As sete leis espirituais do sucesso, de Deepak Chopra.

As sete leis espirituais do sucesso é um livro de ensinamentos práticos que tem por proposta nos auxiliar a experimentar e concretizar o sucesso em todos os nossos feitos. O termo sucesso não se trata apenas de conquistas materiais e financeiras como muitos hão de supor. “Sucesso inclui saúde, energia, entusiasmo pela vida, relacionamentos compensadores, liberdade criativa, estabilidade física, bem-estar e paz de espírito.” E mais, para o autor “o sucesso é a jornada, não o destino.”

O número sete que compõe o título do livro é simbolicamente atribuído à perfeição. Um dos exemplos que demonstram esse entendimento é aquele no qual é sabido que Deus criou tudo o que existe em apenas sete dias. Esse número denota completude e é considerado “o símbolo da totalidade do Universo”.

Ao elencar sete leis que contribuirão para realizarmos enquanto SERES, Deepak Chopra o faz referenciando às leis espirituais. Partiu, portanto, do pressuposto de que somos espíritos habitantes de um corpo material. De nada adianta ter muito dinheiro e um corpo ordenado se espiritualmente estamos transtornados. Precisamos equilibrar os componentes espírito, mente e corpo que juntos formam-nos enquanto humanos.

Entretanto, a fonte de criação é o espírito. Qualquer coisa que podemos ver exteriorizada foi antes concebida pelo espírito, que é o berço criativo. Por exemplo, esse texto que vocês leem é a materialização daquilo que por mim foi pensado internamente.

A potencialidade pura é a primeira lei espiritual apresentada. Ela diz que nossa essência é espiritual e que o espírito é o campo de todas as possibilidades e da criatividade. Para entrar em contato com o espírito ou nosso interior é preciso recolher e silenciar. Essa prática facilitará a descoberta e o conhecimento de si mesmo, que é onde reside a capacidade de realização dos sonhos.

Num mundo barulhento como o atual, em que somos bombardeados de informações infiltradas vindo de todos os lados é muito difícil adquirir a tranquilidade necessária para praticar o autoconhecimento. Assim, caso deseje conhecer o seu íntimo será indispensável limitar as informações que lhes chegam e a que tipo de coisas será exposto.

Quando descobrimos o nosso verdadeiro eu com toda a sua potencialidade e também com suas limitações fica muito mais fácil exercer o autopoder. Não existe qualquer poder externo que não seja uma ficção. Assim como é ficção a ideia de que podemos controlar qualquer coisa que esteja fora de nós. Muito pelo contrário, “quando você busca exercer o poder e o controle sobre as pessoas, está desperdiçando energia.” Entender essa realidade nos torna mais voltados para dentro de nós, espaço sobre o qual podemos ter a posse, o domínio e o poder.

O autor diz: “Se experimentamos o poder do Eu, não há medo, não há compulsão para o controle, não há esforço para obter aprovação ou para conseguir poder externo.”

A experimentação do Eu pode ser conseguida por meio do silêncio, da meditação e do não-julgamento. Só na quietude é possível exercer a imaginação e a criatividade. Portanto, estar permanentemente em ambientes caóticos impede não somente o alcance do seu Eu, como também prejudica ou impossibilita a criação.

A lei da doação é a segunda evidenciada por Deepak Chopra. Ela significa que tudo no Universo se relaciona por meio de troca, ou seja, dar e receber. Imagino que tenham ouvido falar de uma história a respeito de dois cachorros, um alegre e outro mal-humorado, que entram num ambiente onde há espelhos por todos os lados e apresentam reações completamente diferentes.

O cachorro mal-humorado, ao entrar no local, vê nos espelhos vários cães raivosos e diz que o lugar é ruim porque todos são infelizes e mal-humorados. Já o cachorrinho alegre entra no mesmo local espelhado, visualiza vários outros cães tão felizes como ele e ali decide ficar por considerar aquele ambiente agradável. O que isso quer dizer? Que as coisas nos são refletidas com base naquilo que emitimos. Pense bem: com que cara você se olha no espelho todos os dias?

A lei do carma estabelece que todas as nossas ações culminam em consequências e que nada fica impune, para o bem ou para o mal. Portanto, ao fazermos escolhas temos que ter plena consciência dos possíveis resultados. “Seu futuro é resultado das escolhas que você faz a todo momento em sua vida.”

O que falamos, o que comemos, as emoções que sentimos, os afetos ou desafetos que oferecemos e todas as ações conscientes ou inconscientes provocam consequências benéficas ou desastrosas. Pablo Neruda disse: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”

No que concerne à lei do mínimo esforço temos que ela representa o agir com harmonia e tranquilidade. Uma das coisas que mais tem prejudicado a maioria de nós é a ansiedade e o imediatismo. A agonia de viver e de fazer milhares de coisas de forma assoberbada tira de nós a capacidade de vivenciar de forma amena o processo necessário para o alcance do que desejamos. Para vivermos em harmonia e sob obediência ao mínimo esforço é necessário entender que devemos aceitar as coisas, as pessoas e as circunstâncias como elas são. Há um enorme dispêndio de força e vitalidade quando resistimos à realidade do que simplesmente é. “O que você resiste, persiste.”

Também é de extrema importância se responsabilizar pelos acontecimentos ou pela maneira como se sente em relação a eles. Não culpar os outros nem se fazer de vítima. Muito menos ficar culpando a si mesmo. É primordial que reconheça algo que fez e que não foi bem acertado, mas isso é um indicativo da necessidade de mudança e não algo para sua autocondenação. Ficar se culpando só vai te paralisar e onde não há movimento, não há desenvolvimento.

A harmonia também pode ser conseguida pela indefensibilidade, que significa se desarmar e não buscar provar aos outros o seu ponto de vista, cujo resultado pode ser apenas o peso do desgaste. Sem falar que isso mina a vitalidade de qualquer um. Abstenha-se da necessidade de ter razão.

A quinta lei é a da intenção e do desejo. O desejo pode ser entendido como algo que idealizamos e queremos realizado ou concretizado. Entretanto, os verdadeiros desejos são aqueles que brotam do mais profundo Eu. Por isso, a necessidade do autoconhecimento.

Partindo do pressuposto de que o desejo representa uma intenção futura é importante entender que o seu alcance exigirá uma atenção no presente. O desejo pode ser entendido como o fim ou resultado, contudo existe a necessidade de ações presentes para se chegar à intenção pretendida.

Por exemplo, vou prestar OAB e a minha intenção é ser aprovada no exame. Entretanto, para chegar a esse resultado tenho que reservar algumas horas do meu dia, a fim de estudar a matéria com toda a atenção necessária (presente). Caso fique pensando apenas no resultado (futuro incerto) é bem provável que isso prejudique a minha atenção nos estudos. O desejo precisa ser sereno. Com esforço e tentativas, provavelmente o resultado virá.

Já a lei do distanciamento informa que “para se conseguir qualquer coisa na natureza é preciso desistir do apego a ela”. Importante abandonar o apego aos resultados. Chopra diz que o apego está baseado no medo e na insegurança, além do mais gera ansiedade.

É preciso lidar com as incertezas uma vez que não sabemos de fato o que vai ou não acontecer. O autor supõe a renúncia ao apego pelo que por nós é conhecido. Ele afirma que na incerteza podemos evoluir. A nossa zona de conforto nos leva à estagnação, desordem ou ruína, e onde não há evolução, não há crescimento.

Ele ainda afirma que a incerteza é um terreno fértil para a criatividade e a liberdade.

A última lei espiritual do sucesso é a do darma ou do propósito de vida. Segundo essa disposição, estamos aqui para cumprir um propósito de vida, por meio do exercício de um talento que é só nosso. “Há uma coisa que você pode fazer e de um jeito melhor do que qualquer outra pessoa sobre a terra. Quando você está fazendo essa coisa, perde a noção do tempo. E quando está expressando esse talento único – muita gente tem mais de um  –  você penetra na consciência atemporal.”

Para descobrir nosso propósito podemos nos perguntar: “Como posso ajudar? Como posso ajudar a todos com quem tenho contato?”

A descoberta de nosso talento depende do conhecimento que temos a respeito de nós mesmos. O uso do talento é uma forma de contribuir com a humanidade. É um modo de servir.

Outra pergunta que pode ser feita a fim de descobrir o seu talento é: “se não tivesse a necessidade de me preocupar com dinheiro e tivesse todo o tempo do mundo, o que eu faria?”

Portanto, essas são as sete leis espirituais do sucesso referenciadas por Deepak Chopra. Espero que todos se empenhem nessa busca importantíssima que é a do conhecimento do Eu. Penso que essa é a chave para fluência da vida em todos os sentidos.

O autoconhecimento te permite entender que você não é superior a ninguém, mas também não é inferior. Permite que desenvolva seus talentos e trabalhe as suas limitações. Permite entender e sentir a amplitude do SER sem adjetivações ou ditos rótulos. Ser é a extensão do divino espiritual que há em nós. Assim, busque ser e permita que os outros também sejam.

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