A impressão que tive foi que a palavra comprometimento é uma das que mais se repete durante todo esse livro . Comprometer-se nada mais é do que empenhar-se para realizar uma atividade, um projeto ou um propósito com uma rígida disciplina.

Gosto bastante de uma definição que li inúmeras vezes a respeito do que se considera agir com disciplina, qual seja: “Fazer o que deve ser feito, ainda quando não estamos com vontade de fazê-lo“. Para mim, essa é a melhor conceituação do termo, porque é absolutamente direta, contundente e não aceita subterfúgios.

Se não quero acordar às 05:30 da manhã para malhar, vou acordar mesmo assim, porque tenho disciplina e faço não o que tenho vontade (dormir), mas o que devo fazer (malhar). Simples assim!

Se tenho a oportunidade de comer um doce todos os dias depois do almoço, não vou comer, porque tenho disciplina e faço não o que tenho vontade (comer o doce), mas o que devo fazer (dieta). Simples assim!

Se meus amigos me convidam para uma balada no final de semana, recuso o convite, porque tenho disciplina e faço não o que tenho vontade (ir para a balada), mas o que devo fazer (estudar). Simples assim!

Acho que também podemos inferir que disciplina é o domínio da vontade em prol da necessidade. A necessidade que nós mesmos nos impomos. Que isso fique bem claro.

Foi para nos ajudar a tornarmo-nos mais comprometidos e disciplinados, diariamente e nas primeiras horas da manhã, quanto à realização dos nossos propósitos, que Hal Elrod escreveu esse livro, no qual conta um dos episódios mais trágicos de sua vida e o que fez para superá-lo.

No ano de 1999, ele se considerava muito feliz e realizado, com um bom emprego, onde ganhava vários prêmios e alcançava recorde de vendas, tinha uma namorada que amava, dinheiro, carro, havia terminado uma faculdade, enfim, era uma pessoa de sucesso. Entretanto, esse cenário foi totalmente modificado em virtude de um acidente automobilístico que sofreu enquanto voltava para casa depois de ter recebido um prêmio num local que ficava há alguns quilômetros de sua residência. O acidente foi grave e Hal teve inúmeros ferimentos, lesão cerebral com danos irreversíveis e permanentes, coma por seis dias e possibilidade de nunca mais voltar a andar. E para piorar, sua namorada terminou o relacionamento quando ele ainda estava hospitalizado.

Imerso nesse quadro desanimador, coube a Hal lastimar, lamentar, se vitimizar, culpar o bêbado responsável por seu acidente, se revoltar ou dar a volta por cima. Ele escolheu a última alternativa, pois sabia que todas as outras não o levariam a lugar algum. Pelo contrário,  paralisariam-no mais do que sua atual condição física que o mantinha deitado numa cama enquanto se recuperava.

Hal diz: “Não há desculpas legítimas para você não superar quaisquer limitações que o tenham impedido de conquistar tudo que deseja para si. Nenhuma.”

É dessa forma encorajadora  que ele nos conduz pela sua narrativa e nos dá sugestões de como melhorar nosso presente, de como nos transformarmos naquilo que podemos ser a fim de conseguirmos alcançar todos os propósitos que desejamos, mas que não buscamos por falta de comprometimento e disciplina.

Ele diz: “As coisas não mudam, nós é que mudamos.” É pela crença na capacidade que temos de nos transformarmos que ele nos orienta a deixar no passado tudo aquilo que não conseguimos ser, ter ou fazer a fim de começarmos hoje mesmo a nos empenhar na direção do que desejamos em nosso íntimo, mas que ainda não conseguimos por comodismo, indisposição, preguiça, desculpas ou por qualquer coisa parecida.

Para isso, temos que nos livrar de uma coisa chamada mediocridade. A mediocridade está relacionada com o fato de escolhermos ser medianos. É quando nos contentamos em ser como a maioria das pessoas, mesmo quando isso não nos satisfaz e nos deixa frustrados.

Com vistas a nos convencer de que podemos muito mais, Hal nos diz: “Você é filho (a) de Deus.” Se acreditamos que há um Deus todo poderoso e perfeito que nos criou, não podemos aceitar a pequenez. Se fomos feitos à sua imagem e semelhança, também podemos alcançar a grandiosidade nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual. Há potencial em cada um de nós, mas é preciso desenvolvê-lo diariamente para chegarmos ao nosso máximo. É preciso disposição para atingir o alvo em todas as áreas de nossa vida.

Muitas vezes almejamos alcançar um nível 10 nos setores que consideramos mais importantes (relacionamentos, finanças, saúde, trabalho, estudos), entretanto não nos dispomos a arregaçar as mangas e fazer tudo para sair de nosso nível mediano e da nossa zona de conforto. O autor diz que é possível obter sucesso nível 10. E é bastante ousado ao afirmar que não só é possível como também é simples. Devemos dar passos pequenos, porém constantes. A proposta tentadora que um amigo de Hal o fez para correr 83 km, apesar das limitações físicas provocadas pelo acidente que sofrera, só foi possível porque ele deu um passo de cada vez e teve persistência para, ao final de 15 horas, completar o circuito. Passos simples e pequenos, consistentes e diários, porém sempre em frente.

Ele propõe que dediquemos um tempo todos os dias para nos tornar a pessoa que precisamos e alcançarmos o nível de satisfação e sucesso que pretendemos. E, para conseguirmos isso, aposta que uma mudança na nossa rotina matinal pode causar impacto profundo na maneira como conduziremos o restante do dia.

Manhãs organizadas e produtivas geram dias organizados, produtivos e de sucesso – o que, inevitavelmente, cria uma existência de sucesso – , da mesma maneira que manhãs desorganizadas, improdutivas e medíocres geram dias desorganizados, improdutivos e medíocres, e, finalmente, uma qualidade de vida medíocre. Ao mudar a maneira como desperta de manhã, você pode transformar qualquer área de sua vida mais rápido do que jamais imaginou ser possível.”

É com base nesse pensamento que ele desenvolve todo o livro.

Hal nos alerta que 95% da nossa sociedade se contenta com muito menos do que deseja e vive com remorso e arrependimento por não ter conseguido ser, fazer ou ter tudo o que quis. Esse quadro demonstra que a maioria tem caído na mediocridade de viver e as causas são apontadas pelo autor. São elas:

1) Síndrome do Espelho Retrovisor (SER): mania que temos de viver e recriar o passado continuamente. “Acreditamos, de maneira equivocada, que quem fomos é quem somos, e isso limita nosso potencial verdadeiro no presente, baseado nas limitações do passado.”

2) Falta de propósito: não saber o que queremos. Isso acaba nos deixando sem direção e foco.

3) Isolar incidentes: “Presumir que cada uma de nossas escolhas e ações individuais está afetando apenas aquele momento ou circunstância específica.”

Achamos que podemos deixar de fazer uma coisa aqui, outra ali e que isso não terá nenhum impacto no restante de nossas vidas. Essas coisas fugidias tem a ver com a falta de disciplina. “Tudo o que fazemos afeta quem estamos nos tornando, o que está afetando a vida que por fim vamos criar e viver.”

4) Falta de responsabilização: achar que não somos os responsáveis pelo que nos acontece. Culpar os outros e não admitir para nós mesmos que deixamos de fazer determinada coisa por preguiça, indisposição ou falta de vontade.

5) Círculo de influências medíocre: nós somos influenciados pelas pessoas com quem mais convivemos. Se convivemos com pessoas medíocres, preguiçosas, que dão desculpas, inevitavelmente começaremos a imitá-las.

6) Falta de desenvolvimento pessoal: não dedicarmos ao conhecimento, às habilidades, a revisitar nossas crenças e a mudar nossos maus hábitos.

7) Falta de urgência: achar que temos todo o tempo do mundo para começarmos a agir no sentido de transformar nossa vida no que diz respeito ao que mais nos incomoda. “A maioria das pessoas não tem nenhum senso de urgência para melhorar a si mesma para que possa melhorar de vida.”

Esse estado mental de “algum dia” é perpétuo, e leva a uma vida de procrastinação, potencial não atingido e remorso.

Conheço pessoas que estão há 30 anos ou mais reclamando da empresa em que trabalham. E só para melhor ilustrar, eu estou há 10. Meu marido me alertou: “Daqui a pouco você estará se aposentando e, ainda, reclamando. Faça alguma coisa.” Ele tem razão.

Portanto, é preciso estabelecer um limite para agir o mais depressa possível. Hal nos chacoalha: “A realidade é que, se não mudarmos agora, nossa vida não mudará. Se não melhorarmos, nossa vida não melhorará. Se não investirmos tempo de qualidade em nossa automelhoria, nossa vida não melhorará. Sim, a maioria de nós acorda a cada dia e permanece igual.”

Saber porque acordamos de manhã tem a ver com o nosso propósito de vida. A partir do momento que temos claro esse propósito não podemos adiar o acordar. Desligar o despertador até que ele desista de nós é indício de nossa mediocridade. A nossa resistência em levantar da cama não nos ajudará a atingir nossos objetivos e, assim, estaremos dentro daquela estatística dos 95% da sociedade que não está satisfeita com a vida que leva . “É preciso levantar da cama com um propósito. Não porque você precisa, mas porque você quer.

Para despertarmos mais cedo, Hal nos dá algumas sugestões:

1) Estabelecer as intenções antes de deitar: é o ato de deitarmos para dormir e pensarmos no que faremos ao acordar. “O segredo é decidir e criar toda noite uma expectativa positiva para a manhã seguinte.”

2) Colocar o despertador no outro lado do quarto: para que você não corra o risco de desligá-lo enquanto ainda acorda de seu sono profundo e acabe dormindo novamente ao convite de sua cama quentinha. Já desliguei o despertador inúmeras vezes sem nem ao menos me lembrar que fiz isso.

3) Escovar os dentes: já que vamos levantar para ir em direção ao despertador, é bom nos dirigirmos imediatamente ao banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes. Mais um incentivo a despertar.

4) Beba um copo de água: como passamos algumas horas dormindo, beber água ao acordar nos ajudará a hidratar e afastar o cansaço.

5) Vista as roupas de ginástica: Hal nos sugere realizar exercícios físicos matinais para maximizar nosso estado mental, físico e emocional e nos dar ânimo e disposição para enfrentar o dia.

Hal também lista algumas práticas que ele intitula “Salvadores de Vida” com o fim de, ao praticá-las assim que acordarmos, potencializar os recursos que temos dentro de nós a fim de nos tornarmos pessoas capazes física (corpo, saúde e energia), emocional (emoções, sentimentos e atitudes), mental (mente, inteligência e pensamentos) e espiritualmente (espírito, alma e poder superior invisível).

O silêncio é a primeira delas. Ele pode ser exercido por meio da meditação, oração, reflexão, respiração profunda, gratidão, dentre outros. Segundo Mattew Kelly, “Você pode aprender mais em uma hora de silêncio que em um ano de leituras“.

A segunda prática são as afirmações. Consiste em repetir a nós mesmos pensamentos positivos consoante aquilo que desejamos. Muhammad Ali diz que as afirmações leva à crença e quando essa crença vira uma convicção profunda, tudo começa a acontecer.  É mais fácil repetir para nós mesmos que vamos conseguir algo ou o contrário? Claro que o pensamento positivo é motivador.

A terceira são as visualizações, que são “o processo de imaginar exatamente o que você deseja conquistar ou obter e ensaiar na sua mente o que precisa fazer para conquistar ou obter isso.

Depois, os exercícios físicos. Vou me delongar para falar um pouco dessa prática ,porque sou uma ex-sedentária que, há dois anos, se beneficia com tudo de bom que essa atividade produz para o corpo e para a mente.

Tentei malhar durante todos os horários possíveis: 6 da manhã, meio dia, 15 horas, 18, 20 e até 23. De todos esses horários, aquele em que me senti mais disposta foi às 6 da manhã. Quando você pratica exercícios matinais, já começa ganhando disposição e energia. E mais, não tem espaço para dar desculpas ao fim do dia, quando começamos a ficar mais cansados e nos eximimos das nossas responsabilidades. Sei que isso é algo muito particular. Cada pessoa sabe em que horário se sente melhor para fazer exercícios físicos, mas os benefícios de exercitar cedinho são sentidos ao longo de todo o dia.

Exercícios físicos matinais deveriam ser parte fundamental dos seus rituais diários. Quando você se exercita toda manhã, mesmo que por alguns minutos, aumenta sua disposição, melhora a saúde, ganha autoconfiança e bem-estar emocional, o que lhe permite pensar melhor e se concentrar mais.”

Um especialista em desenvolvimento pessoal, Eben Pagan, disse: “Toda manhã você precisa acelerar os batimentos cardíacos, fazer o sangue fluir e encher os pulmões de oxigênio. Não faça exercícios físicos no fim ou no meio do dia. Mesmo que você goste de se exercitar nesses horários, sempre incorpore pelo menos de dez a vinte minutos de polichinelos ou algum exercício aeróbico de manhã.”

A atividade física matinal tem benefícios demais para ser ignorada. Além de acordá-lo, aumentar sua clareza mental e manter a disposição elevada ao longo do dia, fazer exercícios logo após levantar da cama pode melhorar a vida de diversas maneiras.

Portanto, insisto para que, pelo menos, tentem implementar os exercícios físicos em sua vida pela manhã. Se realmente não for possível, procure outro horário que seja mais adequado. Só não deixem de se movimentar, pois “movimento gera energia”.

Schopenhauer fala em seu livro Sabedoria da Vida: “Não há saúde onde não existe movimento suficiente. A vida consiste essencialmente no movimento.” Apesar de dar grande valor ao desenvolvimento do intelecto, esse filósofo preza muito a atividade física como parte da sabedoria da vida.

A quinta prática de desenvolvimento pessoal é o hábito da leitura. Mário Quintana disse que “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem.” Nesse mesmo sentido, Mark Twain proferiu: “Quem não quer ler não tem vantagem alguma sobre quem não sabe ler.

Um livro nos transforma, nos abre a mente, nos contradiz e nos coloca diante de pensamentos e situações que jamais imaginamos. Um livro é capaz de transformar nossos relacionamentos, nos influenciar a exercer a empatia, aumentar nossa autoconfiança e nossa capacidade de comunicação e persuasão e enriquecer qualquer área de nossa vida.

Hal recomenda a leitura de, no mínimo, dez páginas por dia, entretanto lembrem-se que, mais importante que o número de páginas que lemos, é a capacidade que temos de implementar aquilo de melhor que um livro nos propõe.

A última prática é a escrita. “Não importa o que você escreva, colocar palavras no papel é uma forma de terapia que não custa um centavo.”

O autor indica a manutenção de um diário para registrarmos os nossos pensamentos, documentar nossas percepções, ideias, avanços, realizações, sucessos e lições aprendidas. Acho interessante essa ideia de registrar, pois nossa memória pode falhar algumas vezes e, também, porque é um modo de não perdermos de vista as coisas que desejamos, o que implementamos e o que ainda precisaremos realizar.

Será necessário acordar pelo menos 60 minutos antes do horário de costume para colocar em prática o cronograma para o milagre da manhã. Hal faz uma proposta: silêncio (5 minutos); afirmações (5 minutos); visualização (5 minutos); exercícios físicos (20 minutos); leitura (20 minutos); escrita (5 minutos).

Cabe a cada um organizar seu próprio cronograma quanto à ordem de execução das práticas, bem como a duração de cada uma. No entanto, faz-se necessário agir o mais rápido possível. Não procrastine. Não deixe para amanhã. Não invente desculpas. Arrume tempo. Dê prioridade para as coisas que vão te ajudar no seu desenvolvimento pessoal.

Por fim, cuide também do seu sono e da sua alimentação que, junto com os exercícios físicos, formam um tripé para uma vida mais saudável, com mais disposição e energia.

A mudança de hábitos pode ser um pouco difícil, mas não é impossível. Vale a pena lembrar que “Se você não controlar seus hábitos, seus hábitos controlarão você.

Acho que muitos de nós já ouvimos falar que para implantarmos um novo hábito em nossa rotina temos que repeti-lo por 21 dias. Isso é baseado num livro publicado pelo cirurgião plástico Maxwell Maltz, no qual afirma que pessoas amputadas levam, em média, 21 dias para se ajustar à perda de um membro. Porém, Hal sugere repetirmos essas práticas por 30 dias a fim de incorporá-las definitivamente em nossas vidas.

Enfim, o importante é começar e manter permanente vigília para não cairmos na tentação de abandonar bons hábitos e voltarmos para os velhos e péssimos hábitos. Eu acredito que temos que nos vigiar constantemente e seguir sempre em frente, firmes, dedicados, disciplinados e com bastante entusiasmo. Claro que não é fácil, mas é possível. Para isso, “Faça movimentos ousados na direção dos seus sonhos a cada dia. Recuse-se a parar, e nada poderá detê-lo.

Agora que sabemos de tudo isso é hora de praticar e avançar.

Publicado por:leiturana

Meu nome é Ana Veiga, moro em Brasília e tenho paixão pela leitura e pela escrita. Ler e escrever são para mim "vícios desde o início". Leio por prazer. Escrevo por necessidade. E, nesse espaço, quero compartilhar com vocês os maiores ensinamentos que extraio dessas leituras. Espero que gostem!

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