De como fiquei grávida.

À exceção da inseminação artificial, parece-me que só há uma maneira de engravidar e esta se dá por meio do sexo. Ocorre que surgi grávida de seis meses sem antes ter gozado de tal procedimento. Não que eu seja desprovida de gozos, inclusive maiores que aqueles que se possa ter a dois, mas é que apareci do nada com uma barriga enorme, cujo tamanho e diferença era notada apenas por mim.

Ao encontrar-me com pessoas conhecidas ficava esperando que falassem sobre o ser que estava dentro do meu ventre, mas todos me olhavam e reagiam como se nada tivesse acontecendo. Pensava que era impossível que não percebessem o quanto minha barriga estava avantajada. Para quebrar o silêncio, eu dizia: “Estou grávida de seis meses.”

A reação das pessoas era de espanto. Como assim? Aos olhos delas tudo em mim permanecia como antes. Nada havia mudado e, provavelmente, eu teria criado uma gravidez psicológica.

Sozinha, pensava no motivo que me havia feito engravidar e questionava-me: “Mas por que? Eu sempre disse que não queria.” E as respostas não vinham. Assim, grávida de um filho cujo pai não existia nem no sonho, decidi por esperar pelos nove meses para ter a criança, posto que o aborto sequer seria cogitado.

Ocorre que antes de chegar aos nove meses, acordei assustada e ao olhar para minha barriga vi que ela estava do mesmo tamanho que do dia anterior. As pessoas que encontrei no sonho estavam bem mais acordadas e enxergando uma verdade que eu relutava aceitar. Não havia gravidez alguma.

Levantei e contei ao meu esposo que havia sonhado grávida de seis meses e que só eu conseguia perceber que minha barriga crescera. Ele apenas perguntou: “E era um menino ou menina?” Eu respondi: “Não sei. Nada me foi revelado.” Logo acrescentei: “Meu filho nem tinha pai, meu bem.” E concluí: “Acho que eu estava grávida de mim mesma.”

Em seguida, relatei para minha mãe que, no sonho, eu havia engravidado de mim mesma. Ela, que deve ter pensado “essa minha filha inventa cada coisa”, sorriu e disse: “Essa foi boa.”

Ao consultar o significado de sonhar grávida, movida por uma superstição que me acompanha desde o berço, descubro que pode estar relacionado a uma excitação em torno de um projeto criativo. Desse modo, a coisa se revelou com mais clareza para mim.

Na noite do sonho, havia participado de um evento que me deixou muito excitada em torno da ideia de lançar o meu primeiro livro. Nesse momento, concebi a ideia de como seria a obra e a semente foi germinada. Esse projeto, por ser meu e crescer dentro de mim, era invisível aos olhos dos outros. Por isso, ninguém notar o tamanho que ele ocupa dentro do meu ser nem enxergar a vultosidade do meu ventre. Daí esse filho não ter pai, posto que inseminado, fertilizado e gerado apenas por mim.

Falei sobre o sonho, às gargalhadas, para uma colega de trabalho, que disse: “Essa preciso contar à minha irmã.”

A irmã, ao ouvir a narrativa de que eu havia engravidado de mim mesma, concluiu: “Mas nem Maria, mãe de Jesus, conseguiu isso, de que modo Ana conseguiu?”

Realmente, Maria, para conceber um filho, foi agraciada por Deus que, vendo nela humildade e santidade, interveio fazendo descer-lhe o Espírito Santo.

Mas, mesmo não sendo um poço de humildade, nem uma santa, muito menos cheia de graça tal qual Maria, Ele me presenteou com um dom que, ao ser exercitado, faz com que eu própria conceba e dê à luz todos os dias.

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