Competição entre mães.

Enquanto a manicure cuidava de minhas unhas, meus ouvidos estavam atentos para a conversa daquelas cinco mulheres que não paravam de falar um minuto sequer. Percebi, de imediato, que o assunto girava em torno de seus filhos. Todas eram mães. 

Uma das profissionais do salão, inclusive, voltara ao trabalho para onde também levava sua bebê de apenas um mês. Provavelmente, a necessidade a obrigara proceder de tal forma.

Quando a nenê resmungava ou chorava passava de mãos em mãos das colegas que ajudavam a mãe enquanto esta cuidava das unhas das clientes. Entre um serviço e outro, amamentava e, sem descanso, voltava às atividades. 

Num dos instantes em que a criança começou a chorar, uma cliente compreensiva disse à mãe: Se precisar parar um pouco para ver sua filha, fique à vontade. Ela respondeu: Está em boas mãos. Eram as mãos de uma colega que acabava de descer as escadas com a menina no colo para trocar-lhe a frauda. Essa mesma mãe tinha mais dois filhos adolescentes que moravam com o pai.

Uma das que integravam a roda das mulheres disse ter quatro filhos, outra três, outra dois e outra um. Uma delas me perguntou: E você tem quantos?

Nenhum – respondi para zerar a conta.

Logo depois, essas mulheres começaram a disputar qual delas era a melhor mãe, por meio da exposição dos comportamentos de seus filhos e descrição de seus feitos desde o nascimento até o presente momento.

Tratavam-se de crianças tão perfeitas, inteligentes e prodigiosas que, se Maria, mãe de Jesus, estivesse participando da conversa, ficaria em dúvida se realmente fora o seu filho o enviado por Deus para salvar a humanidade.

Assim também costuma acontecer quando algumas famílias se reúnem. As conversas entre as mães costumam girar em torno de seus filhos. E a competição se mostra tão acirrada para provar qual é a melhor das crias que fico encabulada a ponto de imaginar por que, em meio a tantos Cristos, não estamos no melhor dos mundos nem a humanidade ainda foi salva.

Escrito por

Meu nome é Maiara Veiga, moro em Brasília e tenho paixão pela leitura e pela escrita. Ler e escrever são para mim "vícios desde o início". Leio por prazer. Escrevo por necessidade e dom. Nesse espaço, quero compartilhar com vocês os maiores ensinamentos que extraio das leituras e da vida. Espero que gostem!

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