Mulheres francesas não engordam, de Mireille Guiliano.

Tenho quase certeza de que o segredo das francesas para não engordarem, na verdade, não é segredo para ninguém. Por que será que elas não têm grandes problemas com a balança, salvo algumas exceções? Posso resumir em apenas duas palavras: elas praticam o equilíbrio e a moderação.

Mulheres francesas não engordam foi escrito por Mireille Guiliano, uma francesa que teve oportunidade de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos e ao voltar para a França trouxe junto com ela exatos dez quilos a mais.

Ao chegar de Nova York, seu pai foi buscá-la no porto e não disfarçou a surpresa ao ver a filha: Você está parecendo um saco de batatas – disse-lhe ele. Mireille ficou extremamente envergonhada, no entanto estava ciente de que o pai não dizia uma inverdade.

A magreza na França não tem por finalidade impor qualquer tipo de padrão. As francesas cultivam a magreza por uma questão cultural. Elas não se veem de outro jeito. É como se fosse algo impresso em seus DNAs.

Até certo tempo, a obesidade não fazia parte da cultura francesa, apesar de os franceses serem conhecidos mundialmente pela sua gastronomia. O termo gastronomia provém do grego antigo gastros, que quer dizer estômago e nomia, que quer dizer conhecimento, podendo ser traduzido como “regras do estômago” ou “conhecimento do estômago”.

Atualmente, devido ao processo de globalização, ao consumo de industrializados e ao sedentarismo, o índice de obesidade nesse país tem aumentado, inclusive com o acréscimo no número de realizações de cirurgias bariátricas. Ainda assim, o índice de obesidade da França, em torno de 18 %, em 2018, ainda é baixo se comparado ao dos Estados Unidos, que está em aproximadamente 40%. No Brasil, esse mesmo índice cresceu 67,8% entre 2006 e 2018.

A autora desse livro teve que rever e reaprender alguns comportamentos e atitudes de suas conterrâneas francesas a fim de perder os quilos indesejados que ganhou em Nova York. Sua mãe pediu ajuda a um antigo médico da família, o qual Mireille chama de Dr. Milagre. Com esse auxílio somado à sua força de vontade e ao seu empenho ela conseguiu eliminar peso e readotar o estilo de vida que havia perdido.

Apesar de a função principal dos alimentos estar relacionada à capacidade que eles têm de nos nutrir, sabemos que muitos veem a comida como uma fonte de prazer. O prazer é algo que nos move, mas como toda e qualquer coisa, se gozado de forma desmedida tende a nos prejudicar – e muito.

Uma coisa que as francesas sabem é que o prazer da maior parte das comidas está nos primeiros bocados: raramente repetimos. As coisas de que gostamos não podem virar rotina.

Em outro texto mencionei que o prazer de comer é ilusório e efêmero. Ele só dura o instante em que o alimento está na boca. Só quando está passando pelo primeiro órgão digestivo é que sentimos o sabor. Quando comecei a racionalizar dessa forma, poucas vezes caí em gulodices. Acho um prazer muito pouco benéfico e enganoso para me dar ao luxo de cometer excessos. Um brigadeiro basta! Afinal, o prazer da maior parte dos alimentos está nas primeiras mordidas.

Existem alimentos que podemos considerar “agressores”, como é o caso do brigadeiro que acabo de mencionar. Isso não significa que eles têm que ser banidos de forma radical. Podemos começar reduzindo-os aos poucos. “Agressores” são comidas que temos a tendência de comer compulsivamente, com muito menos prazer do que possamos imaginar.

A limitação desses “agressores” exige a observação do que estamos ingerindo. Muitas vezes comemos de forma automática. Nas festas e comemorações são os lugares onde mais observo isso. Percebo que à medida que os garçons oferecem os quitutes ingerimos tudo que nos é apresentado sem critério e sem qualquer noção de saciedade. Comemos os salgados, o churrasco, bebemos sucos ou/e refrigerantes, os doces, o bolo e tudo que achamos que temos direito, com o atenuante de que “é tudo de graça”.

Mas esse “de graça” às vezes sai caro, porque como dizem “o barato sai caro”, ou “tudo tem seu preço”.

Para as pessoas que, assim como as francesas, não querem engordar, sugiro que, quando forem a algum evento, façam um pequeno lanche em casa para não correrem o risco de ficarem esfomeadas e sair comendo tudo que há pela frente ou até mesmo como uma maneira de evitar comer nas festas. Afinal, não precisamos frequentar os lugares por causa de comida. Como bem disse Karina Peloi, no livro Magra para sempre, você não precisar ir numa festa para comer, você pode ir apenas divar. Pode parecer brincadeira, mas tem sentido.

Precisamos mudar nosso pensamento em relação à comida. O segredo de uma mulher francesa está principalmente na cabeça. Uma coisa é identificar os “agressores”; outra muito diferente é dominá-los. Se todas nós tivéssemos uma força de vontade férrea, não haveria razão para este livro.

Presumo que a maioria de nós sabe quais alimentos são danosos e o que devemos fazer ou deixar de fazer para viver um estilo de vida mais saudável. Sabemos que devemos ter equilíbrio, que devemos mudar muitos de nossos hábitos, mas acabamos adiando a adoção de novos comportamentos e ficamos cada vez mais distantes de alcançar resultados satisfatórios.

O início exigirá concentração e esforço, mas à medida que nos acostumamos a novos hábitos eles passam a fazer parte de nossa rotina.

Mireille sugere a ingestão da maior variedade possível de boa comida, a priorização de ingredientes da estação, a preparação da própria refeição, se possível. Fala sobre a importância do consumo de água, pelo menos oito copos por dia, principalmente ao levantar, como forma de combater a desidratação, e antes de dormir.

Nosso corpo é constituído de aproximadamente 70% de água. Ela compõe 80% do sangue, 70% dos músculos e 85% da massa cinzenta, que é um importante componente do nosso cérebro. A ingestão adequada de água nos mantém hidratados, ajuda na eliminação de toxinas e protege algumas perdas do nosso metabolismo. Os franceses são os segundos maiores bebedores de água gasosa no mundo (depois dos italianos). Já com relação aos americanos, os dados indicam que em média dois terços da população é cronicamente desidratada.

Os franceses encaram o ato de comer como um ritual. Só coma à mesa, sempre sentada. Eles enxergam essa atividade com seriedade, onde deve-se comer devagar e mastigar apropriadamente, sem distrações. Pense apenas no que está comendo, engolindo e saboreando a cada pedaço.

As porções devem ser controladas. Aqueles que estão acostumados a ingerir alimentos em grandes quantidades podem começar a reduzir aos poucos e progressivamente. Comer deve ser uma ato prudente e consciente.

Ney Matogrosso, no auge dos seus setenta e oito anos de idade, continua com um físico magro e esbelto. Ao ser questionado sobre o motivo que o mantém assim, ele responde: Como pouco. Durante toda a minha vida gostei de comer pouco. Gosto de sair da mesa leve. Faço ginástica todos os dias e nunca consumi bebidas alcoólicas. Muitos dizem que Ney come num prato de sobremesa, mas ele dá risada sobre isso e conta que apenas pratica a moderação.

Comer pouco não significa sentir fome: Nunca sinta fome. Tem pessoas que se alimentam muito mal durante o dia e esbanjam durante a noite. Você não deve pular refeições. Alimente seu corpo razoavelmente e no horário, e a máquina corporal terá menos probabilidade de responder com uma fome gritante.

Uma dica dada pela autora é consumir iogurte como forma de amenizar os ataques de forme. Antes de ler esse livro, eu já havia incorporado esse alimento ao menos duas vezes ao dia. Lembrando que deve ser na forma natural e, se possível, desnatado.

Escolher o que é importante para você, este é o segredo da mulher francesa. A escolha de alimentos deve levar em conta a qualidade. O consumo de massa e de produtos açucarados e gordurosos devem ser evitados. Para sempre? É óbvio que não. De vez em quando faz-se necessário gozar do prazer de comer algo de que gostamos muito. Ajustar aos poucos sempre é a chave para chegar ao equilíbrio.

Aumentar o consumo de folhas, frutas e legumes é um modo de auxiliar na perda ou manutenção do peso. Outras duas coisas que auxiliam nesse processo são a prática de atividade física que mais lhe agrade e gozar um sono reparador.

Muitas das substâncias e hormônios que precisamos para manter o funcionamento normal do corpo são produzidos durante o sono. Além do mais, ele é um ótimo aliado da pele.

Outra coisa que as francesas costumam fazer é usar a técnica da compensação. Se elas percebem que exageraram um pouco em alguma refeição, no outro dia elas compensam com redução de alimento ou/e aumento de exercícios. Algumas vezes utilizo essa técnica e assim posso fazer algumas concessões. Quando acrescentar uma indulgência, faça uma redução correspondente para compensar.

A mais importante parceira para a mudança de hábitos é a nossa mente. É ela quem nos auxiliar a encontrar o equilíbrio das coisas. Por isso, geralmente escuto pessoas dizerem: “tenho que mudar minha mente gorda.”

Geralmente, os franceses fazem três refeições por dia. A que eles consideram principal é o almoço. O jantar é a mais reduzida.  Seja qual for a refeição mais importante, almoço ou jantar, tenha em mente que uma delas deve ser sempre mais leve.

Eles não têm o hábito de comer os alimentos de forma misturada como nós brasileiros. Apreciam o sabor de cada um, separadamente, e costumam comer em três pratos, entretanto em pequenas quantidades. Essa escolha decorre da necessidade de sentir os sabores de forma individualizada, notando a presença dos ingredientes, saboreando com cuidado. Manter a mente interessada no que está digerindo é fundamental para comer menos e perder peso.

Três refeições por dia são obrigatórias para ajustar o metabolismo do corpo no ponto certo. Comer bobagens – fato que decorre principalmente de não ter três refeições apropriadas  – é geralmente um expediente errado, que gera confusão para nosso espírito e corpo.

Não sou adepta a essa história de comer de três em três horas como dizem por aí. Costumo fazer, por sugestão do meu nutricionista e por opção minha, quatro refeições diárias: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar.

Mesmo saindo da refeição mais elaborada, os franceses ficam satisfeitos, nunca empanturrados. Os franceses adoram comer, mas preferem comida de qualidade e natural. Eles costumam gastar muito com alimentação.

Parte de viver como uma francesa, portanto, significa procurar e pagar um pouco mais pela qualidade.

O consumo de gordura recai naquelas consideradas boas como avelãs, nozes e amêndoas. As frutas preferidas são as da estação.

As crianças francesas são ensinadas pelos pais a comerem de maneira saudável desde a mais tenra idade. O açúcar não é incluído na alimentação das crianças por tão cedo. Apenas aos seis anos de idade eles começam a saborear certos tipos de alimentos. É melhor aprender a moderação desde cedo.

Mireille traz algumas receitas da culinária francesa que, além de serem leves, são feitas com ingredientes saborosos, mostrando-nos que não precisamos comer alimentos sem gosto para alcançarmos o corpo que desejamos.

A disposição dos alimentos no prato é muito importante para os franceses. Variedade visual, cores e apresentação são fatores que não podem ser esquecidos no prazer de comer.”

O consumo de café na França ocorre comumente de manhã e após as refeições. Nós não bebemos durante o dia inteiro, como fazem os americanos; isso é um hábito terrível.

O vinho é extremamente apreciado e degustado pelos franceses. Eles costumam beber apenas para acompanhar as refeições e em pouca quantidade, de uma a duas taças. É considerada uma bebida nutritiva, que estimula a mente e, por ser antioxidante, traz benefícios para a saúde do coração. Eles não gostam de bebidas alcoólicas muito fortes.

O vinho cria uma atmosfera de seriedade, convívio, refinamento e luxo, tudo o que é oposto da tendência de comer negligentemente e de maneira desrespeitosa. Eu particularmente acho também que ele insinua romantismo, intelectualidade e mistério. Para o povo francês, o vinho é parte da vida diária. Entretanto, eles o consomem com moderação. Assim como em todas as coisas boas da vida, o equilíbrio é a palavra-chave.

Essa bebida costuma ser apresentada para as crianças pelos próprios pais que a misturam na água e dão aos filhos para provarem.

Além do vinho, os franceses consomem pão e chocolate. Ingerir esses alimentos são para eles uma fonte de prazer. No entanto, o consumo é feito de forma consciente, sem perder de vista a noção de qualidade e quantidade. Existem chocolates mais naturais, com menos teor de açúcar e que mistura doçura, salinidade, acidez e amargor, que são características essenciais de um chocolate de qualidade.

Mesmo com a demonização do pão, pela “polícia do carboidrato”, os franceses não conseguem viver sem ele. O consumo de pães artesanais faz parte da cultura gastronômica francesa. Comer uma ou duas fatias com a refeição é um dos nossos grandes prazeres. Mas o consumo dessa iguaria por eles é moderado.

As francesas praticam exercícios físicos, mas ao contrário das americanas, elas não são muito amantes de academia. Preferem caminhar ao ar livre, andar de bicicleta, realizar atividades que demandam esforço físico, como subir escadas e tarefas domésticas.

Caminhar é uma parte essencial da maneira francesa de viver e a média das mulheres francesas caminha três vezes mais do que a média das americanas.

A vida moderna não nos ajuda muito quando se trata de movimento do corpo. Realizamos tudo de forma automatizada. Com um clique evitamos muitos deslocamentos e, mesmo quando se trata de trajetos curtos, preferimos percorrê-los de automóvel. O elevador é utilizado para subir poucos andares, pois evitamos os mínimos esforços.

Limpar uma casa, lavar as louças, passar as roupas, subir escadas, ir até o supermercado ou padaria a pé são atividades que podem fazer diferença no equilíbrio calórico ao final do dia. Muitas coisas destinadas a tornar a vida mais fácil, do controle remoto aos lençóis que não precisam ser passados a ferro, na realidade apenas nos tornaram mais sedentárias.”

Lembrando que o ganho de peso decorre da desproporção entre as calorias consumidas e as gastas. Isso demonstra a importância dos exercícios físicos para a perda de peso.

A atividade física deve ser praticada de forma concentrada, tendo em vista o equilíbrio e a harmonia, com postura e atenção à respiração.

Fomos longe demais desenvolvendo um estilo de vida menos físico. Muitas vezes, o tempo economizado é gasto falando sobre trabalho e família e lamentando a consequência de nossos erros. Bem verdade isso e podemos citar também como exemplo o gasto despendido à toa com o uso do celular. Costumamos dar mil desculpas para praticar de 50 minutos a 1 hora de exercícios, mas passamos horas e horas diante de uma tela vendo “o nada”.

O segredo é aumentar o gasto de energia diária – sugere a autora. Não economize seus passos; multiplique-os. Pequenas mudanças são sempre mais fáceis do que as grandes, mas elas somam.

As francesas prezam pelo bem-estar geral. Isso inclui o cuidado com a mente, os pensamentos, a respiração, a alimentação, o cultivo de atividades que lhes interessam, o sono reparador, o consumo de água e o gozar de prazeres de maneira equilibrada.

Dormir deve ser algo bem caprichado. Contudo, o tempo de sono é algo que pode variar entre as pessoas. Sabe-se que a falta de sono tem impacto no ganho de peso e aumenta a resistência à insulina  e a liberação de hormônios do estresse. A falta de sono também nos torna desatentos, o que nos encoraja a comer mais, portanto a insônia interfere nos mecanismos mentais.

Cultivar interesses e bons relacionamentos são eficazes quando se trata de obter prazer e, consequentemente, nos impede de buscar satisfação em outras coisas como a comida ou a bebida. O problema é que abusamos quando os consumimos e essa atitude acaba aflorando em nós um sentimento de culpa e impotência.

Alcançar e manter o equilíbrio não são atitudes alcançadas por força da hereditariedade; é algo que cultivamos em nossa maneira de viver.

Quanto mais cedo adquirirmos bons hábitos de bem estar e saúde, mais fácil será mantê-los durante a vida. Os primeiros anos de uma criança são essenciais para a internalização de comportamentos e a formação do paladar. Comer bem é algo que precisa ser ensinado no princípio. Não tente começar cedo demais com sabores intensos. É aconselhável que os pais tenham cuidado com a alimentação dos filhos para que não tenham problemas mais tarde. E é bom lembrar que “as crianças imitam os pais.” Ou seja, não adianta dizer ao filho que doce é prejudicial ao tempo em que saboreia uma lata de leite condensado.

À medida que vamos avançando em idade, os cuidados devem ser redobrados. A quantidade de comida deve ser cada vez mais limitada, pois nem tudo cai bem. A hidratação deve ser aumentada, pois perdemos água e massa muscular. Os exercícios de força devem ser incrementados para que tenhamos mais resistência, pois a densidade óssea tende a diminuir.

A razão de a mulher francesa não engordar não é genética, mas cultural, caso as francesas se sujeitassem como as americanas aos extremos de comer e fazer dieta, o problema na França seria muito pior do que o que atingiu a América.

Fora os casos excepcionais, sabemos que não engordar tem a ver com a adoção de novas atitudes, novos comportamentos, moderação, equilíbrio e autorresponsabilidade. Cada uma de nós é a guardiã do seu próprio equilíbrio e, quando ele escorrega, cada uma tem de estabelecer seu próprio plano de correção baseando-se em preferências pessoais.

As francesas não costumam se utilizar da inércia e isso é o que as separam das americanas quando se trata de não engordar. É preciso agir, dar o primeiro passo, ainda que curto. Movimente-se e comece hoje mesmo a fazer e colocar em prática tudo que foi ensinado nesse livro.

A passividade não vai colocá-la em seu rumo – afirma a autora.

A vida está no movimento, na ação, no comprometimento consigo mesmo e, sobretudo, na mudança. Nunca é tarde para começar a adotar novos e bons hábitos, mas garanto que o quanto antes será melhor.

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