Ninguém fala sobre o preconceito que sofrem as bonitas e gostosas.

Eis o começo desse texto com uma frase que uma bela mulher me disse aos prantos: “Todo mundo fala sobre as mazelas do preconceito contra raças, estrangeiros, homossexuais e mulheres em geral, mas ninguém menciona ou faz alarde com o preconceito que sofrem as mulheres por serem bonitas e gostosas”.

Sei muito bem que é tacitamente proibido adjetivar uma mulher de gostosa, tendo em vista o risco que se corre de estar atribuindo a ela características que podem ser confundidas com aquilo que se come. Ninguém come ninguém (e ponto)

Nem mesmo quando Cazuza cantou que “somos canibais de nós mesmos” ele quis dizer que comemos uns aos outros em seu sentido mais real. Tudo não passa de metáforas. Portanto, o sentido que darei à mulher gostosa nesse texto e contexto é aquele que se aproxima de algo que é bom e prazeroso de ser saboreado. Não com o paladar, mas tão somente com os olhos.

Alguém pode bradar que é ingenuidade de minha parte pensar assim e afirmar que não conheço a cabeça dos homens. Conheço-a muito bem, entretanto não posso controlar o que pensam, assim como eles também não se controlam e não sabem lidar com a chegada triunfal de uma mulher bonita e que, por isso, de imediato, chama a atenção do pequeno e grande público.

Outros se sentiriam no direito de dizer que não há como precisar quem haveria de ser ou não considerada uma mulher bonita, uma vez que o conceito de beleza é muito relativo. Tenta-se relativizar inúmeras coisas para que todos sejam incluídos dentro de um conceito onde não cabe a inclusão de todos. É como dizer, segundo a teoria da relativização, que, apesar de medir 1.49 cm de altura, eu possa ser considerada uma mulher grande, pois ao subir no mais alto patamar de uma escada alcançaria elevadas alturas. Tudo isso para incluir-me na categoria das grandezas a que não pertenço.

Eu poderia elencar vários nomes de mulheres que seriam quase unanimidade naquilo que se chama bonita e gostosa, entretanto não sou tão inocente a ponto de citar pessoas numa época em que o mais despretensioso dos pensamentos vira objeto de resposta e processo, mesmo constituindo uma apologia ao elogio.

Também não citarei o nome da mulher bonita e gostosa que hoje veio me pedir abraço e consolo pelos indícios de injúrias que diz sofrer simplesmente por apresentar atributos tão cobiçados e invejados. E para o delírio de muitas, ela ainda consegue ser bem-humorada, sorridente e alto-astral, o que a meu ver, contribui significativamente para ser por demais atraente. Tem outra coisa que realça muito mais o que ela é – o perfume – grande arma de uma mulher sabedora das intensidades das fragrâncias capazes de conduzir primitivos e experientes a flagrantes e inesquecíveis sensações.

O seu relacionamento com os homens pode ser considerado agradável e estável. Sempre dera-se melhor com eles. Com relação às mulheres não dá para dizer o mesmo. Os olhares delas a fuzilam, ainda que uma minoria, provavelmente dentro daquele grupo das que se sentem tão bonitas quanto ela – beleza é mais uma questão de sentir e não mentir para si sobre o que se sente – ainda que uma minoria (repito) não sinta incômodos  sobre o fato de ela ser quem é.

Parece ser inadmissível que uma mulher bonita e gostosa consiga progressão na carreira por seus próprios méritos. Que dentro de um corpo voluptuoso e com curvas habite um cérebro pensante e capaz de racionalizar atividades criativas, técnicas, gerenciais e administrativas. Que uma mulher que cuide do corpo e se preocupa com o aspecto físico de sua aparência seja intelectual e competente. Bem, aí já é demais para aquelas que se sentem feias e desprovidas de sorte.

Luís Felipe Pondé afirmou que as mulheres feias detestam as bonitas, porque estas lembram àquelas que elas deram azar na vida. Ele ainda diz: “a acusação de que toda mulher bonita seja burra é a esperança das feias, sua pequena vingança contra a beleza que não têm. Não é apenas o homem inseguro que teme a inteligência numa mulher bonita, as feias também temem. Elas, as feias, fica à noite ou pelos cantos do escritório, tramando sobre como jogar sobre a bela e inteligente colega a suspeita de que a inteligência reconhecida no trabalho se deve à cama.”

As mulheres, mesmo muitas daquelas que dizem lutar em defesa de todas as demais mulheres, torcem o nariz para as de sua espécie quando esta rouba a cena. Muitas vezes, porque notam que seus próprios maridos não resistem aos encantos da bonita e gostosa e são capazes de oferecerem lugar para esta enquanto a própria esposa rosna inquieta por estar há mais de uma hora em pé aguardando preferência.

A mulher bonita e gostosa que se destaca na faculdade é porque tem caso com o professor. A que consegue ascensão na empresa é porque deu alguma coisa em troca para o chefe. A que conseguiu enriquecer é porque fingia trabalhar enquanto fazia programa. E se ela se casa e consegue manter a beleza e a sensualidade é porque precisa atrair e agradar seus amantes.

Sempre tive uma tendência a ficar do lado das belas, já que as feias são maioria e há muitos que abraçaram sua causa, ainda que não acredite nela. As bonitas e gostosas são minoria e por isso me compadeço e substabeleço-me como defensora dativa dessa classe tão desprezada.

Provavelmente, elas devem reconhecer isso em mim a quilômetros de distância, pois que me param para exporem as suas dores. Sabem que as entendo. Ou se não sabem, sentem.

Pois a bonita e gostosa que pediu a mim apenas os ouvidos para desabafar e um abraço para acalentar está sofrendo por ter sido agraciada pela deusa da beleza. Que as feias reivindiquem suas quotas de graça a essa mesma divindade ou exijam isso de si mesmas. As bonitas e gostosas são inimputáveis e não PUTÁveis como as feias e os homens desprovidos de chances hão de supor.

Neguem o quanto quiserem, mas a beleza move todos os mundos, inclusive balançou o mundo poético

de Vinícius de Moraes, que escreveu : “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”.

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