flacidez. Agora que já tinha emagrecido, queria cuidar de ter um corpo mais durinho. Então, começamos a trabalhar na mudança da composição corporal. Eu precisava trocar gordura por massa magra. Mesmo emagrecendo até aquele momento 8.8 kg, meu índice de gordura corporal estava em 26%.

Montamos a dieta juntos, com flexibilidade, diversão e alternativas, onde ele levava em conta aquilo que eu mais gostava dentre as possibilidades de alimentos que existiam. Fui categórica ao dizer que não gostava de ovo e leite, alimentos excluídos automaticamente daquela dieta.

Ele ressaltou a importância de dormir bem e da prática de atividade física para que o resultado fosse bem mais proveitoso. Lembro das palavras dele: “Não tem esse negócio de 70% alimentação e 30% exercícios. Aqui é 100% alimentação e 100% exercícios. Eu garanto seu resultado pela minha parte. Agora, a sua parte cabe a você.”

Eu ouvia tudo atentamente e saí de lá mais disposta e feliz por entender que tudo estava em minhas próprias mãos.

Um mês e meio depois eu voltei ao nutricionista e identificamos os seguintes resultados: 48.5 kg na balança, perda de 7% de gordura e ganho de massa magra. Segundo ele, um dos melhores resultados entre todos os pacientes que já teve.

Porém, eu me tornava mais exigente. Queria perder mais gordura. Queria perder a barriga. Queria me desafiar mais e mais.

Montamos outro plano alimentar com a retirada de carboidrato a noite e, depois disso, cheguei a pesar 46.9 kg, usar blusa P, calça 34 e vestido PP. “Você está com cara de doente.” “Você está muito magrinha” (alguns diziam). Tudo isso podia até ser verdade, mas eu estava como queria e nada me abalava.

De setembro de 2018 para cá voltei a ganhar uns indesejáveis quilinhos, abrindo exceção aqui, outra ali.

Estamos em março de 2019 e eu estou pesando 53 kg. Essas escapadas são malignas para quem quer manter o peso. Engordar é muito fácil. Emagrecer é mais custoso. O que eu aprendi com esses quilos a mais é que dieta não é brincadeira e que não conseguimos enganar nosso corpo, pois ele é esperto demais para achar que arroz é alface.

Resolvi procurar outro nutri, também entre os melhores, não por considerar o outro ruim, apenas para mudar. Conhecer outra “pegada” de dieta. Também montamos o plano alimentar juntos, reduzimos ainda mais o carboidrato, incluímos complementação e estou disposta a fazer novamente tudo que for possível para alcançar a nova meta: reduzir 10 % de gordura corporal até o meu aniversário de 2019.  Estou disposta, inclusive, a consumir ovos e leite se precisar. Fui categórica com o novo nutri: “Estou aqui para que você diga o que tenho que fazer para alcançar o resultado que quero. Não vim aqui para mandar no nutricionista, mas para que o nutricionista mande em mim. Com a ressalva de não agressão à minha saúde, estou disposta a fazer tudo.” Ele me olhou com espanto, mas fez o que mandei (preciso deixar de ser autoritária, eu sei).

A realidade é que não fiz esse texto para convencer alguém a emagrecer, mas apenas para dizer que com determinação, garra e disposição a gente pode sim alcançar alguns de nossos objetivos, principalmente aqueles que só dependem de nós mesmos, de nossa força, resistência e persistência.

Iniciar uma dieta foi também o início de uma mudança em outros aspectos de minha vida, porque se eu deixei de comer tantas coisas que gostava, se deixei de ser sedentária e amar atividade física, por que não outras coisas?

Por que não ler mais livros?

Por que não organizar minha casa?

Por que não comprar menos?

Por que não se importar e brigar menos?

Por que não amar mais?

Você só vai perceber a força que tem quando forçar os seus limites e deixar de obedecer esses pensamentos destrutivos e incapacitantes que existem dentro de você.

Você não é fútil por cuidar de seu corpo. Mas, cuidar só do corpo não te fará melhor nem para si mesmo nem para ninguém.

Entretanto, pode ser o pontapé, como foi para mim, para que você perceba a necessidade de cuidar de si de forma global, em todos os aspectos: físico, emocional, mental e espiritual.

Cuido do meu físico por meio de dieta, exercícios físicos e dormindo bem.

Cuido do emocional quando não permito me abalar por situações que não posso controlar; quando não permito que as confusões dos outros tire minha paz; quando sei a hora de chegar e de sair dos lugares ou da vida de pessoas que tentam tirar meu sossego, consciente ou inconscientemente; quando procuro melhorar minhas relações pessoais.

Cuido do aspecto mental por meio dos meus estudos técnicos, literários e filosóficos.

Cuido do espiritual por meio da leitura da Bíblia, de ida às missas e do compromisso comigo mesma e com a divindade superior de que tenho que ser melhor a cada dia tanto para mim quanto para o outro.

Precisamos despertar hoje para aquilo que nos fará melhores, para aquilo que vai nos proporcionar bem-estar e alegria.

Tenho certeza que a melhor forma de viver é cuidar de si mesmo. Só cuidando de si mesmo você poderá cuidar de quem precisa de você. Alguém despedaçado pode ajudar a juntar os pedaços do outro? Claro que não.

Portanto, não procrastine, não adie, não deixe para amanhã o que pode fazer agora.

Quando Santo Expedito resolveu se converter escutava um corvo que repetia “cras“, que quer dizer amanhã, deixe para depois. A imagem de Santo Expedito nos mostra ele pisando no corvo e levantando uma cruz onde está escrito “hodie“, ou seja, hoje. Santo Expedito não procrastinou sua conversão. Nós também não podemos procrastinar as ações que nos levarão a alcançar o que tanto desejamos.

Sigamos, pois, esse exemplo santo sob a perspectiva daquilo que queremos para nos tornarmos melhores, aceitáveis e amáveis para nós mesmos.  Pisoteie em seus corvos e levante a cruz do hoje. Não há outra alternativa se você realmente quer mudar de vida.

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Meu nome é Ana Veiga, moro em Brasília e tenho paixão pela leitura e pela escrita. Ler e escrever são para mim "vícios desde o início". Leio por prazer. Escrevo por necessidade. E, nesse espaço, quero compartilhar com vocês os maiores ensinamentos que extraio dessas leituras. Espero que gostem!

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