Inutilidade

A página em branco é um universo de possibilidades. Ainda não sei o que vou escrever, no entanto escrevo. A falta do que dizer e fazer me impõe um silêncio profundo. E é no silêncio que analiso fatos e observo pessoas. Olho nos olhos delas e descubro que nada fica oculto a quem não tem medo de enxergar, ainda que haja um esforço por não deixar transparecer. Também não posso me esconder de mim.

Está quente e seco lá fora. Cá dentro chove e inunda. Não é uma espécie de desilusão. É esgotamento de forças. Não reajo.

A inutilidade é uma das piores sensações que existem. É como se eu passasse todo o meu dia dando comida para quem está de barriga cheia e não tivesse a coragem de doar aos que realmente sentem fome, porque esses exigiriam muito mais de mim.

A inutilidade é como dar ouro a quem te pede um copo d’água ou um pedaço de pão.

A inutilidade faz roubar tempo e vida. Passa-se por esta e se sai dela como roupa amarrotada. Nada se dá. Mas o que pode ser oferecido? O que posso dar aos outros que não seja desintegrando partes de mim mesma?

Venha a nós o vosso reino! De tanto rezar assim não tenho ido até vós. Fico à espera. Só sei receber? O mundo não me deve nada, contudo eu devo um pedido público de desculpas ao povo que respira e transpira para que não me falte todo mês o tão esperado ordenado. Estou às suas ordens em meio a essa ANArquia.

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